Mercado Chinês em Nova York

Talvez um dos maiores centros comunitários de etnia chinesa na América, seja encontrado em Nova York. Chinatown apresenta arquitetura típica do início do século XX e final do século XIX. Prédios baixos, de tijolos, escadas de ferro externas como proteção contra incêndios. Boas fotos.

Enquanto em Manhattan, blocos de prédios antigos são demolidos, dando lugar a gigantes construídos em aço, concreto e vidro, aqui o passado é preservado. Interessante comparar a arquitetura de épocas tão distantes. Percorrendo as ruelas, multidão falando língua estranha, feições orientais ocupam todo o espaço. Não sei qual o dialeto predominante. Estamos na China?

Os tempos das lutas entre as irmandades criminosas já são passado. Os Tongas, as associações dos anos 1920/1940, são apenas recordadas nos filmes de Hollywood. Os mercados na rua são a atração. Nos subsolos, peixarias oferecem, sem muita higiene, produtos e frutos do mar. Peixes vivos, caranguejos, crustáceos, estão em tanques aguardando o freguês final. A seleção, feita peça a peça, utiliza pinças de madeira como ferramenta de apanha.

Em potes, em salmoura, o que é possível ter saído dos mares é apresentado como delícias a serem apreciadas. A gastronomia chinesa é totalmente diferente da nossa. A filosofia oriental é definitiva. “tudo o que se move pode ser comido”. Além de frutas exóticas, flores de cactos, as verduras são outra atração culinária. Os melhores preços de Nova York estão no bairro. Outras lojas apresentam em recipientes gigantes todos os tipos de raízes. Usadas nas refeições, como temperos, nos remédios e em poções destinadas a manter a virilidade dos homens e o prazer das mulheres, elas ocupam espaço e imaginação. Nunca vi tantas variedades de ginseng.

Tubérculos estranhos, nomes desconhecidos. Remédios e preparados com bulas que não entendo. As perguntas ficam sem respostas. Mistérios das terras do Império do Meio. Doces estranhos, embalagens orientais, rótulos da China, são muitas as tentações. Preços convidativos. Teremos surpresas ao abrir os invólucros? O interessante, no meio da confusão, daquela multidão de mais de 200.000 almas, escondido na Eldridge Street, prédio de estilo mourisco, surge a primeira sinagoga erguida em Nova York por sobreviventes e refugiados das perseguições ma Rússia e Polônia. Imigrantes judeus vindos do leste europeu também passaram por aqui. Agora quase esquecida é outro museu. Contraste em Chinatow!

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘A Viagem dos Bichos’
Editora AGE

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33 respostas para “Mercado Chinês em Nova York”

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