Dragões de duas caudas

Dragões de duas Caudas





De modo silencioso, desconhecido para a nova geração de brasileiros, será surpresa em 2011. No momento do pagamento de alugueis, de impostos e de compromissos atrelados ao IGPM, lá estará o dragão de duas caudas. Apesar de muitos governantes desprezarem os números e as estatísticas, pois para eles o social prevalece sobre qualquer conceito financeiro, ecológico ou administrativo, os índices que medem a inflação são referencias importantes na classificação dos governos, principalmente no que tange à determinação da eficiência operacional dos seus mandatos. Índices positivos, com tendências de crescimento, indicam descontrole nos gastos públicos; a manutenção da máquina governamental é priorizada em detrimento dos investimentos em infraestrutura. Nenhuma propaganda, nenhuma louvação a mitos e vaidades, poderá apagar a realidade de índices econômicos. Eles indicam a existência de sequelas; como termômetros exigem providencias para: detectada a febre, chamado o médico, que os remédios necessários sejam prescritos e, mesmo com gosto amargo, tomados por toda a sociedade e pelo governo. Mais importante do que o total desembolsado pelos órgãos governamentais — bilhões de reais nos orçamentos — o essencial é o que chega ao destino. Na ponta de aplicações, o que resta? Os valores são ínfimos, reduzidos em função do custo administrativo, das atividades-meio, dos desvios, dos ralos e da corrupção endêmica ao Estado Brasileiro. A relação custo benefício é o que importa. De cada real apresentado com pompa nas propagandas — às vezes as verbas de divulgação são equivalentes ou mesmo superam o que alcança ao objetivo da campanha — o que sobrou? Qualidade do gasto público, eficiência na efetiva aplicação dos recursos, eliminação da burocracia, das normas, do aparelhamento desnecessário e inútil da máquina administrativa, é o que interessa ao contribuinte. Não adianta aumentar o número de ministérios e secretarias, duplicar a quantidade de servidores e ampliar os metros quadrados dos prédios públicos, se o que sobra da distribuição são migalhas. O contribuinte paga caro por mercadorias e serviços de má qualidade. A solução corriqueira de aumentar impostos, de modo direto ou disfarçado, não pode continuar. O limite tributário de pagamentos ultrapassou o razoável. O custo Brasil reduz a competitividade das empresas nacionais e extermina a criação de empregos com bons salários. Não se investe nem 5% do PIB nas obras essenciais de infra-estrutura básica: estradas, aeroportos e portos. Saúde, saneamento e educação recebem mais verbas de propaganda do que realidade física da ação. O caos é total. Pior de tudo, para mascarar o fracasso, alteram-se os índices de controle e verificação, muitas vezes, como na educação, os padrões de comparação são modificados para obtenção de resultados mais coloridos. A modificação da escala de um termômetro não impedirá que a febre do paciente fique incógnita. No Rio Grande do Sul, onde a folha de pagamento da Secretaria da Educação tem mais de 50% de aposentados, esse valor é considerado investimento em educação. Pode? O contribuinte brasileiro, como boneco inflável que sempre retorna a posição inicial, quando atingido pela derrama inevitável do aumento de impostos diretos e indiretos, o que pode fazer? Momento da discussão do chamado Poder Cidadão. Não é possível que nossos representantes, no legislativo e no executivo, usem a procuração passada pelos eleitores para legislar apenas em benefício próprio, de amigos correligionários e de simpatizantes ideológicos. Não é possível gastar, de modo irresponsável, o que não se tem no caixa. A solução do endividamento tem limites constitucionais; a protelação do pagamento de dívidas, das precatórias, o calote legalizado, não podem continuar. É momento de questionar as despesas, a liberação de recursos associados a convênios, a emendas de deputados. Importante não é a quantidade do gasto público, mas sim a qualidade do que está sendo despendido. Quanto investimento a fundo perdido, sem possibilidade de retorno ou chance de melhorar a capacidade dos brasileiros na sua ascensão social e econômica, é apresentado como eficiência nas propagandas pagas pelo contribuinte. Reaja João Teimoso. É o momento de criar o Poder Cidadão. A revolução pela internet é possível. Os tambores da Aldeia Global estão tocando.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Enfrentando os Tubarões’
Editora AGE

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22 respostas para “Dragões de duas caudas”

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