Maine. Lobsters e escritores

Maine. O Estado Perdido. Lobsters

A Grata Surpresa do Maine. Lobsters

Após pegarmos o efeito lateral do Furacão Irene, numa reserva do Canadá, em News Brunswick, com rajadas de vento derrubando árvores , com chuvas intensas escurecendo tudo , limpadores no máximo, sem ter onde buscar abrigo, cruzamos a fronteira em Woodstock.Estávamos perto , bem perto de Frederictown, sempre seguindo o caminho na direção da baia de Fundy.

l Pela rota 95, Bangor era cidade escolhida para o repouso noturno.No dia seguinte, Elesworth era ponto de encruzilhada, no mapa indicava o rumo do Parque Nacional da Acádia, da ilha de Mount Desert e do famoso Bar Harbor.

Nosso roteiro, por estradas secundárias nos levava a Penobscot Bay e a núcleos de pescadores, de velejadores, de escondidas baías e de penínsulas perdidas no Atlântico Norte. Junto aos barcos de pesca, as tradicionais armadilhas para a pesca de lagosta indicavam a importância da captura dos crustáceos para a economia local.

Os nomes desconhecidos acompanham o roteiro e o mapa: Bucksport, Searsport, Belfast, Northport, Camden, Pockland, Thomaston, Newcastle. Sempre pela rota 1, passando por Bath, Yarmouth, Falmouth e por final o porto de Portland.

Barcos pesqueiros surgem ancorados no meio de penhascos protetores, convidam a uma parada e a um mergulho em águas frias. Convite recusado por amantes de águas do Caribe.

Portland foi porto importante em séculos passados, prédios históricos estão conservados na tradicional arquitetura de tijolos vermelhos. Junto ao velho porto, surgem lembranças do poeta W. Longfellow e do seu famoso poema “ Evangeline”. A saga de dois jovens amantes, separados durante a expulsão dos colonos da Acádia Francesa do Canadá pelas tropas britânicas, emocionou a América. Infelizmente a casa do poeta foi demolida.

São as belas paisagens do Maine a atração principal.Os faróis altaneiros e vigilantes , a costa enrugada , os perigos do mar, os pântanos ,as pontes conectando paisagens e rochas desafiadoras de mar violento e atrevido, as histórias contadas nas tavernas,aparecem nas novelas e nos livros de escritores desconhecidos. A maior cidade do Maine ,Portland, mais tarde tem em Stephen King , outro nome famoso na literatura americana.

As marinhas de Wislow Homer, o mestre pintor nascido em Boston, mas residente no Maine, tem como tema principal os barcos de pesca, com velas insuperáveis no vento; praias desertas .pântanos escondidos, ondas na briga eterna com os rochedos tendo faróis como testemunhas. Cada um com o seu destaque nas fotos. Os dramas humanos, os naufrágios são coadjuvantes. No Museu de Arte de Boston, já colocado no roteiro, encontramos acervo de Wislow Homer.

Ataque de tubarões a marinheiro, na baía de Havana , impressiona pelo realismo e pelas cores. As telas retratando tempestades também são atração.

A seguir já estamos em New Hampshire e na única praia que merece destaque: Hampton Beach e seus chalés de madeira para visitantes de verão.

Portsmouth, de tão pequena pode ser percorrida a pé, mas de carro é melhor e bem mais rápido. Casas no estilo georgiano foram restauradas. Cercada de lagoas, pelo rio Piscataqua e de pântanos pela periferia, nela encontramos, sinagoga construída no ano de 1902, os tijolos vermelhos dão característica especial ao prédio que ostenta a Cruz de Davi. Em 1905,sediou conferência que estabeleceu o final da guerra entre Japão e a Rússia. As vitórias navais da armada do Almirante Tojo concederam vantagens para o Japão.

O Maine faz parte da denominada Nova Inglaterra, que inclui Massachusetts e New Hampshire., Além do turismo, a captura da abundante lagosta, antigamente usada apenas como adubo, é outra ,fonte de recursos. Uma licença oficial para um barco de pesca vale mais de um milhão de dólares. Aqui até os hamburgeres usam a lagosta como atração. Não podemos partir sem experimentar a iguaria local.

Faro.A Vila Adentro do Algarves

Faro. A vila real de Portugal e suas praias no Algarves

Junto ao rio Sado, local estratégico pela posição geográfica ,desde a era romana e mesmo durante a ocupação muçulmana, depois da invasão de Tarik, em 711 d.C., Faro se destaca pela indústria naval.

