A Praga de Franz Kafka

O termo “Kafkaniano” surgiu em 1947, bem depois da morte do escritor, que nos seus livros apresenta a realidade dos pesadelos que ocorreriam em futuros regimes totalitários, como o de Stalin, onde seríamos condenados sem culpa formada, julgados sem defesa, acusados por desconhecidos, defendidos por ninguém.

Em reportagem no New York Magazine, Arthur Koestler utiliza o vocábulo para descrever as depurações feitas por Stalin entre 1936 e 1938, maneira encontrada para eliminar antigos companheiros; bolcheviques contrários às suas ideias. O termo kafkaniano é então incorporado ao Oxford Dictionary.

Praga, onde Kafka nasceu, em 1883, é a cidade onde ele irá desenvolver os seus pensamentos e liberar a sua imaginação. Apesar das raízes judaicas, estava assimilado à cultura germânica que envolvia a cidade. Escrevia em alemão e nunca na linguagem local, pois a formação germânica representava a elite da Europa na sua época.

Seu pai, rígido, austero, com sucesso nos negócios, representava algo que Kafka nunca conseguiria imitar. Impossível a superação. A comunidade judaica, confinada em guetos, não tinha muitas possibilidades ou futuro, mas Kafka consegue sair daquela prisão, inclusive tem a possibilidade de morar em residência própria nas proximidades do Castelo de Praga, a sede do poder e da riqueza do país.

Praga, cidade moderna, reunia nos seus teatros, galerias de arte, museus, a elite da Checoslováquia; com pontes magníficas cruzando o rio Moldava, era e é ainda é uma Cidade Monumento que exige ser palmilhada e conhecida pelo curioso que chega.

A personalidade forte do pai era excessiva para Kafka, o que explica muito das suas ideias, do seu comportamento como homem, incapaz de seguir as trilhas do sucesso do seu progenitor.

“Minha mãe era mais acessível”.

Kafka nunca foi escritor de tempo integral, ocupava posições em negócios que ele executava de modo automático e sem muita convicção.

“Sempre fui um descontente, mesmo quando contente”.

A personalidade forte do pai nunca incentivou a capacidade de escritor do filho. Apesar de alto, boa aparência, atraindo a atenção do sexo feminino, gastava boa parte da sua energia escrevendo cartas, sem manter relações estáveis com mulheres. Cinco anos de correspondência para Felice Bauer explicam as razões que o impediam de casar:

‘A distância para os meus companheiros masculinos sempre foi grande demais para mim.”

Os seus diários são interessante fonte de pesquisa para compreender aquela alma insegura, atormentada por pesadelos e contradições milenares. A cultura judaica começava a despontar em Praga no início do século XX.

Seu estilo, poucas palavras, fingia ou estava proibido de utilizar a pleno todo o prazer da linguagem e o sabor das palavras.

“Não deixe que o Diabo faça você acreditar que terá segredos para ele”.

Ao contrário de Leo Tolstoy, de Dostoievsky, de Stendhal e George Eliot, Kafka não é organizado em grandes matérias. Ele termina o artigo quando pensa não haver mais razão para continuar.

O Julgamento (1913) e Cartas para meu pai (1919) são as suas primeiras histórias curtas.

O escritor fez sua vida muito mais difícil do que o necessário, recusando práticas e métodos de organização econômica ou doméstica. Enfrentava demônios desnecessários, demônios que só ele via ou criava.

Algo para nós, kafkaniano.

“Culpa é para nunca ser posta em dúvida”.

Muitos dos seus escritos, publicados depois sua morte, são apresentados em sequência ou cronologia diferente do que Kafka pensava ao escrever. O que torna mais difícil ainda a compreensão total do que o autor pensava durante as suas transformações desde criança até a juventude e a maturidade.

Após sua morte em 1924 ,por tuberculose aos 40 anos, foi enterrado em Praga, cidade onde viveu os conflitos que desenvolveram o seu estilo e a sua escrita.Seu túmulo é ponto obrigatório de visita . Depois poderemos descobrir os prazeres de Praga .

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