Simões Lopes Neto. Semana Literária do GNU

João Simões Lopes Neto, escritor da alma gaúcha, merece homenagem. Em 2014 comemoramos o centenário do seu livro “Casos de Romualdo”, oportunidade para trazer para a nova geração dados do criador da “Lenda do Negrinho do Pastoreio”, da “Salamanca do Jarau” e da “M’boitatá”.

“Bezerro alado? Furna guardado por cordeiro mítico? Tropa silenciosa parindo crias estranhas”.

Ser escritor na cidade de Pelotas, onde nasceu em 1865, nos anos de 1860 a 1890, significava ter prestígio, embora insuficiente para sobrevivência de um homem com família. Como redator de jornal, mal remunerado, o Capitão João Simões está condicionado aos episódios ocorridos em Pelotas durante os últimos anos do Império e de Dom Pedro II.

Filho de tradicional família pelotense, com raízes nos Açores, viveu numa cidade próspera com suas 50 charqueadas. Ambicioso, após estudar no Rio de Janeiro, envolveu-se numa série de negócios. Instalou fábrica de vidros e uma destilaria. A Revolução Federalista de 1893 abalou os seus negócios. Mais tarde, uma fábrica de cigarros, marca Diabo, provocou protestos da Igreja. Sua tenacidade não para, entra no ramo da torrefação de café e na produção de produtos farmacêuticos para o gado, até mineradora dedicada à exploração de prata faz parte dos seus interesses. Mas Simões Lopes Neto, vai sobreviver, empobrecido como jornalista. Casado, não tendo filhos, falece em Pelotas em 1916.

Apenas quatro livros foram publicados quando em vida:

Cancioneiro Guasca (1910)

Contos Gauchescos (1912)

Lendas do Sul (1913)

Casos do Romualdo (1914)

Obras inéditas, parte perdida, foi publicado em 1955, incompleta foi denominada de “Terra Gaúcha”.

Segundo familiares, teria sido Maçom, o que explica alguns trechos enigmáticos da sua obra.

No dia 22 de outubro, abrindo a Semana Literária, a professora Hilda Simões Lopes, apresentará trabalho sobre a obra e a vida do nosso escritor. O convite está lançado: 4º feira – 19:30h na João Obino 300 (Sede do Grêmio Náutico União Alto Petrópolis), entrada franca para os amantes da literatura. Teremos ambiente musical e coquetel, além da exposição de painéis sobre a obra e a vida do nosso escritor.

Na sua atividade jornalística ele já exercitava a criatividade com estilo irônico e satírico. Usava pseudônimos como: João Ripouco, Serafim Bemol, João do Sul, Rimuito, Rimaduro e outros como Riforte e Risempre.

Sua casa em Pelotas, hoje museu, possui acervo que precisa ser conhecido e divulgado:

Patrício, apresento-te Blau, o vaqueano.

“Fazia-me ele, a impressão de um perene tarumã verdejante, rijo para o machado e para o raio, e abrigando dentro do tronco cernoso enxames de abelhas, nos galhos ninho de pombas”.

Blau, o guasca dos pampas é personagem típico da nossa nacionalidade como gaúchos.

Alma forte, coração sereno! Vai

Blau, o guasca,

apeou-se, maneou o flete e por de

seguro ainda pelo cabresto

prendeu-o a um galho de cambiú

que verga sem quebrar-se;

rodou as esporas para o peito do pé,

aprimou de bom jeito o facão;

santigou-se, e seguiu…

Não perca a oportunidade para redescobrir João Simões Lopes Neto

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