Alexandria – Porto de Contrastes e Encontro de Conquistadores

Alexandria

Próximo do Delta do Nilo, ligada por canais ao grande rio no tempo dos faraós, Alexandria surge na história quando Alexandre Magno conquista o Egito em 332 a. C.. Cidade mais bonita do que o Cairo, segunda em população, está ansiosa em confidenciar aos estranhos os seus segredos e mistérios. Com a morte do conquistador, um dos generais de Alexandre assume o poder, começa a Dinastia dos Ptolomeus
Os faraós de linhagem egípcia serão recordações do passado, não tem nada a mostrar, apenas nos museus encontramos vestígios da sua passagem.
O período dos Ptolomeus, origem grega, estabelece novos parâmetros. Pela localização, o porto se desenvolve; centro de comércio, de ligações entre países, caldo de cultura em expansão.

Ptolomeu II constrói na ilha de Pharos uma das maravilhas do mundo antigo. Com 120 metros de altura o farol tinha alcance de mais de 60 quilômetros; iluminava a rota, guiava marinheiros e navegantes para abrigo seguro.
Sábios vindos de todos os cantos congregavam-se na biblioteca de Alexandria. Na realidade são duas, a principal e outra auxiliar. O conhecimento, a sabedoria, o moderno em matemática, em literatura, em artes e mesmo em religião tem Alexandria como base. Estamos nos anos de 285-246 a. C..
A invasão do Egito por Pompeu introduz novo conquistador. Roma será a Senhora do Mundo.
Época de Júlio Cesar, de Marco Antonio, de Cleópatra e de Otávio.
Na guerra pelo poder, após o assassinato de Julio Cesar, com a derrota de Marco Antonio na batalha naval de Accio, 31 a.C. — evento assistido pela rainha egípcia na sua galera real —, outra realidade surge. Roma é a dona do Mediterrâneo.

Após o suicídio de Cleópatra em 30 a. C., do assassinato do seu filho com Julio Cesar, o destino do Egito será o de simples província romana, exportador de cereais pelo porto de Alexandria. A fome da plebe em Roma, além de circo exigia alimentos. Mais da metade dos grãos necessários vinham através do Porto de Alexandria. Estanho da Bretanha, bronze da Hispânia, algodão da Índia, seda da China são outras mercadorias em trânsito pelo porto.
Do período grego pouca coisa restou. A famosa biblioteca foi queimada, nada restou do acervo de mais de um milhão de documentos. Em Viena, apenas simples fragmentos de papiro demonstram a importância da Biblioteca de Alexandria.
Alguns culpam Julio Cesar pelo desastre em 48 a.C.. Ao incendiar navios no porto, por acaso, fagulhas incontroláveis teriam provocado o cataclismo. Na realidade foram vários incêndios. Recorde que Marco Antonio, alguns anos depois, presenteia Cleópatra com o acervo saqueado da Biblioteca de Efeso, na atual Turquia.
Para os pesquisadores, múltiplos incêndios ocorreram até que, em 391 d. C. , o fogo consumiu por completo o maior centro de saber daquela época.
O local de encontro de acadêmicos, de pensadores, de filósofos, de matemáticos, de religiosos, era terra arrasada. Uma época das trevas, vazio cultural se instala. Por sorte, frades copistas em todo o mundo tentarão recompor originais baseando-se em cópias, traduções e réplicas.
Maremotos, tremores de terra, destruíram o famoso farol; o palácio de Cleópatra ficará submerso por séculos.
Com o evangelista São Marcos, chegam as palavras de novo conquistador. Os antigos cristãos, os Cooptas, terão influencia na religião e nas artes, mas em Alexandria, seus vestígios só em museus.
O poder de Roma, os hábitos dos novos senhores, surge das escavações realizadas.

