Mercado dos Lavradores – Ilha da Madeira

Mercado dos Lavradores. Ilha da Madeira

Do mar, o perfil audacioso, vulcânico da Ilha da Madeira, demonstra o orgulho do seu povo e das suas tradições. Distante mais de 1.000 quilômetros de Portugal, a partir de 1419 começa, com a chegada dos primeiros desbravadores, a formação do caráter peculiar do ilhéu da Ilha da Madeira. Com chuvas adequadas, solo difícil de arar, mas fértil, temperaturas subtropicais, sem inverno, é considerada uma pérola no Atlântico Norte. Bem diferente das Canárias, onde os efeitos do vulcanismo recente são visíveis, a ilha é um paraíso de cores, de sabores, de enigmas e de desafios, tanto na culinária como nos vinhos produzidos.

Bem no centro da capital, em Funchal, na parte antiga, com ruas estreitas, sinuosas, prédios vetustos e nomes perdidos no tempo, o Mercado dos Lavradores nos dá as boas vindas. A rua do Bispo, a viela do Gago, a rua das Pretas, o beco dos Ferreiros, a rua do Seminário, são placas a seguir. Encontra-se de tudo no prédio onde azulejos, com cenas associadas ao comércio, são decorações. Começamos nas bancas dos pescadores: sardinhas, peixe espadas, lulas, mariscos aparecem. Peixe tradicional, de águas profundas parecendo uma barracuda, pele preta, quando preparado mostra carne branca e de sabor adequado; é o coadjuvante nos pratos oferecidos pelos restaurantes próximos. Atendentes, em trajes típicos, tentam atrair os clientes.

Na parte central do mercado, algumas bancas vendem antiguidades; no pavimento superior, além de artigos de vimes, dos legumes e das verduras, onde couves e nabos predominam, alcançamos o setor de frutas. Muitas espécies foram trazidas da África, da Ásia e mesmo da América. Em solo vulcânico, temperaturas propícias, prosperam. Os vendedores, solícitos, oferecem amostras de maracujás, de mangas, de figos, de pistaches, de nozes, de castanhas, de tangerinas e até de laranjas. As variedades dos maracujás, mais de quatro possibilidades, impressionam pela diversidade, pelo desconhecido dos gostos. Os figos da Ilha da Madeira menores, sementes minúsculas ou ausentes, quando secos, são mais atraentes do que os provenientes da Turquia. Outras frutas secas, 25 euros o quilo, estão disponíveis: papaias, abacaxis, pomelos, cerejas.

Como digestivo ou para aperitivos o vinho da Madeira, também é oferecido aos clientes. A oxidação, o calor, o movimento são bem aceitos e até exigidos para obter boa qualidade de um vinho Madeira. O transporte das barricas nos porões dos antigos veleiros era a solução para ter boa qualidade.

Após a inspeção, de rotina, pelo mercado, para descobrir a alma da ilha, nada melhor do que uma refeição rápida numa das tascas da redondeza. Tente a indicação do dia: caldo de frango, cozido da casa, fileto de espada grelhada, perna de frango afogado no molho de vinho. Para acompanhar eles recomendam um vinho branco local que agora não pode mais ser servido se não for engarrafado. A tradição de tirar direto da barrica o sangue de Baco, apenas pelo interior ou em estalagens familiares será possível encontrar.

“Outra refeição típica,” o “panelo”, é uma variedade da culinária portuguesa, um cozido, feita com a carne existente no momento e com os legumes e batatas disponíveis. É a sopa do pobre.

O aguardente, misturado com frutas ou ervas aromáticas aqui é conhecido por Poncho. Não são fortes, mas tem excesso de açucares. Como sobremesa, biscoito ou bolos de mel são possibilidades.

Dispondo de tempo, com mais recursos, o prato de bacalhau grelhado, camada dupla, nadando no azeite, com batatas companheiras é a tentação impossível de vencer. O pão que o diabo amassou pode ser evitado, mas o bacalhau não dá para resistir. Por sugestão do garçom, um vinho tranquilo, versão mais econômica, branco, proveniente da casta Verdelho, cor cítrica, límpido, provocou na boca, bom equilíbrio, frescura adequada, estrutura intensa e boa persistência. A fome ajudou bastante para o casamento adequado de nossa refeição.

Para o final nada melhor do que um Madeira Doce, jovem, com gelo e rodelas de limão, onde a casta Tinta Negra predomina; outra sugestão adequada do nosso atendente.

Depois da euforia, momento de verificar os bordados feitos à mão, tradição de séculos, de bisbilhotar o pequeno comércio e mesmo de tentar comprar aquela lembrança, feita em ouro de lei dentro do velho padrão português, artigo de 19.25 quilates. Agora é preciso sorte na compra para ter um final feliz.

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