Medellín, a cidade das flores na Colômbia

Medellín, a cidade das flores


Situada num vale, cercada de montanhas que alcançam mais de 2.000 metros, a cidade se espalha ao longo do rio de mesmo nome: Medellín. Todo o ano a temperatura oscila entre 28 e 14°, razão pela qual as flores sempre serão vedetes, parte permanente da paisagem. O verde das montanhas e das colinas está presente, principalmente na zona sul onde estão os grandes edifícios, os bancos, as lojas e os shoppings. A configuração de Medellín lembra La Paz; a poluição é problema pela situação geográfica, existe rodízio de placas nos usos dos veículos e muito congestionamento nas horas de pique. Sobe-se, desce-se, curvas para todos os lados, colinas e aclives. O único metrô existente na Colômbia é elo essencial no transporte local. Corre ao longo da cidade e dele partem os acessos laterais. Moderno, rápido, limpo e eficiente. Modelo a céu aberto a copiar.




Medellín apresenta duas metrópoles distintas: na parte sul, moderna, estão os remediados e os ricos, na parte norte as habitações populares paredes com tijolos à vista sobem as colinas: alcançam os cimos. Lembram as nossas favelas. Aqui um projeto recente chama a atenção: o cable-metro leva transporte as alturas através de cabines presas a funiculares. A experiência foi recém copiada em favela do Rio de Janeiro. O resultado no aspecto social requer artigo à parte.




Apesar da diferença entre as duas metades de Medellín pelo policiamento ostensivo e permanente, a violência foi reduzida. Outro paradigma a copiar em terras brasileiras. Não há tolerância para o crime. Cachorros farejadores inclusive dentro do pátio das universidades. Outra particularidade são os polos culturais implantados em zonas distintas. Em cada uma existe, edifícios, parques de lazer, atrações; monumentos que servem de referencia para a educação das pessoas. Mesmo nas favelas, encontramos, graças a doação dos reis da Espanha, da Biblioteca Espanha, prédios modernos que possuem e apresentam possibilidade de cursos e múltiplas atividades. A favela não está isolada da sociedade, perfeitamente entrosada. Campos de futebol, áreas de recreação, circulação livre de ônibus, carros, ambulâncias. Modelo a ser seguido.




A melhor opção, na chegada, é pegar um cititur, 17.000 pesos, algo em torno de 17 reais, para ter uma visão rápida de Medellín. Começando em El Poblado, perto da Zona Rosa, a parte nobre da cidade, com seus restaurantes, com seus restaurantes e lojas ao longo da “Milha de Oro”; passamos depois pelo shopping San Diego para chegar ao Parque Santo Antônio onde se encontra, destruída por ato terrorista, La Paloma, a famosa escultura de Fernando Botero. De San Antônio, rumo ao centro antigo, com as igrejas La Candelária e Vera Cruz como proa. Na Plaza Botero encontramos 24 obras do mestre; dispostas ao longo das alamedas e das áreas pietonáveis. Estamos em frente do Museu de Antioquia; imperdível. Depois, na Praça Bolívar, a Catedral nos aguarda para momento de relaxamento e devoção. Construção executada com tijolos, projeto de arquiteto francês, é uma das maiores Basílicas- Catedrais construída com tijolo, a técnica do adobe. Imensa. Acolhedora. A Igreja Católica tem muito prestígio. Na rota, o antigo bairro do Prado com casas antigas, tombadas. Exigem pintura e manutenção. Na Estação Universidade do metrô, o Parque dos Deseos, nos faz olhar para os céus. Os deuses estão lá. Experiência interessante. Como precaução, junto ao prédio da Universidade, uma unidade automotiva, carro tipo brucutu para apoio, as forças de segurança estava apenas como prevenção à eventuais desordens. Palavras do motorista. Perto, o Jardim Botânico tem orquidário como estrela. É lugar para passeios calmos e para limpeza da alma e depulmões. No caminho, monumento indica o ponto zero de Medellín, daqui partem as referências para todas as rotas e estradas que saem da cidade. Passamos por outras universidades, pelo Museu de Arte Moderna, pelo Parque Olímpico com um estádio de futebol e instalações para os demais esportes. O corredor turístico da “Carrerra 70” convida para a noite, para restaurantes afamados. É preciso conhecer a culinária local. O Centro de Espetáculos Macarena, com a Plaza de Toros anexa, é local de encontro, nas tardes de sábado, de touros e cavalos, de toureiros e de fanáticos. O traje típico exige chapéu, botas e artigos de couro no entorno. Como tradição colombiana, o bandarilheiro aqui não trabalha só a pé, usa às vezes o cavalo. O bailado do cavalo é o ponto alto das corridas, algo típico da Colômbia. Não se pode perder. Junto ao Parque dos Pies Descalzos, edifício moderno, arquitetura de vanguarda, instalações inteligentes, encontramos local para efetuar conexão com Pacha Mama, a deusa terra através de contato físico, de pés descalços e da meditação. Entre monumentos e fontes, nossa atenção pode se perder; é preciso retornar.



Depois o Cerro Nutibara nos atrai, no pico o “Pueblito Paeso” nos acolherá. Oportunidade para fotografar o modo de vida local, costumes existente há mais de 100 anos. Do alto temos excelente visão de Medellín; daqui ela não pode esconder nada ao forasteiro. No retorno, cruzamos pelo Zoológico; à medida que circulamos ao longo do rio Medellín, passando por modernas estações do metro, voltamos para o Parque El Poblado. Depois, um lanche rápido no shopping Santa Fé, o mais moderno da cidade. Oportunidade para na praça de alimentação confraternizar com os produtos locais. Tente misturar arroz, frijoles, ovo frito, chorizzo, salsicha, banana frita, carne na chapa, meio-dura, mas bem temperada com pedaços de frango e porco e teremos “a bandeja paesa”, o prato preferido pelos locais . Para complemento uma cerveja Colombiana, meio amarga; “Aquila” vai bem.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘A Viagem dos Bichos’
Editora AGE –

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