A Índia de Vasco da Gama. Cochin ou Kochi

A Índia de Vasco da Gama

Vasco da Gama, nome citado por Camões nos versos dos “Lusíadas’, sempre será recordado por essas bandas. O descobridor do Caminho para as Índias, ao contornar o temido Cabo das Tormentas, bem ao sul do Continente Africano, na junção entre dois oceanos, o Índico e o Atlântico, é lenda sempre renovada pelos ventos, pelo marulho incessante das ondas e pelos pensamentos de novos aventureiros.

Numa viagem de hoje, o que Vasco da Gama não teria como surpresas?

Famosa como centro de especiarias, Kochi – nome atual – apresenta além de shoppings exigindo manutenção, casas com típica arquitetura portuguesa e holandesa. Os prédios governamentais expõem o estilo inglês dos últimos conquistadores. Não perca a visita à antiga Bolsa Mundial da venda de pimenta.

Necessário circular por ruelas, avenidas, apinhadas, cruzamento sem semáforos, pelas pontes que cruzam canais e interligam as diversas ilhas para compreender a capital do Estado de Kerala.

O tuk-tuk, taxi-motocicleta, era o meio de transporte. Nosso motorista, audacioso, enfrentava a confusão do tráfego. Lá estávamos no meio de motocicletas, pedestres corajosos e ônibus com pinturas multicoloridas escondendo anos de uso contínuo.

Mão inglesa, rótulas onde não se respeita nada, buzinar é ato de precaução aviso de sair do caminho. Apesar das diversas possibilidades não assistimos a nenhum acidente. Os deuses, múltiplos, estão presentes na loucura de cada dia.

Em vez de vacas, raras, são os cabritos os animais que passeiam livres, abandonados pelas ruas.

Poucos pássaros, a maioria são corvos, estridentes nos voos, sempre procurando roubar o alimento diário.

Na parte antiga de Cochin, as raízes de Portugal surgem. Na Sé da Santa Cruz, uma das primeiras igrejas edificadas, Santo Antonio de Portugal é reverenciado. Aqui ele é o protetor da castidade das donzelas. Os pais, em procissão, pedem apoio do Santo para manter a integridade das filhas, para afastar as tentações.

Ao realizar a sua terceira viagem à Índia, Vasco da Gama morre aqui em 24 de dezembro de 1524. Febres tropicais encerram uma epopéia.

A presença da experiência do desbravador do Caminho das Índias, percurso marítimo nunca antes vencido pela extensão dos mares, era necessária para manter o domínio de Portugal nas terras dos Marajás; local onde as especiarias, a seda e o ouro exigiam nova rota comercial. O antigo vice-rei tivera administração calamitosa, Vasco da Gama substituía Duarte de Menezes.

Lápide mostra o local onde ele foi enterrado e de onde seria mais tarde, em 1539, transladado por seu filho para Portugal. Em 1880, seus despojos serão colocados no Mosteiro dos Jerônimo, para a glória eterna do seu nome e de Portugal.

Réplica de náu “Gabriel” mostra as dificuldades para conquistar novas terras, para tornar o domínio dos Deuses, dos Senhores das Tormentas, em “mar Português”.

A Rota do Atlântico para as Índias será para sempre Gloria da Nação Lusitana. Os versos de Camões e de Fernando Pessoa refletem o orgulho, a coragem e a tenacidade de homens que não dispunham mais do que simples caixotes de madeira para realizar a empreitada.

No palácio holandês, conhecido por Mattancherry Palace, importante pelos murais com cenas da Ramayade, pela memorália dos antigos marajás, potentados que reinaram em Kerala até a independência da Índia em 1947, podemos refletir sobre lutas de Portugal contra a Holanda para manter o conquistado por Vasco da Gama.

No sul da Índia, todas as igrejas, mesmo as modernas seguem padrões das primeiras edificações. Surgem em branco por todos os lados. Oratórios são pontos de reverencia nas encruzilhadas, em pontos remotos; São Jorge, Santo Antonio e até Madre Teresa de Calcutá tem os seus devotos. Velas e colares de flores são depositados para obter os favores necessários à existência adequada dos humanos.

Cochin foi palco de muitas batalhas, de conquistas e de reconquistas. De Goa, base portuguesa, saiam as expedições para enfrentar os inimigos da fé e do comércio.

Em Jew Town, bairro onde colônia judia se estabelecera, a Sinagoga de Paradesi conta a sua história. O bairro e a Sinagoga foram quase todos destruídos por expedição punitiva, vinda de Goa, em 1664.

A moderna cidade localizada na ilha de Ernakulam é base aeronaval, importante porto comercial, sede de estaleiros e de muitas indústrias. Vasco, como homenagem, é nome de um dos locais da proximidade.

O Estado de Kerala é famoso, até hoje, pelos perfumes, pelas essências, pelas terapias orientais, pela Ayurveda, mas ainda apresenta percentual elevado de cristãos em função da evangelização que acompanhou a conquista da Índia.

Mais ao norte, na antiga Goa, encontramos os prédios, os monumentos e templos que pela majestade denominaram Goa como a Roma do Oriente. Na Basílica do Bom Jesus, São Francisco de Xavier aparece exposto em uma urna de cristal e de prata. Local de veneração, mesmo para os indianos.

Em Panjim, a partir do século XVIII, com a decadência do porto de Goa, iremos encontrar a nova sede administrativa da índia Portuguesa. Mesmo com a ação do tempo, alguns locais, pela arquitetura das casas e residências, lembram a Alfama de Lisboa. Local atual de turismo.

Mais ao norte, além das praias de Goa, de Calicut, vamos encontrar “Bom Baía”, porto seguro onde as naves lusitanas aportavam. Agora, depois do auge do Império Britânico, um conglomerado humano aparece, estamos em águas de Mumbai, segunda cidade em população da Índia. O nome de deus local, ligado aos mares, substitui a tradicional designação de Bombay – nome dado pelos ingleses, mas que não apaga o fato de que, por séculos, o pavilhão de Portugal, país minúsculo à época, era o senhor absoluto das terras descobertas pela audácia de Vasco da Gama.

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