Plymouth. Shakespeare na Nova Inglaterra

Foi aqui, em 1620, que um grupo de pioneiros fundou a primeira povoação que prosperou na América do Norte. O primeiro desembarque teria sido em Cap Cod, onde monumento recorda a aventura. Pequeno brique, 240 toneladas de esperanças, o Mayflower trazia peregrinos em busca de liberdade religiosa e de novas oportunidades para criar um mundo novo. As raízes estavam lançadas.

Muitos morreram, as condições de viagem, a fome, o inverno que estava próximo, tudo conspirava contra a vontade dos britânicos.

O Dia de Ação de Graças onde nunca falta o tradicional peru, relembra o gesto do cacique local – Wampanoag – que enviou um bando de perus selvagens para aplacar a fome e o pesadelo da aniquilação daqueles invasores. Gesto de amizade, entre estranhos,entra para a tradição americana.

Naqueles tempos havia paz e compreensão entre nativos e os brancos invasores. Com o aumento dos estrangeiros que chegavam, os atritos aumentaram e as lutas tornam-se inevitáveis. Muitas tribos foram aniquiladas, muitos nomes nativos apenas permaneceram em ruas, praças, rios, cidades e Estados. Holocausto dos mais fracos.

Massachutts, nome do Estado, recorda passado e população primitiva extinta pela chegada da nova cultura.

A organização Plymouth Plantation é responsável pela manutenção das tradições implantadas. Réplica da povoação, casas de madeira, paliçada protetora, método de trabalho, de lavoura, costumes, roupas e ferramentas tentam mostrar o cotidiano do início do século XVI na Nova Inglaterra.

Entre os legados deixados pelos desbravadores, aparece Shakespeare e suas obras. Os britânicos adoravam os espetáculos; em média cada pessoa adulta assistia dois espetáculos de teatro por ano.

“Os homens de poucas palavras são os melhores.”

O bardo inglês vivenciou os fatos políticos e religiosos que provocaram a Reforma Religiosa. Através do teatro, algo que estava na alma de todo inglês, Shakespeare mostrava o comportamento da sociedade da época, apresentando os indivíduos com a alma exposta pelo seu poder de observação e de análise.

“O diabo pode citar as escrituras quando isso lhe convém.”

Um dos passageiros do Mayflower, Stephen Hopkins, personagem de naufrágio famoso, foi uma das fontes usadas por Shakespeare para a formatação da peça “A Tempestade”.

A ligação contínua forte até hoje, tanto na Nova Inglaterra como nos Estados Unidos. O teatro clássico tem os seus fãs ardorosos. Mesmo as contradições sobre a possibilidade do bardo ter copiado peças de autor incógnito não desmerece o trabalho. A obra é imortal no teatro e no cinema.

“Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.”

Em Plymouth, grupo amador apresenta todos os anos peças escolhidas. Como diferencial, os atores vestidos com as roupas da época, performam os atos, como era tradição no tempo de Shakespeare.

Não há cenários, a interação com o publico é total. No palco reduzido, atores estão misturados com o público.

Como costume, não há presença feminina. Os atores representam de modo alternativo, tanto as figuras femininas como as masculinas. Romeo e Julieta foi a peça possível de assistir naquela noite. Excelente espetáculo. Valeu o desvio. Aplausos. Para os dias seguintes teríamos “Macabeth” e “Sonhos de Uma Noite de Verão”. Shakespeare não escreveu para uma geração, ele deixou relatos para toda a eternidade. Suas palavras continuam envolvendo o nosso sentimento e os nossos pensamentos. Os monólogos, intercalado por diálogos, exigem o máximo dos atores. Puro teatro. O inglês está adaptado a nossa era, apesar de clássico e erudito. Difícil. Mas valeu a pena.

No dia seguinte, tivemos oportunidade de visitar a réplica de Mayflower.

Construído em 1955, usando carvalho inglês e desenhos construtivos da época, a travessia foi feita em 55 dias e com menos tripulantes e passageiros da viagem original. Naquele pequeno espaço, a vida dos 102 aventureiros iniciais foi pesadelo quase mortal. A data de 7 de setembro de 1620 está gravada em pedras, em monumentos por toda a região de Plymouth. Recorda a façanha que originou um Novo Mundo. Novo sistema econômico e político surgia.

Numa ida a Londres, não deixe de visitar o “O Globe”, reconstituição do teatro onde Shakespeare apresentava as suas peças. Vale a viagem e as recordações

“As palavras estão cheias de falsidade ou de arte, o olhar é a linguagem do coração”.

“A mulher é um manjar digno de deuses, quando não o cozinha o diabo.”

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14 respostas para “Plymouth. Shakespeare na Nova Inglaterra”

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