Ponte Vecchio na Itália


A tradição florentina no trabalho artesanal aparece tanto no couro, nos tecidos, artigos que fizeram fortuna da cidade na época medieval, mas principalmente nas jóias e camafeus. Sobre o rio Arno, ponte construída em 1345, magnífica, além das habitações típicas, construído ao longo das muretas, oferece aos turistas e passantes a possibilidade de comprar preciosidades, principalmente no ouro e na prata. Os artigos trabalhados no limite, espaços repletos de filetes e filigranas, delicados na criação, encantam nossos olhos.


No início era reduto de açougueiros, ferreiros e curtidores de pele, razão do mau cheiro, pois os detritos eram jogados no rio. A reação foi tanta, que edito ducal provocou a expulsão dos destruidores do ambiente. Desde então mercado ligado aos ourives, antiquários e joalheiros ocupou o espaço. Foi a única ponte não destruída durante a 2ª Guerra Mundial. Oficial nazista não obedeceu as ordens de dinamitá-la. Placa recorda a desobediência.

A Ponte Vecchio, liga a Galeria Uffizi, onde encontramos os tesouros guardados pela família Medicis; no bairro de Oltrarno, onde do outro lado do rio, o Palácio Pitti é símbolo do poder dos Medicis. O edifício construído para representar o poder da família Pitti, pelas dimensões, pelo custo, provocou a falência do orgulho Pitti. Como resultado, foi adquirido pela família rival. Os Mesicis não tinham rivais. As melhores fotos da ponte Vecchio são tiradas das janelas da Galeria Uffizi, por sinal, o uso de máquinas-fotográficas só é tolerado para tomadas externas, use discrição.


Para Firenze — Florença —, o rio Arno representa o elo, o polo de onde a cidade surgiu. Capital do renascimento cultural foi centro financeiro importante. Grandes banqueiros como Bardi, os Medicis, impulsionaram o desenvolvimento. Todos os palácios, as residências, as igrejas, as praças, além da excelência e ousadia da arquitetura e dos engenheiros, apresentam nos interiores obras primas de Giotto, de Fra Angélico, de Ghiolardaio, de Caravaggio, de Cimabue, de Duccio, de Filippo Lippi, de Bronzino, de Sandro Boticelli e Leonardo da Vince. Firenze é uma das cidades italianas mais agradáveis de visitar, aqui o belo, o gosto pela vida, pelo luxo, pela boa culinária, pelas cores, pela riqueza e pelo poder da política, sempre predominaram. Savanarola, frade dominicano, fanático que tentou reprimir os hábitos dos florentinos, impondo uma vida austera, cinza, acabou queimado, como herege, na praça principal da cidade. Florença preferiu manter o que a tornava inconfundível. Foi aqui que Dante Alighieri encontrou, na jovem Beatriz, a musa para escrever a Divina Comédia. A igreja, mil anos de velas acessas, onde Beatriz foi enterrada, ainda pode ser visitada.

A Ponte Vecchio, como um imã sempre nos atrai. As lojas são fetiches. O coral, as pedras semipreciosas, unem-se ao ouro 18 quilates, padrão local, para produzir maravilhas que tentam o nosso cartão de crédito. Nossos passos, cruzando Firenze, sempre nos levam a contemplar a Ponte Vecchio e o seu mercado, os trabalhos de entalhe em metais, os cristais, os antiquários e as jóias em geral. Não esqueça, regra do investidor, que na hora da necessidade é o peso, em gramas de ouro, o que resta da tentação paga em euros.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

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16 respostas para “Ponte Vecchio na Itália”

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