Era necessário utilizar as vias fluviais para incrementar o comércio pelo Mediterrâneo ,O Império Romano , para sua manutenção e expansão, dependia de rotas comerciais eficientes, adequadas e livres de piratas. Roma precisava dos tributos e das matérias primas vindas das suas colônias.

Depois da reconquista , era fundamental reprimir as incursões dos piratas mouros às costas e praias de Portugal. As torres de vigia , espalhadas junto ao Mediterrâneo ,em posições elevadas e de difícil acesso ,recordam épocas perigosas e complicadas

.Os sarracenos , outra denominação dos infiéis, arrebatavam milhares de europeus para serem vendidos como escravos. O comércio negro prosperava , tanto pela venda como na cobrança de resgate pelas pessoas mais importantes.

O bispo de Cluny , uma das vítimas , teve sua cabeça cobrada a peso de ouro. Sua abadia quase foi a falência.

Rabat ,Tanger , Tetuan e Tripoli , eram os principais locais do tráfico na África, onde leilões eram comuns e mesmo a maior fonte de renda dos emires e califas. As masmorras e prisões subterrâneas de Tetuan ainda podem ser visitadas . Os desgraçados que não iam para as galeras como remadores , tinham morte rápida mas sofrida. As mulheres jovens e bonitas destinadas aos haréns tinham talvez melhor sorte.

Na conquista de Ceuta , em 1415, Faro foi a base de onde a frota principal , vinda de Lisboa , partiu para ataque de surpresa. Começava a expansão portuguesa em busca do domínio dos mares e dos seus ciumentos e vigilantes Deuses.

Ainda hoje , podemos circular por essa vila murada ,passar pelos arcos e pelas portas de acesso , fotografar prédios históricos e antigas igrejas. Ao final da tarde ,por do sol como parceiro , imaginamos as lutas travadas , mesmo após a reconquista. Do período da ocupação sarracena quase nada restou. Na retirada, os árabes destruíram tudo.

As igrejas locais, estruturas fortificadas, janelas altas ,estilo romano , paredes espessas indicam a característica defensiva dos templos naqueles tempos perigosos.

Na rua de Santo Antônio ,além dos azulejos revestindo casas e lojas , as calçadas atraem a atenção pela decoração com pedras portuguesas e sua arte. Zona pietonável oferece lojas de grife para visitantes endinheirados. Toldos cobrem as ruas , fornecendo, proteção contra excessos do sol e do calor. A Igreja da Misericórdia , o Teatro , o Arco da Vila ,são atrações no interior da “ Vila Adentro” , denominação do casco velho de Faro.

Hoje, os invasores são outros .Europeus vindos de terras geladas , do norte da Europa, ocupam as praias locais em busca de sol. Albufeira é uma das preferidas. O aeroporto de Faro , atualmente, é um dos mais movimentados de Portugal.

No delta do Rio Sado, ilhotas perdidas, praias isoladas, braços de rio, apresentam possibilidades de turismo ecológico. Com os problemas políticos e religiosos da Tunísia, do Egito, da Algéria e mesmo da Turquia, pela segurança , as praias do Algarves atraem cada vez mais novos visitantes. Enquanto do alto das torres , dos postes , nos seus ninhos, as cegonhas observam,, curiosas , os turistas branquelos que chegam na sua migração anual.

Colombia no Século XXI

Colômbia no século XXI. Análise política e econômica

Quantas diferenças ao retornar a Colômbia; antes o terror da FARC, o jogo sujo dos narcotraficantes, a delinquência, eram visíveis nos rostos dos habitantes. Medo, tristeza, esperanças poucas no futuro, emigração e fuga de investimentos. As medidas fiscalizadoras, a revisão de bagagens, os controles no acesso a hotéis e bares. A procura de possíveis bombas nos veículos que chegavam. Pesadelos.

O atentado a clube noturno exclusivo em Bogotá, a bomba num ônibus articulado do sistema milênio de transporte coletivo — cópia melhorada do projeto “rapidinho” de Curitiba de Jaime Lerner — eram notícias na época.

Agora, após os oito anos de Governo Uribe, uma radical transformação. Povo amável, amigo, alegre, “saludoso” nos aguarda. A economia melhorou, o desemprego caiu e encontramos grandes obras na infraestrutura, no transporte; edifícios modernos e novos polos de cultura. Os investimentos retornaram.

Apesar de tudo a delinquência juvenil e a luta de bandos pelo controle e território — como em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil — exige fiscalização permanente. Há polícia militar, exército e guardas particulares de segurança por todos os lados.

A presença da força policial intimida os criminosos e dá segurança ao turista e ao local, algo que não existe no Brasil.

