Rotas comerciais da Espanha na América Latina Colonial

Rotas Comerciais da Espanha na Amériva Latina Colonial


Circular pelo Mar do Caribe considere o Lago Espanhol no século XVI e XVII, além dos relatos de ataques de piratas, da busca de tesouros perdidos em ilhas desertas, sempre englobadas por mar de águas límpidas, cores de turquesa é recordar as rotas comerciais estabelecidas para a grandeza de Espanha.




Nos mapas, depositados em bibliotecas e museus, três percursos básicos aparecem. Das Filipinas partia o mais longo. Ao contrário dos portugueses que dominavam a rota do Cabo da Boa Esperança, contornando a África, a ligação era feita, direta, até o porto de Acapulco no México. Naus traziam seda, especiarias, laca, porcelana, jade, produtos típicos do oriente. Depois por terra eram levados ao porto de Vera Cruz. Como material de escambo, a prata, que obtinha preço maior no oriente, era a moeda de troca. Fortunas eram obtidas no comércio bilateral.



Outro, uma epopéia por terra, partia de Potosi. Tropas de mulas levavam a prata, moldada em cones típicos, até o porto de Arica — no Chile atual. Depois por mar o destino era a cidade do Panamá. Gauyaquil e Callao, no Peru, eram portos intermediários onde as riquezas do Peru eram guardadas. Felipe II, para facilitar o transporte foi um dos idealizadores da construção de um canal ligando os dois oceanos. Tarefa impossível para a época. O trajeto, efetuado por mulas até a cidade de Porto Belo, tinha que ultrapassar as barreiras das florestas, dos pântanos, dos mosquitos e o ataque de selvagens. Sessenta quilômetros de inferno no istmo do Panamá.




Tanto Vera Cruz como Porto Belo eram entrepostos para guardar as riquezas saqueadas. No momento adequado, as naves chegariam para levar o botim até Sevilla e Cádiz. Para enfrentar o ataque de corsários, flibusteiros, piratas e bucaneiros, a coroa da Espanha construiu uma serie de fortalezas. Os bastiões até hoje mostram a arquitetura militar desenvolvida para enfrentar os ataques. Acapulco, Vera Cruz e Campeche no México, Las Salinas e Isla Margarida na Venezuela são exemplos. Porto Belo no Panamá, Callao e Guayaquil ainda apresentam os vestígios. Em Havana, em Puerto Rico os colossos de pedra aparecem. Na Guatemala e mesmo na Florida, os pontos de apoio e de abastecimento são lembranças. Saint Augustine, com o forte de São Marcos, ainda mostra as raízes espanholas. A cidade foi a primeira povoação construída no atual Estados Unidos. Preservada é atração que o turista não pode deixar de visitar quando for a Disney.




No meio de tantas riquezas em transito, da presença dos furacões que surgiam sem aviso, os piratas estavam à espreita. E pequenas ilhas aguardavam o momento adequado para o ataque. Repúblicas, onde a tradicional caveira com ossos cruzadas era o símbolo, abrigava franceses, holandeses e ingleses. Cooperativas de flibusteiros eram formadas. Na Jamaica, nas Ilhas Virgens e em Providência, perto de San Andrés — Colômbia — recuperando-se dos invernos de suas pátrias, os flibusteiros e corsários aguardavam nos seus spas e paraísos tropicais o momento adequado de roubar as esmeraldas, o ouro, a prata e outras riquezas destinadas a financiar os “Reis católicos” da Espanha. Uma guerra econômica política e religiosa estava em curso. Uma leitura de “Caribe” de James Mitchel pode ajudar os fanáticos na compreensão do que ocorreu por aqui durante 320 anos, até o início das lutas pela independência das colônias espanholas. Os museus da região apresentam arquivos, mapas e notícias interessantes. Em Key West, na Florida, podemos apreciar o tesouro recuperado da “Nossa Senhora de La Tocha”, nau capitânia afundada por furacão. Levava 22 toneladas de prata como lastro e mais de 300.000 moedas de ouro e prata além de lingotes de ouro, esmeraldas brutas e finas joias que agora surgem para despertar a nossa imaginação. Mas, a fortaleza mais espetacular é encontrada em Cartagena. O Castelo de San Felipe impressiona pelas dimensões, pela arquitetura militar e pelo fato de que nunca foi tomado pelos inimigos de Espanha. Passear pelos bastiões, pelos subterrâneos, pelas pontes levadiças nos leva a narrar outra historia. Aguarde.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘A Viagem dos Bichos’
Editora AGE

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5 respostas para “Rotas comerciais da Espanha na América Latina Colonial”

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