Pequenas Antilhas – Ilhas perdidas no Caribe

Pequenas Antilhas


Formando uma barreira defensiva, protetora do antigo Lago Espanhol, uma cadeia de ilhas e ilhotas, de formação vulcânica se ergue entre o bravo Atlântico e as águas azuis do Caribe. Para alcançá-las partimos de Porto Rico, ilha que pertence as Grandes Antilhas, como Cuba e Jamaica. No azul esmeralda das águas surgem: As ilhas Virgens, Tortola, Saint Thomas, Saint Kitts, Anguila, St Maarten, Guadeloupe, Martinica, Santa Lucia, Grenadines, Barbuda, Barbados e outras minúsculas, desabitadas, alcançando o continente com as exóticas ilhas de Trinidad e Tobago. Por aqui, convivência nunca foi fácil; os primitivos habitantes, os Ciboneis e os Arawaks foram sobrepujados pelos ferozes Caraíbas, canibais que matavam os guerreiros inimigos ao tomarem posse das suas mulheres. Depois os espanhóis chegaram.


O excesso de população, o problema dos esgotos, do lixo, da falta de água, do empobrecimento do solo, do desmatamento, cobram pesado tributo no equilíbrio ecológico. O perfil de algumas ilhas está mudando, o verde das matas sendo substituído pelo branco das construções. Algumas praias públicas não possuem infraestrutura adequada, estando sujas e abandonadas. Com raras exceções, as estradas, estreitas, sem acostamento, não permitem uma circulação adequada. Um giro pela periferia das ilhas, passeio necessário para reconhecer e apreciar detalhes nem sempre é fácil. Usualmente 3 a 4 horas é o tempo para dar uma volta. Cuidando apenas com inundações, acidentes e excesso de tráfego em certos horários e ocasiões. Alguns trechos exigem utilitário 4 X 4, pois a estrada, se existiu, acabou por efeito das tormentas e do tráfego. Não se pode esquecer o período dos furacões. Ventos furiosos, quando chegam em setembro e outubro, destroem tudo. Algumas ilhas convivem com terremotos e erupções. No início do século XX, a Martinica foi devastada pela erupção do Mont Pelée.


Francis Drake, pirata e Sir Inglês, possuía refúgio junto às ilhas Virgens que estão, hoje, sob posse dos Estados Unidos. Daqui ele saia para excursões, para saques junto às colônias espanholas. Seu corpo foi lançado, após a morte, nas águas claras desse mar que ele amou e dominou pela astúcia, valentia e gênio militar. Colombo, além da ideologia da cruz, implantou novos costumes, nova língua, trazendo morte e destruição não apenas com a colonização, mas pela força de novas armas. Muitos tesouros ainda podem ser encontrados, pois os galeões da frota espanhola ficaram presos com seus tesouros no fundo do mar. O ouro e a prata trouxeram piratas e corsários. As bandeiras de posse mudavam com os tratados e o resultado de batalhas e sucessões na Europa. O ciclo do açúcar trouxe a escravidão, cujo resultado é visto na cor da pele, nos usos e costumes, na música e na alma da atual população. Antigos sons, palavras vestutas surgem nos dialetos ainda falados, principalmente em ilhas onde as raízes francesas são mais fortes, como em Santa Lúcia.


Ruínas de antigas fortificações relembram as lutas entre franceses e ingleses. As ilhas são totalmente dependentes do turismo. Grandes transatlânticos chegam e trazem mais de 5.000 curiosos num único dia. O que existe de melhor para aproveitar, o que as Pequenas Antilhas oferecem é usar barcos e veleiros para alcançar as praias isoladas, distantes, onde uma flora e fauna aquática ainda encantam os mergulhadores. Sim, é preciso mergulhar para descobrir os tesouros ainda escondidos. Para brasileiros, passeios ecológicos por matas tropicais, onde as chuvas predominam, não é o mais interessante. Permanecer uma semana num resort de luxo, totalmente isolado de tudo ou simplesmente jogando golfe, não parece ser do interesse geral. Isso pode ser desfrutado em muitos outros lugares do mundo. O gostoso é

manter contato com o povo, alegre, que procura viver vida simples, mas dependendo cada vez mais de políticos, nem sempre confiáveis e da manutenção de um paraíso extremamente ameaçado. Em algumas praias, o mar está avançando, reduzindo as áreas de areia, destruindo, com as marés, beleza que não é mais possível preservar. Recordo Saint Kitts, com pequena população, limpa, organizada praias ainda intocadas e com estradas modernas, faixas dupla e de trânsito rápido. É ilha para retornar. Barbados, já possui excesso de população e o tráfego é difícil. Santa Lúcia apresenta rotas difíceis em estradas de montanhas, cheias de curvas, abismos e nenhum acostamento. Com o pneu furado foi preciso encontrar rápido um refúgio. O interessante: o tráfego segue a mão inglesa e os carros alugados podem ter a direção em qualquer lado. Os de fabricação inglesa exigem que as manobras sejam feitas de modo reverso. É preciso dirigir como se estivéssemos atrás de um espelho. As Ilhas Virgens Americanas apresentam um paraíso para compra de relógios, jóias, eletrônicos, bebidas e roupas de grife. Mas da pequena Tortola, sob influência britânica, resultou a lembrança mais pitoresca. O Bar do Bomba, espelunca perdida numa parte da costa quase deserta, foi a surpresa da viagem. Do alto dos picos, víamos abrigos para veleiros, esconderijos de antigos flibusteiros; ilhotas surgiam por todo o lado. No horizonte elas se escondiam no pôr-do-sol da tarde, mas foram calcinhas de mulheres, dependuradas nas paredes e estruturas de madeira daquele bar, o que mais chamou a atenção. Todos os tamanhos, tipos, cores e tecidos podiam ser encontrados. As palavras do dono, dispersas pelas paredes, um profeta da ilha, prometiam a solução de qualquer problema. Podiam ser de ordem financeira, profissional, sentimental, de saúde, sempre havia uma solução. O iluminado, representante de Deus na terra, exigia que as mulheres deixassem como oferenda, como um sacrifício, os seus pertences íntimos. Ele faria orações, abençoaria as intenções e encontraria as soluções. Apenas era necessário deixar de lado os preconceitos e as vergonhas sem sentido. Pregadas nas paredes podia-se apreciar uma coleção de retratos. Muitas mulheres, até bonitas, surgiam, com os seios desnudos, ao lado do mestre; outras mais ousadas apresentavam corpos totalmente sem nada, desnudas, apenas leves vestígios de penugens surgiam. Entre sorrisos e gargalhadas que as fotos realçavam, podia-se perceber algumas lacunas nos relatos. O bar estava vazio, talvez abandonado, muito dos testemunhos apagados pelas chuvas e pelos ventos que vinham do Atlântico. Num canto, uma fotografia do patriarca mostrava personagem de pequena estatura, cabelos brancos, encarapinhados, olhar safado, sentado no colo de uma de suas adeptas. Pelo olhar elevado, alto astral, ele sabia como agradar o mulherio. A dúvida, após as devidas fotos, era saber, ter provas, determinar por quanto tempo aquele recanto de preces e orações havia permanecido funcionando. O difícil, vendo a dimensão de algumas calcinhas, era saber como ele agüentara o excesso de peso de muitas das suas admiradoras.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento”e ‘Enfrentando os Tubarões’
Editora AGE

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22 respostas para “Pequenas Antilhas – Ilhas perdidas no Caribe”

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