Mercado da Ribeira. Flores em Lisboa

Perto do Cais do Sodré, nas ribeirinhas do Tejo, encontramos o típico mercado de Lisboa. Desde 1882, passou de grande distribuidor para atual centro retalhista. Possui também local para atividades culturais; nos domingos é ponto de encontro de fanáticos colecionadores de selos, de moedas e de outros bens.

Local de vendas de flores, de coroas e arranjos destinados a festas como casamentos, aniversário e inaugurações de lojas e escritórios. Os tradicionais legumes e vegetais se fazem presentes; não faltam os vendedores típicos de peixes; sardinhas, linguados, peixe espada, salmões, estão presentes. A modernização de Lisboa, os grandes shoppings estão acabando com as tradições centenárias. O espaço disponível fica vazio, lacunas são visíveis. A cidade, segundo alguns escritores, fundada por Ulisses, mas segundo outros por fenícios antes de Roma, em 205 a. C., trazer suas legiões, perde para o moderno o seu mercado. Lástima!

No entorno, lojas vendem os produtos típicos da região e de Portugal. Licores, doces e confeitos estão disponíveis. Queijos, mel e derivados como biscoitos, os fumeiros — presuntos e assemelhados — podem ser degustados. O tradicional pastel de Belém, oriundo de mosteiros com segredos escondidos por séculos é a tentação do momento.

A Ginja de Óbidos, para aperitivo, foi a escolhida: licor de fruta assemelhada à cereja é degustado em chávena de chocolate que depois, encharcada pelo licor, será engolida com avidez e prazer.

Os doces regionais portugueses são interessantes quando acompanhados de um bom café. Não esqueça, no entanto, que os preços estão em euros.

Nas prateleiras os vinhos do Porto, com variedades na cor, no sabor, no tempo de guarda em carvalho, são enigmas para bocas e bolsos.

Depois, antes de irmos para a parte do comércio em Lisboa, para a Baixa do Chiado, é momento de experimentar um dos pratos locais. Não foi o bacalhau, mas outro prato português, diferente, o escolhido. Um pato assado no forno à lenha, cozimento lento, com molho e rodelas de laranja, estrutura suculenta e não a ressequida e tradicional carcaça, foi escolha oportuna e adequada. Para acompanhamento, por sugestão do dono da tasca, um branco típico português do Alentejo. O casamento foi adequado, a acidez do vinho controlada, a temperatura correta, tudo adaptado à nossa fome e ao molho que acompanhava o prato e o pato bem antes da sua total aniquilação.

Depois era importante tomar o elétrico 28 e efetuar o roteiro tradicional pela Alfama e Mouraria, bairros medievais de Lisboa. Com sorte, dependendo do dia, poderíamos visitar a Feira da Ladra e conhecer o Panteão de Portugal, local onde os notáveis são sepultados.

Para a noite, numa casa de fados, teríamos jantar festivo, onde o bacalhau seria o soberano. Escolher é preciso: filé de bacalhau servido com mousse de batata temperada com erva-doce ao vapor e no óleo de “bottarga”, ou mesmo o prato do dia: bacalhau na brasa, camadas espessas, azeite a vontade, mas não em excesso, batatas novas e pequenas abertas a murro, cebola com casca, pimenta do reino e vinagre. Para o casamento perfeito que tal outro branco do Alentejo, como o Marques de Borba, vinho produzido com castas Arinto, Rabo de Ovelha e Roupeiro, colheita executada pela manhã de maneira a preservar a frescura e os aromas das uvas. Pequenas cestas, para a apanha essencial para não elevar a temperatura e alterar a fermentação. A alternativa seria um Esporão Tinto ou mesmo um Toriga. O sucesso do pato, servido ao meio-dia proteína tenra, suculenta era o desafio a vencer.

Como sobremesa, além da pêra bêbada — cozida no vinho —, do doce da avozinha — leite condensado, natas e cremes — da mijadinha — pudim de caramelo com chantilly e pedaços de abacaxi — qual seria a preferida.

Como digestivo, o Licor Beirão, com 22 % de graduação alcoólica, um destilado de plantas e sementes aromáticas, formula secreta, séculos de mistérios, produzidos na região da Serra de Losã, foi o responsável pelo aumento na intensidade e na freqüência das nossas risadas.

Para recompor a visão da Lisboa anterior ao terremoto de 1 de novembro de 1755 é necessário ir até Salvador na Bahia. Na igreja da Ordem Terceira de São Francisco, no Terreiro de Jesus, painel em azulejo, apresenta a reprodução da antiga cidade vista do Rio Tejo. Os azulejos, produzidos antes da catástrofe, registram para sempre o perfil da antiga Lisboa, cidade devastada pelo desastre e reconstituída pelo Marquês do Pombal, cidade amiga e local do nosso encontro gastronômico.

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7 respostas para “Mercado da Ribeira. Flores em Lisboa”

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