Gibraltar. Mercado entre dois mundos

Gibraltar


Passagem mitológica, Gibraltar separa a África da Europa. Aqui as Colunas de Hércules, lendárias, sustentam todo o globo terrestre. Segundo muitas opiniões, os quatro pilares estão apoiados nas costas de tartarugas; nosso destino depende, portanto, da paciência e da eficiência de 4 quelônios. Complicada equação. Pela madrugada, sol despertando, vemos apenas 10 quilômetros separando Ponta Tarifa de Ponta Cires. O vulto do rochedo, de Gibraltar, a rocha invencível, onde as cores britânicas ondulam por séculos, para desgosto dos espanhóis, está ao alcance dos nossos olhos.


Suba até o topo da rocha usando o funicular. A vista da “Top Station” é fantástica, desde que as nuvens, a neblina ou mesmo a chuva não atrapalhem. Pela fronteira com a Espanha, de carro, uma surpresa, uma sinaleira bloqueia a passagem através de pista de pouso do aeroporto. Precisamos aguardar outra decolagem.

O mercado fica próximo do Castelo Mouro — Moorisch Castel — construído em 1333. É o nosso ponto de referencia, sendo hoje museu para relatar as épocas de resistência e das lutas frequentes contra os espanhóis. De Gibraltar o almirante Nelson sarpou para vitória em Trafalgar e para ataques a Cádiz, porto fortaleza do Império Espanhol.


Na zona central, perto das cavernas que abrigavam as casernas, os hospitais e a administração, prédio pequeno acolhe o mercado municipal. A população de Gibraltar, 30.000 almas não é muito exigente. As frutas e as verduras tradicionais vêm da Espanha, os peixes são os característicos do Mediterrâneo; aqui o peixe espada é a fonte da proteína básica. Depois, temos as sardinhas, os linguados, os polvos, as lulas, as ostras e alguns crustáceos. No caminho, junto à avenida principal, muralhas, torreões, são recordações de lutas constantes, mas hoje apenas representam passado.

Centro Financeiro Internacional, o turismo é a principal atividade do agora. Sete milhões de turistas por ano, quase o dobro dos que ousam visitar o Brasil. Gibraltar, porto e ponto estratégico, onde se fala inglês e um espanhol diferente, é melhor apreciado do lado do mar, quando o rochedo, chamado de Gibal Al Tariq pelos árabes, surge como vencedor ao nos dar as despedidas. As lendas afirmam: Gibraltar permanecerá com alma inglesa enquanto os macacos sem cauda que habitam as rochas, e tentam roubar nossos pertences, permanecerem em Gibraltar.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

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6 respostas para “Gibraltar. Mercado entre dois mundos”

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