O turismo tanto interno quanto externo é incentivado. As estradas melhoraram, mas o modo mais rápido de circular pela Colômbia é de avião.

As discussões com o Governo Venezuelano estão latentes. Hugo Chaves ao proteger, incentivar e mesmo em nível internacional ser porta-voz das forças guerrilheiras — viés stalinista de atuação— é ameaça na fronteira, ainda mais que comprou armamento moderno da Rússia.

Ao contrário do desenvolvimento Colombiano, a Venezuela, graças ao descontrole de 12 anos de governo ditatorial do Regime Bolivariano, está em marcha descendente, rumo a bancarrota e a falência total das instituições democráticas. O futuro ainda é incerto, mas na queda do sucessor de Hugo Chaves , o incompetente e ditador Maduro ,poderá causar problemas à Colômbia.

Por sorte, as doze pragas implantadas pelo Coronel Chaves, o amigo de Fidel e de Lula, poderão enfraquecer e mesmo provocar a derrubada de outra utopia latino-americana. Na economia errar uma vez é perigoso, doze vezes é um desastre:

1-Reduzir a produção de petróleo e de energia hidroelétrica.

2-Aumentar o endividamento do governo.

3- Não frear o desemprego.

4-Desestabilizar o sistema bancário e financeiro.

5-Desestimular as inversões privadas.

6- Eliminar e controlar a atuação dos meios de comunicação.

7- Aumentar a insegurança e permitir que o número de mortes violentas por 100.000 habitantes aumente em 40 %.

8- Depender da importação de alimentos, algo cada vez mais importante. Manter dois tipos de câmbio.

9- Colocar partidários em postos chaves da economia, aumentar a corrupção.

10- Privatizar as grandes empresas.

11- Controlar e dominar o poder judiciário e o poder Legislativo de modo a manter um Presidente Vitalício.

12- Não controlar a inflação; nos níveis atuais é a mais alta do mundo.

A Colômbia, atuando de modo contrário, demonstrou que políticas sociais e econômicas baseadas em ideologias retrógradas e ultrapassadas como em voga no Equador, na Bolívia e a na própria Venezuela, não tem mais sentido no século XXI. Tudo é uma questão de gerenciamento.

Na saída, o Aeroporto El Dorado, em duplicação, com ligação sem fio para internet grátis, com dezenas de guindastes em operação, é imagem que se soma aos investimentos em curso na ampliação da infraestrutura viária de Bogotá.

Bogotá é cidade amiga, plena de igrejas, museus, monumentos, povo alegre e amigo e com câmbio favorável aos brasileiros. Depois, no roteiro, inclua: Medellín, Cali, Cartagena, San Andrés e Barranquila, porto perto da cidade onde nasceu o Premio Nobel de Literatura: Gabriel Garcia Marques, autor de “Amor em Tempos de Cólera”.

Baía ou Golfo de Nápoles. Capri e Vesúvio;

Baía ou Golfo de Nápoles

Baia ou Golfo de Nápoles. Capri e Vesúvio

Fundada por gregos, abençoada por uma sereia, — Partenope —. Nápoles manteve suas raízes helênicas mesmo após o domínio romano. Durante séculos foi ocupada por usurpadores vindos de todas as partes do mundo.

Para conhecer a atual Nápoles cidade de tráfego caótico, com problemas de poluição, de desemprego, de delinquência, de lixo não coletado, o melhor é começar do exterior, vindo do Golfo de Nápoles.

Dominada pelo Vesúvio, com torreões do Castel Nuovo protegendo a entrada do porto e o Castel dell’Ovo sinalizando o antigo mercado de peixes, aparece Nápoles. Ao longe o Duomo guarda as relíquias de San Genaro.

Usando lanchas rápidas podemos descobrir os encantos de ilhas como Capri, Ischia e as Prócidas. Local para descanso de milionários, vilas suntuosas pregadas nos cumes das montanhas. Iates estão preparados para excursões a Sorrento e para a Costa Amalfitana. Paraíso a vista.

Para descobrir as maravilhas retiradas das escavações de Pompeia e de Herculano, não há como deixar de lado o Museu Arqueológico. A coleção de objetos eróticos tem a preferência dos turistas.

Havendo tempo, procure descobrir a cidade escondida nos túneis e subterrâneos, locais escavados a centenas de anos. Descubra uma Nápoles subterrânea, ainda com mistérios desconhecidos.

Num contraste com a parte antiga, perigosa até de Spaccanapoli, as colinas de Posilípo com vegetação abundante e residências modernas oferecem o contraponto. Escolha hotel ou hospedagem nesta zona. Não dá para facilitar.

