A Sinagoga El Ghriba nas terras de Ulisses. Djerba, ilha da Tunísia


A mais afamada sinagoga do norte da África, local até hoje de peregrinação para os povos do Magreb, surge no azul do Mediterrâneo.

Na ilha de Djerba, as lendas, as epopéias ainda possuem ouvintes. Segundo Homero, na sua viagem de retorno ao lar, após a Guerra de Tróia, há 5000 anos, Ulisses passou por aqui. Foi o primeiro turista de renome.




Um paraíso capturou os seus companheiros; na terra dos comedores da flor de lótus, os habitantes possuíam uma visão paradisíaca de viver. Foi quase impossível retomar a viagem, colocar vento nas velas da sua galera. Partir. As sereias não deixavam.




Até agora, o clima é agradável, areia branca nas praias, tamareiras e oliveiras cobrem o horizonte. Árvores frutíferas despejam ao sol as suas dádivas. O azul do Mediterrâneo confunde-se com as cores do céu.

Após a destruição do Templo de Jerusalém pelos assírios de Nabucodonosor em 584 a. C., novos refugiados chegaram.




A linguagem dos residentes púnicos era a da antiga bíblia, durante séculos haverá uma convivência pacífica entre as duas comunidades que interagem em simbiose perfeita.

A congregação hebraica constrói uma das mais antigas sinagogas do mundo e que mantêm atividades até hoje.

O prédio branco, aberturas pintadas na cor azul, na arca sagrada guarda um dos Torás mais sagrado para os hebreus. A relíquia seria proveniente da casa do Senhor em Jerusalém.

Segundo eruditos, num ladrilho aparece a visão de como era a Cidade do Rei David na época do êxodo. Registro único.




Para os judeus do Magreb, El Ghriba representa símbolo tão importante quanto as muralhas de Jerusalém. A comunidade prosperou tanto no comércio, como na fabricação de joias e na cerâmica. As filigranas dos antigos em ouro e prata, até hoje, refletem a habilidade e a cultura dos artífices hebreus.

Em Guellala, um dos povoados da ilha, a cerâmica local ainda é confeccionada pelos mesmos processos dos antigos fenícios.

Aníbal Barca, o general que fez tremer Roma, após a sua derrota em Zama, em 207 a. C. , partiu para o último exílio de uma das praias de Djerba. Seus barcos, com a prata e o tesouro pessoal, partiram da praia de Kerkennah; possivelmente com o apoio de comerciantes judeus.

Muitos conquistadores passaram pela ilha, mas El Ghriba sobreviveu a todos os tormentos; com suas salas de orações, locais de reunião e de estudo, onde novas gerações recebiam os princípios de Moisés, consegue chegar até o século XXI.

A tranquilidade é interrompida em 2002, quando atentado com caminhão bomba mata turistas alemães e franceses. Medidas de precaução são implantadas; é preciso vencer os terroristas da Al Queda. A segurança é reforçada, mas a vida deve continuar mesmo numa Tunísia que pode cair nas mãos de fundamentalistas árabes. O futuro é incerto.

Modernamente, o aeroporto internacional de Mellita, em Djerba, recebe milhares de turistas europeus que procuram as praias e os spas. Poucos se interessam pelo passado, não dando atenção a outras maravilhas e a tradições seculares que os sábios e os curiosos não podem desprezar.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘A Viagem dos Bichos’
Editora AGE site

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