“Vermelho é o meu nome”. A Istambul de Orhan Pamuk

Passam os anos, mas o brilho e o fascínio da cidade permanecem. Bizâncio, Constantinopla, antigos nomes, Istambul agora para sempre. Governantes passaram, impérios desapareceram, mas a Roma do Oriente ainda cativa o forasteiro que aqui chega. Posição estratégica, ancoradouro e porto magníficos. “Istambul é elo importante entre Ocidente e Oriente”.

‘ Os assasinos não surgem entre os descrentes , mas entre os que crêem demais . ‘

Quem domina o Corno Dourado é o senhor dos caminhos do Bósforo. As embarcações russas e ucranianas vindas do Mar Negro são vassalas do Senhor de Istambul.

Muitas vezes aqui cheguei; agora de navio tenho visão 360º de toda a cidade, dentro da baía, entre a Ásia e Europa, sou o senhor das fotos e imagens.

‘ Na realidade ninguém sabe que está vivendo o momento mais feliz da sua vida enquanto o vive.’

Mais moderna, com prédios imensos, 17 milhões de pessoas ocupam os espaços; a melhor vista de Istambul está à disposição. Os palácios, as mesquitas, seus minaretes, as antigas muralhas protetoras, defesas contra invasores vindos do mar aparecem com todo o resplendor.

Dezenas de embarcações, cruzando todas as direções, ferries transportando pessoas e veículos. A ponte do Bósforo, iluminada à noite, cores alternantes, dá as boas vindas. Túnel inaugurado em 2014 permite ligação direta entre Ocidente e Oriente, o tráfego é intenso ,caótico em certas horas.

‘ Não é o conteúdo, mas sim a forma de pensar que importa . ‘

A Hagia Sofia, com sua cúpula símbolo, agora museu, briga por espaço com a Mesquita Azul. O Grão Baazar, desde 1453 atrai clientes com os seus artigos de couro com toque de seda e as bolsas em tecidos Kilin entre tantas atrações.

‘ Um dia li um livro e toda a minha vida mudou . ‘

A cidade de Orham Pamuk tem muito para apresentar. O autor de “Meu Nome é Vermelho”, de “Casa do Silêncio” e de “Memórias e a Cidade”, recebeu o Nobel de Literatura em 2006. Nascido em família rica, berço de ouro, como se fala por aqui, Pamuk escreve sobre o encontro de duas culturas, analisa a visão ocidental quando se depara com os mistérios e o lado asiático do mundo em que vive.

“O amor é um sagrado segredo”

De Karakoy, onde aportam os navios de cruzeiros, podemos caminhar até a Ponte Galata, depois trem elevado nos leva ao terminal de antigo bonde, condução adequada, turística, tradicional, que nos leva à Praça Taksin; centro político, popular de Istambul. A alma da cidade.

“Podem dizer o que quiserem, mas o fato mais importante na vida é ser feliz”.

Do alto do Hotel Marriot, do restaurante e mesmo do bar, temos uma das melhores visões da cidade. No entardecer temos excelentes fotos, quando as luzes trazem cores e vida diferentes, tudo muda, com sorte uma lua cheia é presente inesperado.

“O amor é a capacidade de tornar visível o invisível , o eterno desejo de sentir o invisível em nós próprios”.

Da Praça Taksin, pelas transversais, multidão lá embaixo ocupa espaços, as lojas, os mercados, os restaurantes, os cafés e os deliciosos doces turcos, fazem convite. Aceite-os.

O Palácio Topkapi, com sua coleção de joias, esmeraldas nunca vistas, o berço de ouro do filho do Sultão, o harém, os relatos dos eunucos, as brigas pela sucessão, as intrigas palacianas, forneceram matérias para os escritos de Pamuk. A cada visita, novos mistérios aparecem.

“Eu preciso da dor da solidão para fazer a minha imaginação trabalhar”.

Foi o General Attaturk que em 1926, numa revolução, modernizou a Turquia. Tirou o poder dos imãs e deu voto para as mulheres. As burcas foram proibidas, as roupas ocidentais introduzidas , novos costumes alteravam séculos de atrasos impostos pelo Império Otomano. Agora, devido à expansão do fundamentalismo muçulmano, com a chegada de refugiados da Síria, do Iraque, com a propaganda radical, com as bolsas burkas fornecidas pelos países árabes produtores de petróleo, como Qatar e a Arábia Saudita, uma volta ao passado é visível e preocupante, o que deixa os ocidentais de cabelo em pé.

“A primeira coisa que eu aprendi na escola é que algumas pessoas são idiotas, a segunda que aprendi é que as outras são piores”.

Para conhecer melhor a cidade de Orhan Pamuk, o que despertou a sua curiosidade, reconhecer os detalhes descritos, o que acelerou a sua caneta e inspiração, podemos utilizar o Big Bus Istambul; são dois trajetos possíveis. Como alternativa, efetuar o tradicional passeio fluvial pelo Bósforo, vendo os palacetes construídos ao longo do bairro Dolmabahçe; valem fortunas pela localização, depois alcançar a fortaleza Rumeli, construída para bloquear o acesso de Constantinopla durante o sítio pelos turcos, modo de impedir a chegada de suprimentos vindos do Mar Negro.

“Eu não quero ser uma árvore, quero ser o seu significado”.

O antigo hipódromo, o obelisco egípcio lembra os gritos de vitória. Nika! Nika! Nika!

Era o berro dos fanáticos pelas corridas de bigas. O esporte de Constantinopla.

“A minha infelicidade protege-me da vida”.

Museus são muitos, o acervo greco-romano é fantástico, depois a arte e a cultura otomana estão preparadas para nos surpreender. Desde a queda de Constantinopla, em 1453, até o final da 1ª Guerra Mundial, o Império Otomano, com seus sultões e haréns, dominou grande parte do mundo.

“O que tem sido venerado como estilo, não é nada mais do que uma imperfeição ou falha que revelou a mão culpada”.

Percorrendo as ruas, no meio dos transeuntes, observando as vitrines, vendo os hábitos dos locais, os doces e os cafés nos atraem. Usando o mel, as nozes, as castanhas, o pistache, as tâmaras são componentes dos exageros que não podemos evitar. Os folhados, os enrolados, onde predominam o açúcar do mel, como calorias amigas são companheiras para o café recuperador. Momento de relaxar.

“A pintura ensinou a literatura a descrever”.

Pena que fanáticos religiosos, extremistas, queiram restabelecer antigos costumes. A cultura ocidental é pecado. Os infiéis devem ser convertidos pela espada ou pela palavra. Matéria para Pamuk.

Haran! Haran! Haran!

“O escritor é alguém que gasta anos, pacientemente, tentando descobrir o segundo ser dentro dele, é uma pessoa que se fecha a si própria num quarto, senta-se a uma mesa e sozinha, volta-se para dentro; por entre as suas sombras, ele constrói um novo mundo com palavras”.

Orhan Pamuk/ Istambul.

‘ Recordar é saber o que se viu .Saber é recordar o que se viu .Ver é saber sem recordar .’

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