Kahal Zur Israel. Sinagoga de Recife

Kahal Zur Israel


O destino a seguir nos levou ao Recife antigo. Restaurações em andamento o transformarão, como o Pelourinho, num dos símbolos do Brasil. Na antiga Rua dos Judeus (1536-1654), atual Rua do Bom Jesus, destaca-se a restauração da primeira sinagoga construída no Brasil e nas Américas. Kahal Zur Israel apresenta uma retrospectiva da atuação dos Marranos desde a descoberta, no tempo da Inquisição em Portugal e Espanha, do Domínio Holandês e da Reconquista Portuguesa.




Vê-se através de painéis, o efeito e atuação dos Cristãos Novos na indústria, nos engenhos de açúcar, no comércio de exportação e importação e a sua influência no desenvolvimento da colônia, com a fundação de escolas e hospitais. Aqui eles encontraram um paraíso, pois, distantes da Coroa Portuguesa, tinham mais liberdade. Estavam longe das garras da Inquisição, muito mais branda em Portugal do que na fanática Espanha. Na época da colonização holandesa, com Nassau, chega-se ao auge da sua atuação. Seiscentas famílias viviam em Recife, reunidas em duas congregações, onde se destaca a figura do Rabino Isaac Aboab da Fonseca, que mais tarde fundará em Amsterdã a Sinagoga Portuguesa, que hoje ainda deve e pode ser visitada.




Na reconstrução do prédio, patrocinada pelo Banco Safra e pela Fundação Roberto Marinho, podem-se verificar detalhes das fundações, dos pavimentos das ruas na época, dos aspectos construtivos dos muros, dos revestimentos empregados, dos artefatos do dia a dia. “Bor e o Mikve”: as escavações arqueológicas encontraram piscina ritual usada nos banhos de purificação dos judeus. Era o detalhe que faltava para certificar o local onde foi construída a primeira sinagoga das Américas.




Em 2001, após exaustivo processo de restauração, a sinagoga, modelo arquitetônico português do século XVII é aberta a visitação. É local de pesquisas históricas, culturais e religiosas. Ponto de visita ao chegar a Recife. A “Rocha de Israel” abre as suas portas.




Com suas ilhas, pontes e canais, Recife lembrava Amsterdã, razão pela qual os holandeses destruíram Olinda, deslocando sua população para o novo local. Aqui se sentiam como em casa. A reconquista termina com o sonho. Ocorre a dispersão dos judeus, uns indo para Nova Amsterdã, atual Nova Iorque, outros retornando à Europa e alguns fugindo para o sertão. Até hoje no folclore, nos usos e nos costumes, muitas práticas e ritos religiosos hebraicos surgem no imaginário coletivo: os chapéus dos cangaceiros ostentavam a cruz de David, como símbolo de proteção, de manter o corpo fechado às balas das volantes que os caçavam pelos agrestes do sertão.

Felipe Daiello é autor do livro “As Minhas Ilhas” Editora AGE, onde no capitulo 5, Pernambuco, ilha das paixões, Kahal Zur Israel é mencionada.

faleconosco@arquivojudaicope.org.br

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento”
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19 respostas para “Kahal Zur Israel. Sinagoga de Recife”

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