Manta. Porto de entrada para o Equador.

Segundo porto do país, Manta abriga a maior parte dos navios que pescam atuns pelas profundezas do Oceano Pacífico. A visão litorânea é bem distinta da encontrada no altiplano e nos Andes. O Equador, pequena extensão, surpreende o turista pela diversidade das paisagens. No entanto, a circulação pelas estradas é difícil, lenta e perigosa. A mais de 3.500 metros, pela Avenida dos Vulcões, trecho de viagem pela Panamericana descrito no livro “As Minhas Ilhas”, a surpresa e o pavor se encontram.

A Base Aérea Americana implantada para combater o narcotráfico, agora coloca Manta nos cabeçalhos dos jornais. A nova Constituição do Equador proíbe a existência de instalações militares estrangeiras. O dólar americano, devido a instabilidade política e econômica, foi adotado, como padrão monetário. Solução para acabar com a inflação.

Para o viajante é vantagem, pois não precisamos fazer câmbio, e, na hora de negociar, fica mais fácil. As jóias de prata utilizando as faces polidas das conchas retiradas das águas locais refletem brilhos e matizes difíceis de descrever. Há milhares de anos, era o padrão monetário utilizado para alavancar o comércio entre as populações indígenas, dispersas pela Costa do Pacífico. Spondylus é o nome da concha, que o artesão corta, dá polimento e confecciona jóias. Preciosidades vindas do mar.

Em 135 anos de democracia, o Equador teve mais de 18 constituições e ultrapassa 64 presidentes. Em certa oportunidade chegou a ter, simultaneamente, 4 autoridades para o posto mandatário.

Em Monte Cristo e arredores, perto de Manta, encontramos unidades familiares fabricando os famosos chapéus de palha. Na construção do Canal do Panamá, foram usados para proteção dos trabalhadores; por esta razão, mesmo fabricados no Equador, são conhecidos pela denominação de “Chapéus Panamás”. Dependendo da flexibilidade, da qualidade da fibra, paga-se de 10 a 100 dólares por unidade. Em média um bom chapéu leva 30 dias para a sua confecção.

Utilizando a semente de palmeira, o artesanato local apresenta o ecológico marfim vegetal. A “Tágua” é produzida apenas pela planta feminina, quarenta anos são necessários para a produção das sementes. Com dureza na escala quatro e com bom índice de reflexão consegue-se excelentes miniaturas de elefantes, pássaros e até botões. Se não fosse o peso, poder-se-ia enganar o turista, parece marfim verdadeiro.

A cidade com 250.000 habitantes, no todo é pobre. As praias: Murcielago, Barbadilhos são simples; os restaurantes razoáveis e os pratos com frutos do mar salvam o dia. Casas de 1 ou 2 pisos, alguns edifícios, poucos hotéis e mais nada. No terminal portuário não há mecanização para o manuseio dos contêineres e nem instalações petrolíferas de porte.

Equador, nação pobre, há mais de 10.000 anos, no entanto, era o polo de desenvolvimento da região.

As visitas aos museus locais permitirão, em outro artigo, descrever o desenvolvimento cultural alcançado pelos povos da cultura Las Vegas. O Equador foi centro avançado da civilização pré-incas. As raízes ainda estão vivas.

Felipe Daiello

Autor de ‘As Minhas Ilhas’

Editora AGE

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