Key West. Refugio de Ernest Hemingway na Florida

Key West. Refúgio de Ernest Hemingway na Florida

Isolada, bem na extremidade dos Estados Unidos, após passar por centenas de ilhotas, pântanos, bancos de corais, unidas por pontes, elevadas e aterros, com mais de 150 Km, encontramos Key West, refúgio de inverno do Prêmio Nobel da Literatura de 1954.

Desde Miami, o percurso vale a pena, entre dois mares, o Caribe e o Golfo do México, as paisagens intercalam-se e deslumbram.

Zona de furacões, de tempestades furiosas, desde a época da colonização espanhola, a região é cenário de naufrágios, de desastres e de destruições frequentes. Aventuras e muita imaginação livre à disposição.

Key West, no entanto, surge como centro de reunião de intelectuais, de artistas e de revolucionários.

Em certo momento, movimento rebelde declarou a independência do local dos Estados Unidos.

Surge a “Conch Republic” que tem dia no calendário para comemoração. O movimento gay é expressivo e as festividades, à noite, enchem os bares e boates. A alegria alcança e ultrapassa a madrugada. Key West é sinônimo de divertimentos esfuziantes, sem barreiras.

Foi em Key West que o grande romancista americano teve a época mais produtiva da sua vida. Alguns sobreviventes da sua época, ainda relatam nos bares, episódios das suas aventuras. O contrabando de bens entre Havana e Key West, a busca de tesouros – antigos naufrágios – perdidos. Expedições escondidas, misteriosas no seu barco “Pilar”, eram intervalos entre as pescarias, uma das razões da sua existência.

“Todos os bons livros se parecem, são mais reais do que se tivessem acontecido.”

Construída em 1851, estilo vitoriano, Papa Hemingway adquire a propriedade em 1931. Pauline, sua segunda esposa, ficará encarregada da decoração. Bem antes, Key West já era local apreciado por Ernest Hemingway para pescarias e para escrever.

O futuro prêmio Nobel, adorava a arte e os esportes náuticos. Nas paredes, além dos quadros, aparece o retrato de Gregório Fuentes, amigo e confidente, que será o capitão e cozinheiro do seu barco de pescar – o Pilar. Em “O Velho e o Mar”, o personagem principal retrata o amigo e confidente por mais de 20 anos.

Após a separação de Pauline, em 1940, Cuba será o seu endereço e Key West apenas o local de passagem nos seus deslocamentos de Cuba para Idaho – USA.

Em Key West ele escreveu: “Death in the Afternoon”, 1932, “ To Have and Have Not”, “Greens Hills of África”, 1937, The Snows of Kilimanjaro, 1938 e onde inicia “For Whon The Bells Tolls”, 1940

Ernest Hemingway nasceu em Chicago em 1899; na sua residência em Oak Park encontramos museu mantido por Fundação que leva o seu nome. Casa, estilo vitoriano, conta as peripécias de jovem de família pobre que adorava os esportes, a pesca e a vida ao ar livre. Desde cedo, além do jornalismo o seu interesse estará focado nas aventuras. O Mundo será o seu planeta.

Como voluntário no Exercito Italiano participa da 1ª Guerra Mundial como motorista de ambulância. Gravemente ferido, durante a recuperação apaixona-se por enfermeira que mais tarde casará com outro pretendente. Fato que marca a sua existência e a sua carne.

“Adeus às Armas” – publicado em 1929 – será a obra que narrará os episódios.

Como jornalista na Europa, patrocinado por Gertudre Stein, em 1926, conhecerá os componentes da chamada Geração Perdida: Scott Fitzgerald, Willian Faulkner, James Joyce, Pablo Picasso…

“Mesmo quando estava entre a multidão, estava sempre sozinho.”

O após guerra o leva a publicar “O Sol também se levanta” – 1926 -, obra que o destaca pela frase perfeita, arte desenvolvida a partir do trabalho jornalístico, no registro de fatos reais e imaginários ou possíveis. Começa a ocupar seu espaço na literatura americana.

“A Obra clássica é um livro que todo mundo admira, mas que ninguém lê.”

