A Rouen de Gustave Flaubert

O escritor francês, conhecido pelas obras “Madame Bovary” e “Salambô”, nasceu em Rouen em 1821.

Gustave Flaubert marcou a literatura francesa pela análise psicológica aplicada aos personagens os seus livros. O que vai chocar as mentes da sua época.

Visitar a sua antiga residência, agora mais um museu em Rouen, permite descobrir alguns dos seus segredos. Rouen será o palco das páginas e o roteiro de Madame Bovary.

“Um coração é riqueza que não se vende e não se compra, dá-se”.

Nascido em família de classe média, com raízes religiosas, tanto católicas como protestantes, desde cedo se interessou pelo teatro e pela literatura.

Por influência do pai, foi estudar direito em Paris, no entanto a vida boêmia o atraiu com mais intensidade. Pressionado, sofre de crises nervosas, o que o impede de continuar os estudos.

Viagem ao oriente, pelos anos de 1849 e 1852, o leva até Jerusalém, aoEgito e Constantinopla. O livro “Salambô”, que se passa na antiga Cartago, pode ter suas origens nessas viagens.

Meticuloso, sempre em busca da palavra perfeita, levava anos até concluir a sua obra. Em média cinco anos.

“Tenha cuidado com a tristeza. É um vício”.

Procurava ser metódico e organizado como os burgueses do seu tempo, para depois ser violento e original nos seus livros eescritos.

“O estilo está nas palavras e dentro delas. É igualmente a alma e a cerne de uma obra”.

Como foco, nos seus trabalhos, o comportamento social dos personagens é o que o atrai.

Como perfeccionista, construía histórias com extremo realismo. O que vai chocar a sociedade, quando aborda em 1857, em Madame Bovary, os temas do adultério e do suicídio. A obra causou tumultos e grandes escândalos na sociedade da sua época, mas que o projeta como representante francês no Realismo Literário após julgamentos por pornografia. Sucesso imediato no primeiro livro. A cobertura dos jornais foi fundamental.

Foram cinco anos até concluir o seu primeiro e mais famoso romance.

“A culpa é da fatalidade”.

No final da sua vida, com grandes dificuldades financeiras, possivelmente de acidente vascular cerebral, falece em 1880.

As tentações de Santo Antão, de 1874, é a sua última obra no romance.

No teatro, em 1880, apresenta: “O Castelo de Corações”, seu último trabalho literário.

“Salvo se formos cretinos, morremos sempre com a incerteza do nosso próprio valor e o da nossa obra”.

Circular pela Parte Medieval de Rouen, pelas ruelas estreitas, pela gótica Catedral de Notre Dame, pelo Palácio do Arcebispo, pelos cemitérios medievais, passeando pelas margens do Rio Sena com suas pontes, vendo a arquitetura das casas de madeira, além de relembrar os passos de Joana DÁrc, o seu julgamento e a queima na fogueira em 1431, é possibilidade de rever o local de infância desse grande escritor francês. O Gros Horloge indica o percurso.

Como dizia Dostoiewsky: “Todo o escritor precisa conhecer, e bem, a sua aldeia, antes de começar a escrever”. Flaubert dominava a região onde viveu.

Indo para o oceano, em direção ao porto de Le Havre, ponte gigantesca sobre o Sena recebeu, em 2008, o nome de Gustave Flaubert. Justa homenagem para o criador de Madame Bovary e de Salambô.

Uma releitura é agora obrigatória. Recordar outras frases do mestre do realismo, ao final, mais uma obrigação:

“Para se ter talento é necessário estarmos convencidos de que o temos”.

“O que o dinheiro faz por nós, não compensa o que fazemos por ele”.

“Eu não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse, o que talvez venha a dar no mesmo”.

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