Anfiteatro, banhos públicos, cisternas, estão a disposição em Kom El Dekka; catacumbas em Kom El Shogafa mostram a transição da arte funerária das raízes faraônicas para a realidade romana e depois bizantina. Caracala, imperador romano, em 215 d. C., após ser vaiado em corrida de bigas pelos aristocratas e críticos locais, em revanche, durante banquete de reconciliação dizima os descrentes, muitos enterrados nas profundezas do calcário de Shogafa. O mármore, nas gravações, mostra os ritos empregados nos enterros dos senhores vindos de Roma.
Diocleciano, novo imperador romano, em 297 d.C., também traz destruição, morte e pilhagens na luta contra os cristãos.
Em 641 d. C., novos senhores, nova religião; os árabes, com as páginas do Alcorão e as palavras de Maomé, serão os donos. Começa época de decadência, das lutas dos mamelucos contra os antigos senhores. Época da construção de mesquitas e novos souks. Cada novo conquistador deixa as suas marcas. No local do antigo farol, aparece o forte de Quaitbey, hoje outro museu. Os resquícios da biblioteca ainda existente são aniquilados.
Em 1798, vindo de longe, como conquistador, Napoleão Bonaparte redescobre o Egito para o Mundo. Em Rozetta, localidade próxima, a chave para encontrar o segredo de milênios é encontrada. As pirâmides começam a falar.
A batalha naval de Abukir, em 1800, além de mostrar o gênio do futuro Almirante Nelson, desaloja o poder francês e traz as cores de nova bandeira, outro dono.
Em 1942, a cem quilômetros de Alexandria, em El Alamein, batalha entre tanques nazistas e as forças do general inglês Montgomery, liquidava com o sonho de Hitler, de através do Egito, ocupando o Canal de Suez, chegar às Índias, aos poços de petróleo do Golfo Pérsico, eliminando assim o poder colonial britânico. Excursões permitem rever os antigos campos de batalhas, fotografar os cemitérios evocativos e os destroços enferrujados dos carros de combate e das peças de artilharia. Agora outro passado.
Em 1952, a Revolução comandada pelo General Nasser, acaba com o reinado de Farouk. Em El-Muntazh, após percorrer mais de 30 quilômetros de praias, partindo do local onde o farol de Alexandria brilhava, chegamos ao antigo palácio real. Magnífico, com seus jardins, ancoradouro e porto onde estava o iate real e a estação de trem particular, que ligava por ferrovia Alexandria ao Cairo.

Mohamed Ali, fundador do Moderno Egito, na praça principal, à cavalo, procura mostrar qual o caminho a seguir: A mesquita moderna de Abu-El-Abbas representa a arte muçulmana atual.

Em 2003, com apoio da UNESCO, a Nova Biblioteca, arquitetura moderna, mais de 250 milhões de dólares de custo, ressurge.
Quase no mesmo local da antiga, totalmente digitalizada, promete ser o novo polo cultural de desenvolvimento, não apenas para o Mundo Árabe, mas para toda a humanidade.
Pela internet podemos acessar antigos manuscritos e mapas; informações diferentes das existentes nos bancos de dados ocidentais. Preciosidades.
Percorrendo as bancas, vendo as exposições, apreciando gravuras, surgem diversas pinturas e desenhos mostrando antigos monumentos, igrejas, a evolução do porto, das fortalezas de proteção. Apresentam antigos hábitos, costumes, roupas e inclusive mais de 16 visualizações, todas diferentes, bem estranhas de como era o famoso Farol de Alexandria.
No futuro, será possível pela construção de museu submarino, dentro da baía de Alexandria, visualizar em águas claras e azuis o Palácio de Cleópatra, com suas estátuas, colunas, jardins e monumentos.
As buscas das equipes francesas, até agora, apenas nos mostram pequenos detalhes, intrigantes, e algumas e poucas maravilhas do Período Ptolomeico.
Na despedida, apreciando as praias procuradas no verão pelos egípcios, nada melhor do que degustar a ataijefi, um tipo de fogaça com queijo e cossa – uma hortaliça -, iguaria recheada com carne de carneiro picada, temperada com ervas e que recorda o gosto do pepino. Uma delícia.

Felipe Daiello
Autor de “As Minhas Ilhas” e
“Onde Estão os Dinossauros?” Editora AGE

Patrocínio:

Compartilhe

20 respostas para “Alexandria – Porto de Contrastes e Encontro de Conquistadores”

  1. Pingback: cialis generic
  2. Pingback: levitra 20mg
  3. Pingback: Buy viagra brand
  4. Pingback: cbd
  5. Pingback: cbd oil for sale
  6. Pingback: buy cialis online
  7. Pingback: viagra for sale
  8. Pingback: buy cialis
  9. Pingback: cheapest ed pills
  10. Pingback: tadalafil 5 mg
  11. Pingback: viagra 100mg
  12. Pingback: best ed pills
  13. Pingback: tadalafil 20 mg

Os comentários estão desativados.