Na Espanha apaixona-se pelas touradas; sempre a procura da tourada perfeita, teria assistido a mais de 200 espetáculos. “Morte ao Entardecer” mostra a sua paixão pela luta entre Miuras e o arrojo e a dança do matador. Como correspondente de guerra participa da Guerra Civil Espanhola. Simpático à causa Republicana, não se engaja na brigada Abraham Lincoln que reúne escritores e intelectuais de todo o mundo. Os relatos jornalísticos, extensos, precisavam ser reduzidos, o seu trabalho era mais adequado ao romance. “Por Quem os Sinos Dobram” -1940, representa a sua visão sobre a tragédia espanhola da Guerra Civil.

Como mancha, ao seu currículo, a morte por fuzilamento de colega jornalista. Apesar da falta de evidência à acusação de espionagem, Ernest Hemingway tinha prestígio para evitar outra tragédia. Mas ficou na omissão.

– Se foi acusado é porque é culpado – a desculpa.

“Se você obtém sucesso é sempre pelas razões erradas. Se você se torna popular é sempre pelos piores aspectos do seu trabalho.”

Entre as viagens, coleciona esposas, quatro ao todo; fora os rápidos relacionamentos. Excursões pela África, caçadas e pescarias são momentos de lazer e de retorno as suas raízes da juventude. Famoso, é considerado Ícone Americano na literatura mundial.

“Se duas pessoas se amam, uma a outra, não pode haver final feliz.”

Ernest Hemingway nasceu em época quando Chicago estava na vanguarda tanto na industrialização de carnes e de cereais, como na arquitetura, na produção de alimentos industrializados e no jornalismo. Mas o seu alvo será o mundo que o seu perfil de atleta e aventureiro seguirá sem temores.

“Nunca confunda movimento com ação.”

Na Segunda Guerra Mundial, como correspondente participa nos eventos associados à Invasão da Normandia.

No retorno aos Estados Unidos adquire propriedade em Idaho, local onde, em 1961, cometerá suicídio. Em Ketchum, no seu rancho, podia pescar e caçar, gozando a liberdade de que lhe era tão cara. Hedonista, sincero e fanático.

A pesca embarcada – passava dias no mar – o leva a Havana em Cuba e para Key West onde adquire residência, hoje museu, onde é possível admirar a máquina de escrever utilizada pelo gênio, bem como o seu ambiente de trabalho. Até hoje, os gatos, descendentes dos seus animais de estimação circulam pelo pátio e jardins.

Snowball era o nome do seu primeiro felino, oferta de um capitão de navio. Gato com seis dedos. Osdescendentesde Snowball são atração de visita e consideradospatrimôniocultural de Key West. Ernest Hemingway adorava escrever na companhia de seus gatos.

Programa em Key West é visitar o bar onde Ernest Hemingway passava noitadas alucinantes entre conversas, bebidas, namoros e muita agitação.

Key West entre faróis, praias desertas, relatos de piratas e de tesouros escondidos nas águas azuis do Caribe era ambiente adequado ao brilho e imaginação da mente do escritor.

Sua obra prima – O Velho e o Mar – publicada em 1952 reflete a alma do escritor selvagem e rebelde. Na época, deslocava-se entre Havana e Key West quando, no período dos invernos, Ketchum no distante Idaho era o destino.

Entre fãs, admiradores e curiosos, circulando pelo espaço ocupado pelo escritor em Key West, observando os seus “gatos”, pode-se imaginar a explosão de vida, a necessidade de alcançar os limites possíveis na existência humana. Cada dia era abertura necessária para ocupar o vácuo interno: morte e solidão os temas pesquisados.

Aos poucos sua saúde declina, efeitos de uma vida alucinante, dos acidentes de aviação, das paixões e da bebida. Com pressão alta, depressão, com problemas no fígado, recolhe-se a sua propriedade em Idaho, onde em 1961, suicidou-se usando a sua espingarda de caça. O gênio da narrativa americana escrevia o ultimo capítulo.

“O homem nunca deve se por em posição em que perca o que não se pode dar ao luxo de perder”

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