James Joyce e a sua Irlanda. Ulisses em Dublin

Circular pela zona boêmia de Dublin, pular de pub em pub, caneca de cerveja bem a mão, compartilhar a alegria contagiante, a música que anima o coração e estimula o corpo, as tradições centenárias de Irlanda tão sofrida. À noite, à medida que os lampiões ganham vida, o Temple Bar é o destino dos nossos passos. A Guiness é o farol.

Durante o dia, como curioso, percorra as galerias de arte, os ateliês de novos artistas, os mercados do povo, examine o artesanato e visite as casas dos escritores famosos de Dublin. A casa de James Joyce, local onde o escritor criou relatos é parada obrigatória. Não exagere para não chegar cansado, quando a noite chega, ao local de mais eventos e de fatos que ocupam livros famosos como “Ulisses”. Um dia na vida de Stephens Dedalus, de Leopold e Molly Bloom

“Os erros são as portas das descobertas”.

Persiga as ruas estreitas, medievais no bairro antigo, tendo o rio Liffey e suas pontes como limites. Não perca o Guiness Storehouse, conheça a importância da família cervejeira, as suas lembranças, os segredos da fabricação da “escura irlandesa”, o significado da expressão “Guiness Records” e no final alcance o bar rotatório do último andar. Lá no alto, ”pint” na mão, a visão da cidade surge em 360º.

“As ações dos homens são os melhores intérpretes dos seus pensamentos”.

Construções baixas, estilo eduardiano, predominam. As portas das casas, multicoloridas, são lembranças para guardar nas fotos. Nas galerias de arte encontramos coleções fantásticas.

“A irresponsabilidade faz parte do prazer na arte, é a parte que os acadêmicos não sabem reconhecer”.

Tenha tempo para ouvir os músicos de rua, os malabaristas e as estátuas-vivas. Guarde algumas moedas para eles. Andarilhos, com suas canções, mímicas e apresentações precisam do nosso apoio para sobreviver. A vida não é fácil por aqui. Ainda mais depois de recessão instalada e da falta de liquidez dos mercados.

“Tudo é caro demais quando não é necessário”.

Prédios históricos como a Aduana, o Castelo, a Capela Real, o Trinity College, possuem ainda os seus mistérios e fantasmas. Igrejas na pedra escura, monumentos cinzas na paisagem, a Catedral de Saint Patrick sinaliza o local das primeiras conversões. Áreas verdes, jardins e parques floridos no verão e primavera, apresentam Dublin da época de James Joyce.

“Não se pode comer o bolo e continuar a tê-lo”.

No setor pietonável da velha Dublin, medieval até o Temple Bar, encontramos os passos e os relatos de James Joyce.

“Deus fez o alimento, o diabo acrescentou o tempero”.

Nascido em Dublin, em 2 de fevereiro de 1882, o romancista, contista e poeta, apesar de viver fora da Irlanda por muitos anos, tem nessa cidade as suas raízes, a sua inspiração. A sua aldeia é vital na caracterização dos personagens, dos ambientes, das falas e das ideias.

Gente de Dublin, contos de 1914 e Ulisses de 1922, podem ser seguidos no roteiro turístico; em algumas páginas percorremos as mesmas ruas, as mesmas casas e imaginamos e vivemos os personagens. Dublin é marca indelével na vertente literária de James Joyce.

Numa rua central, tráfego limitado, encontramos monumento em bronze que marca a sua presença. Obrigação: tirar foto e colocar no facebook.

“Eu escrevo sempre sobre Dublin, porque conhecendo o seu coração, posso alcançar o coração de qualquer cidade do mundo”.

Apesar das polêmicas, seus escritos são dissecados, página a página, entre as vírgulas e os pontos. Oficinas, aulas de literatura, seminários, procuram explicar e compreender a personalidade difícil de James Joyce.

Visitar o Centro James Joyce na George’s Street, 35 North, é encontrar a memória do autor. Apesar de não ter morado na residência, ali viveu personagem que ele transfere para’ Ulisses’, com detalhes dos trajes, das botas e dos acessórios e até mesmo da culinária.

“Ninguém presta à sua geração maior serviço do que aquele que, seja pela sua arte, seja pela sua existência, proporciona-lhe a dádiva de uma certeza”.

De pais católicos, estuda medicina em Paris, mas abandona o curso para lecionar inglês e literatura. Circula pela Suíça, por Trieste; retorna para a França antes da invasão nazista em 1940. Zurich é o local para onde foge e onde falece, em 1941.

Seu último livro, “Finnegan’s Wake”, publicado em 1939 é o resultado de 17 anos de pesquisas. Samuel Becket teria tido influência na execução da obra.

“Vença-me. Seduza-me. Fique comigo. Ah, faça-me sofrer”.

Sua escrita é difícil, desafio ao leitor, mas consegue, por outro lado, fãs que adoram as dificuldades colocadas, charadas em texto pesado, denso para muitos, obscenidades para tantos.

“Masturbação! É impressionante como ela está sempre à nossa mão”.

O certo é que a Irlanda não obteve outro prêmio Nobel; possui quatro, mas lança ao mundo outra obra-prima: ‘Ulisses’, onde incorpora fluxo de consciência e teorias freudianas na análise do comportamento sexual dos personagens. Livro proibido até 1936 no Reino Unido e nos Estados Unidos.

“Ela hesita em meio a fragrâncias, músicas, tentações. Ela o conduz para os degraus, atraindo-o pelo odor dos sovacos, o viço dos olhos pintados, o frufru da sua camisola em cujas pregas se enrosca o fartum leonino de todos os brutos e machos que a possuíram”.

Ulisses/JamesJoyce/Dublin

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11 respostas para “James Joyce e a sua Irlanda. Ulisses em Dublin”

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