Mercados do Futuro – USA


Em pleno Golfo do México, em Clearwater, local de encontro de turistas à procura do sol e do calor da Florida, uma visão de centro de abastecimento ultra-avançado está disponível. Com a evolução tecnológica, os humanos irão reduzir ou talvez eliminar, nas suas residências, as áreas da cozinha e das dependências associadas. Os alimentos estão disponíveis, congelados, em gigantescos freezers (refrigeradores). Dependendo da sugestão do dia, temos comidas com os mais variados sabores: japonesa, chinesa, indiana, mexicana, francesa, americana, equilibrada, vegetariana, baixa caloria e até as tradicionais massas italianas


A proteína básica, carnes, peixes, galinhas, porcos, mariscos se apresenta com todas as possibilidades de preparo e de temperos. Principal personagem, o microondas será o rei. Com técnicas modernas, design futurista, o descongelamento e o aquecimentoserão executados sem alteração da estrutura, das cadeias internas dos alimentos. Os modelos atuais, retirando ou eliminando a água dos sucos, altera o gosto e plastifica o paladar. A sobremesa está pronta. Doces, tortas, bolos, todos os tipos estão disponíveis. Cores, aspectos, formatos são tentações e fuga para sobremesas e para as dietas.Pobre balança ao final.


As galinhas vêm prontas, embalagens plásticas, cozidas e preparadas para os ritos familiares. Máquina automática cospe dezenas a cada fornada.As crianças só terão oportunidade de conhecer os galináceos em zoológicos ou em algum parque, quando as galinhas com os seus pintinhos serão a atração para as suas máquinas fotográficas digitais. Serão as estrelas do show. Não existe funcionários para pesar ou separar as tradicionais porções de cereais,de batatas, de vegetais e temperos. As frutas estão disponíveis através de sucos, embalagens industriais, produtos de todo o mundo. Como exceção: laranja, produto da Florida, está em oferta em sacos imensos. Os pães, envelopados, todos os tipos, são identificados pelos rótulos com análise e propaganda dos ingredientes. Espécie e quantidade dos grãos empregados, teores de cálcio, de magnésio, de gorduras. As calorias, o teor do colesterol, a dose de potássio, o percentual ou não de gordura trans, tudo está na bula do produto. Quando a data de vencimento se aproxima surgem as ofertas. Leve dois e pague um.
Açúcar, sal, temperos em pó, estão ausentes, pois estão ocultos nos produtos à venda. Mestres fizeram a dosagem recomendada. Dá para confiar? Vender a granel é considerado superado, pouco confiável, algo antigo e motivador de desperdício e de manipulações inadequadas. Não há ninguém para orientar o consumidor. Basta ler as instruções e regular o “timer” do microondas. O microondas será osoberano, o personagem principal, substituindo o tradicional “chef-de-cuisine”. Com tecnologia moderna, o descongelamento e o aquecimento no ponto adequado serão feitos sem a

destruição das cadeias alimentares. Nossas refeições perderão o gosto de plástico ressequido. Dúvidas, desconfianças estão presentes. Como fica o viés gastronômico, o toque pessoal e refinado, a obtenção da energia quântica necessária, o calor do fogo na preparação, no ritual das nossas refeições? É possível, nas residências no futuro, que robôs sejam programados para, na preparação da refeição, talvez a luz de velas, a obtenção do melhor resultado. Ainda bem que eles não experimentarão o resultado, caso contrário pediriam demissão na hora.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento”
Editora AGE

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