Para entender a caótica Nápoles é preferível, num primeiro contato, observá-la de longe sob proteção das sereias, aguardando o momento adequado para o desembarque.

Recorde que Garibaldi, o nosso herói, ajudou a libertação da cidade do jugo usurpador dos estrangeiros.

Obtida a coragem é momento de visitar o túmulo de São Genaro na Catedrale outros pontos de interesse como: Museu da Torre Angevina, Capela Palatina, Palácio Real, Teatro São Carlos, Praça Plebiscito, Igreja Gesu Nuovo, Galeria Umberto I, o Aquário, o Mercado de Mariscos e o Museu Arqueológico. Depois um deslocamento rápido até Capri, seria boa sugestão.

Felipe Daiello

Autor de “As Minhas Ilhas” e

Onde Estão os Dinossauros?” Editora AGE

Pernambuco. Ilha das Paixões

Época da Semana Santa, tempo de concretizar um sonho. Assistir em Pernambuco às cerimônias religiosas, às encenações em Gravatá e, no Marco Zero, em Recife, às procissões do Senhor Morto.

A cerimônia medieval da bênção do fogo no Sábado de Aleluia em Olinda. Os cantos gregorianos e as vigílias em antigas igrejas. Vetustas recordações de um passado rico em tradições, a Ressurreição de Cristo. No entanto, o clímax está reservado, a um local desolado do agreste, num planalto com topografia rochosa, região de grande energia, onde o homem para e pensa.

Próxima de Caruaru, região de feiras, de uma festa de forró que dura 30 dias, onde floresce a arte de Mestre Vitalino, que deu cores, formas e fama ao barro da região, encontramos Nova Jerusalém.

Cidade teatro, com 100 mil m² de área, 9 palcos, totalmente murada, reproduz Jerusalém no ano 33 d.C. Nela se desenvolve um espetáculo fantástico, pelas dimensões, pela atuação de 500 atores e figurantes, no maior teatro ao ar livre do mundo. A encenação da Paixão de Cristo encanta e comove a todos. É recuar 2.000 anos no tempo e assistir ao vivo ao Drama do nosso Mestre. Não há como não chorar e lembrar ensinamentos que a dura vida cotidiana nos faz esquecer.

Uma lua cheia fantástica ilumina todo o palco, recompensando os peregrinos vindos de tão longe. Estamos na época do inverno, tempo das chuvas. O agreste está todo verde e, como diz o sertanejo, com a chuva tudo se torna doce: as frutas, o leite e o próprio povo.

O destino a seguir nos levou ao Recife antigo. Restaurações em andamento o transformarão, como o Pelourinho, num dos símbolos do Brasil.

Na antiga Rua dos Judeus (1536-1654), atual Rua do Bom Jesus, destaca-se a restauração da primeira sinagoga construída no Brasil e nas Américas. Kahal Zur Israel apresenta uma retrospectiva da atuação dos Marranos desde a descoberta, no tempo da Inquisição em Portugal e Espanha, do Domínio Holandês e da Reconquista Portuguesa.

Vimos, através de painéis, o efeito e atuação dos Cristãos Novos na indústria, nos engenhos de açúcar, no comércio de exportação e importação, e a sua influência no desenvolvimento da colônia, com a fundação de escolas e hospitais.

Aqui eles encontraram um paraíso, pois, distantes da Coroa Portuguesa, tinham mais liberdade. Estavam longe das garras da Inquisição, muito mais branda em Portugal do que na fanática Espanha. Na época da colonização holandesa, com Nassau, chega-se ao auge da sua atuação. Seiscentas famílias viviam em Recife, reunidas em duas congregações, onde se destaca a figura do Rabino Isaac Aboab da Fonseca, que mais tarde fundará em Amsterdã a Sinagoga Portuguesa, que hoje ainda deve e pode ser visitada.

Na reconstrução do prédio, patrocinada pelo Banco Safra e pela Fundação Roberto Marinho, podem-se verificar detalhes das fundações, dos pavimentos das ruas na época, dos aspectos construtivos dos muros, dos revestimentos empregados, dos artefatos do dia a dia.

Com suas ilhas, pontes e canais, Recife lembrava Amsterdã, razão pela qual os holandeses destruíram Olinda, deslocando sua população para o novo local. Aqui se sentiam como em casa. A reconquista termina com o sonho. Ocorre a dispersão dos judeus, uns indo para Nova Amsterdã, atual Nova Iorque, outros retornando à Europa e alguns fugindo para o sertão.

