Southampton de Jane Austen

Ao visitar Southampton, porto ao sul da Inglaterra, atualmente o maior terminal de passageiros da Europa, encontramos instalações modernas ao lado da cidade medieval com suas muralhas e fortificações. Quantas histórias e relatos elas poderiam contar.

Hampshire é região interessante, com colinas verdes, mansões e casas antigas; cheias de tradições e relatos. História pura.

Elo no comércio de vinhos com Bordeaux, porto militar de Elisabeth I, saída de Mayflower, para início da colonização da Nova Inglaterra. Southampton sempre ligada a história naval inglesa. Circular pelas antigas fortificações, visitar os mercados, os memoriais do Titanic, outra recordação de tragédia aqui iniciada, nos obriga a refletir.

As igrejas destruídas durante a blitz de Luftwaffe durante 1940, agora reconstruídas, tudo nos recorda as épocas dos Tudors; construções típicas ainda persistem: os bares, os “pubs”, os restaurantes, as estalagens, todos são testemunhos prontos a falar.

Southampton abrigou huguenotes franceses, fé protestante, após o massacre da noite de São Bartolomeu. Artesões especializados na arte da tecelagem trouxeram conhecimentos e prosperidade para a Inglaterra.

Após a derrota da Invencível Armada da Espanha, em 1588, a Inglaterra de Elisabeth I aumenta a sua influência sobre os mares do mundo. Após as guerras contra a Holanda, outra potência naval, a partir de 1680 será a única soberana dos mares. Southampton junto a Plymouth, os portos de referência.

Nelson usou esses portos como base, inclusive a nave capitânea Victory, utilizada na batalha de Trafalgar, está ancorada no porto vizinho de Portsmouth.

A capacidade da artilharia inglesa, reduzindo o tempo de carga e disparo dos canhões dava imenso poder de fogo às suas belonaves. Algo que faria a diferença nos momentos de combate. Uma fragata com 40 canhões poderia enfrentar navio maior e vencer, mesmo tendo menor poder de fogo.

Foi nesse ambiente de tantas histórias que a escritora inglesa Jane Austen viveu anos importantes. De 1806 até1809, ela mora em Southampton; aqui ela preparou matérias que seriam publicadas como novelas nos jornais; o museu local traz referências da escritora.

“O negócio pode trazer dinheiro, mas a amizade raramente o faz”.

A novelista inglesa, dentro da ficção romântica é considerada uma das mais lidas e veneradas até hoje na Inglaterra. “Emma” em 1816 e “Persuasion”, obra póstuma de 1818, são discutidas até hoje no meio literário.

Jane Austen teria recebido apenas uma proposta de casamento, que aceita numa noite, foi rejeitada no dia seguinte. Ela mesma confessou que aquele casamento seria um grande engano da sua parte.

“Na nossa sociedade machista, a jovem solteira deve procurar logo e rápido um esposo”. Southampton e arredores ainda apresentam os locais onde ela viveu, passeou e conviveu com uma sociedade que usava as igrejas tanto para rezar como para encontros sociais.

“Muitas vezes perdemos a possibilidade da felicidade de tanto nos prepararmos para recebê-la. Porque então não agarrá-la toda de uma vez”.

Na sua primeira novela, “Sense and Sensibilitiy”, em 1811, a escritora descreve com amarga ironia a vida das mulheres na sociedade da época. A felicidade feminina dependia de um bom casamento, de modo a garantir o seu futuro e o da sua família. “Metade do mundo não consegue compreender os prazeres na outra metade”.

Com realismo humor e sátira apresentava mulheres solteiras em famílias de poucos recursos ou nenhum dinheiro para sobreviver ou mesmo para ter vida digna. Seu texto apresenta mais diálogos do que descrições, dando a cada personagem característica e falas próprias.

Em 1813 “Pride and Prejudice” – Orgulho e Preconceito- lança o livro que mais tarde, bem mais tarde, tanto o cinema como os seriados da B.B.C., trarão o seu nome de novo para a evidência.

Emma Thompson ganhou o Oscar pelo script do filme inglês, baseado no livro “Sense and Sensibility”, por pouco não levou também o Oscar pelo seu desempenho como atriz principal.

“Não quero que as pessoas sejam muito gentis, pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas”.

Jane Austen falece em 1817, em Chawton, de causas desconhecidas, aos 41 anos, deixando muitas dúvidas e interrogações sem respostas. Mas hoje, mais do que nunca nos países de língua inglesa ainda é lida e respeitada, talvez por frases como:

“É do conhecimento de todos, verdade universal; que homem solteiro, na posse de boa fortuna, deve estar à procura de esposa”.

“Orgulho e Preconceito”.

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