Surpresas no Maine. Terra do poeta americano Henry Longfellow

Os versos de Henry Wadsworth Longfellow, pela simplicidade, pela sonoridade ainda encantam os alunos das escolas americanas. Quem estudou inglês no Brasil, teve oportunidade de encontrar a obra do poeta nascido em Portland – Maine – USA. Quase uma obrigação.

Bem ao norte, na fronteira com o Canadá, ao lado das Províncias Atlânticas, de News Brunswick da Nova Escócia, do Labrador, da Terra Nova, uma terra ligada ao mar se oferece.

Local de faróis solitários, uma infinidade, terra de marinheiros, da caça a baleias, em época não tão distante; pequenos aglomerados de pescadores, casas de madeiras multicoloridas, fotos para exposições, escondidos pelo nevoeiro ou despercebidos em baias minúsculas, surgem sufocadas pelas rochas, defesa contra mar violento, impiedoso e imprevisível.

Maine tem uma costa enrugada; é preciso transpor pontes usar “ferries” para alcançar o objetivo escondido nas fronteiras do mar.

Vindos do Canadá, de News Brunswick – ventos furiosos e chuvas torrenciais como acompanhantes indesejados, cruzando reservas florestais, desertos verdes, nenhuma população, tentavamos fugir dos efeitos colaterais de furacão que assolava a America do Norte. Irene, nome doce da fera, se fazia cada vez mais presente. Um pesadelo.

Woodstock, Bangor pela rota 95, seguindo o rio St John, nosso destino, por estradas secundárias, seria o Parque Nacional da Acádia.

Penobscot Bay, vilarejos, pântanos, enseadas, baias de todas as dimensões, mais vilarejos, barcos de pescadores, pontes de madeira com cobertura de madeira e as tradicionais armadilhas para captura do “Lobster”, o tradicional crustáceo da região.

Diferente da nossa lagosta, imensa, garras de gigante, durante muitos anos era usado apenas como fertilizante. Atualmente é riqueza de toda a região e o prato típico que não será possível recusar. Até hambúrguer é feito com a especialidade, coisa de americano.

Portland, porto importante no passado, apesar de multilado por quatro incêndios, aparece ao final da península. Casas históricas, em tijolos avermelhados, mas escurecidas pelo tempo aparecem. Arquitetura típica Vitoriana. As atrações, as histórias estão ao longo do cais, das tavernas, das histórias ainda contadas por antigos marujos.

Aqui nasceu Longfellow, o poeta do épico “Evangeline”.

Num jantar com Nathaniel Hawthorne, outro escritor de Nova Inglaterra, convidado relata história esquecida. Tentando erradicar a influência francesa do Canadá recém conquistado, as tropas britânicas expulsam os colonos franceses da Acádia – atual Nova Escócia. Era 1755 no Canadá.

No dia do casamento, jovem casal é separado. Começa a busca por Evangeline do noivo perdido. Gabriel, o amor impossível, segundo alguns só será encontrado no dia da sua morte. Outros dizem que a busca só terminou, infrutífera, na morte de Evangelina.

Foi um verdadeiro holocausto, milhares de famílias deslocadas das suas terras, casas e lavouras queimadas, substituídos depois por colonos escoceses de fé protestante e fala inglesa. Desde 1605, após a descoberta do Canadá por Champlain, colonos de francesa haviam construído um paraíso: a Acádia Francesa.

Como turista é possível seguir a trilha do “Le Grand Dérangement”. Pelo Canadá Atlântico e mesmo na atual Lousiana, para onde muitos acadianos foram deslocados e onde construíram a cultura “Cajun” de New Orleans. Por isso se fala um francês antigo naquela região. Ali existe um carvalho onde a lenda diz que Evangelina chorava aguardando a volta do seu Gabriel. Lenda ou relato, são fatos de amores impossíveis, fazem e trazem lágrimas escondidas. Não há como não se emocionar. É o carvalho mais fotografado do Mundo

“Julgamos a nós mesmo pelo que nos sentimos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos.”-frase do escritor.

“O amor espanta o frio melhor do que qualquer manta”.

Nathaniel Hawthorne não se interessou pela ideia para elaborar um romance, mas Longfellow aceitou o desafio. Após pesquisas do evento de 1758, sem se preocupar muito com detalhes históricos, a sonoridade dos versos, mesmo com a crítica literária contra a quebra de regras clássicas, ganha a preferência popular. As edições se esgotam. Uma lenda ressurge. O poeta apenas se preocupou pelo drama de dois personagens cujo amor foi destruído pela guerra. Para ele era importante a beleza das palavras e não o acadecimismo dos versos. Evangelina foi publicado em 1847, e depois tivemos Hiawatha (1855) e Miles Standish (1859).

Pena que a casa do poeta foi demolida em 1955, mas a parte de Portland histórica permite mostrar visão adequada da vida do poeta.

“No caráter, na conduta, no estilo, em todas as coisas, a simplicidade é a suprema virtude.”- afirma Longfellow nos seus versos.

A Day Of Sunshine. (Birds Of Passage. Flight The Second)

O gift of God! O perfect day:
Whereon shall no man work, but play;
Whereon it is enough for me,
Not to be doing, but to be!

Through every fibre of my brain,
Through every nerve, through every vein,
I feel the electric thrill, the touch
Of life, that seems almost too much.

I hear the wind among the trees
Playing celestial symphonies;
I see the branches downward bent,
Like keys of some great instrument.

And over me unrolls on high
The splendid scenery of the sky,
Where though a sapphire sea the sun
Sails like a golden galleon,

Towards yonder cloud-land in the West,
Towards yonder Islands of the Blest,
Whose steep sierra far uplifts
Its craggy summits white with drifts.

Blow, winds! and waft through all the rooms
The snow-flakes of the cherry-blooms!
Blow, winds! and bend within my reach
The fiery blossoms of the peach!

O Life and Love! O happy throng
Of thoughts, whose only speech is song!
O heart of man! canst thou not be
Blithe as the air is, and as free?

Henry Wadsworth Longfellow

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16 respostas para “Surpresas no Maine. Terra do poeta americano Henry Longfellow”

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