Entre as visitas às igrejas, não tínhamos como fugir do litoral, pois Pernambuco se destaca também pelas suas praias, recifes e mangues. Na maré baixa aparecem as piscinas naturais e os aquários, onde peixes multicoloridos, aprisionados, podem ser observados por quem se desloca a pé sobre os arrecifes.

Em Itamaracá, o projeto Peixe-Boi nos permite apreciar esse gentil mamífero aquático em perigo de extinção. Ao sul de Porto de Galinhas, o projeto Hippocampus, nome do nosso conhecido cavalo-marinho, procura manter a população dessas espécies, que estão sendo aniquiladas pela pesca predatória, pela poluição e aniquilação do seu hábitat.

A importância da não-destruição do sistema ecológico local é vital, e precisa ser reforçada, pois o turismo de massa, a falta de infraestrutura e da educação das populações cobra altos juros pelos danos produzidos. Lembre-se que apenas dezessete por cento dos fluidos e esgotos de Recife são recolhidos e tratados!

A impressão de ver cavalos-marinhos deslocando-se entre os recifes, quando fazíamos mergulho, é emoção de não se apagar tão cedo de nossa memória. Lute pela preservação do nosso Hippocampus e do peixe-boi. Diga não à aniquilação! A extinção é para sempre!

Próximo de Itamaracá, em Igaraçu, aparece uma joia preciosa: o Convento de São Francisco, quase todo restaurado, apresentando murais com azulejos portugueses e uma pinacoteca fantástica. Inclusive enviou ao Museu Guggenheimer, em 2002, dois retábulos, peças para a Exposição de Arte Barroca Brasileira em Nova Iorque.

Igaraçu, significando canoa grande na língua dos índios, possui a mais antiga igreja do Brasil, pois a de São Vicente, pioneira, foi destruída.

Uma das particularidades locais, ensinadas pelo guia e orientador, é que Santo Antônio foi eleito vereador perpétuo da prefeitura local, inclusive com remuneração. No dia 13 de junho, dia do santo, os valores recebidos são distribuídos entre os pobres da cidade. Entre as peculiaridades levantadas, lembramos uma expressão usual que vem de tempo antigo. A responsabilidade pela execução e montagem das telhas de barro era dos escravos, que usavam suas coxas como molde, o que não significava nenhum padrão de qualidade ISO. Como era necessário produzir sem perder tempo, o costume nos legou a expressão: “Feito nas coxas”, que significa feito às pressas, sem cuidados.

Aliás, as telhas eram importantes na época, pois os holandeses atacaram e saquearam Igaraçu, principalmente para roubar as telhas, necessárias à complementação das edificações de Recife.

Diz a tradição que apenas o Convento de São Francisco não foi destelhado, pois os holandeses que subiram em busca do seu botim, morreram ao caírem do telhado, por efeito da cólera divina, lenda que o povo repete até hoje.

Com suas praias em 180 km de extensão, Pernambuco nos brinda com grandes atrações, desde os mergulhos na Coroa do Avião, nas piscinas afastadas a 3 e 5 km da costa em Itamaracá, aos passeios pelos mangues de Maria Farinha, até as belas praias, mas poluídas, de Recife. No entanto, as joias da Coroa se encontram ao sul. Lembramos Porto de Galinhas, com seus aquários e piscinas naturais que surgem durante a maré baixa. Muro Alto apresenta um grande paredão de coral e rocha, formando uma piscina com mais de cinco km de extensão entre o mar e a areia. Ali se encontram hotéis fantásticos, como o Nannai e o Summerville. Maracaipe é ponto de encontro do surf internacional e sede do projeto Hippocampus.

No entanto, pequenas pousadas, mais baratas, possibilitam ao turista comum apreciar as águas claras e tépidas desse paraíso. O interessante é que, com duas marés por dia, a mesma praia se apresenta de forma diferente. No início calma, tranqüila e pacífica, e depois com ondas violentas.

Escolha a hora, e terá a praia que desejar.

Na volta, passando pela pequena Vila de Nossa Senhora do “Ó”, encontramos a árvore de Saint Exupéry. Um baobá gigantesco, com mais de vinte metros de diâmetro e que teria sido trazido e plantado pelos escravos há mais de 400 anos. À noite, com suas flores brancas, como velas pendentes, essa árvore símbolo acende para a noite. É beleza e perfume para não se esquecer.

Não falarei sobre a culinária, pois teria outro artigo a escrever. Apenas lembro os peixes grelhados à beira da praia ou dentro de uma piscina natural, longe da costa, para onde uma jangada solitária levou este turista.

O folclore com as suas “Emboladas”, o “Bumba meu Boi”, bem como as carnes rústicas do interior, são paixões que ficarão para outra oportunidade.