Auray e o Golfo de Morbihan-2

Auray e o Golfo de Morbihan

Morbihan significa pequeno mar em bretão. Morbraz, ao contrário, indica o Mar Oceânico, a grande extensão que os bretões aprenderam a dominar.

– Os bretões nascem com o mar em volta do coração- dizem por aqui.

-Quem circula de Auray para Vannes, fugindo da autoestrada, por caminhos rurais, poderá circular pela costa do Golfo de Morbihan.

Oportunidade para descobrir pequenas ilhotas, mini-baías, enseadas escondidas, faróis vigilantes e vilas perdidas entre as colinas e o mar; muitas com suas muralhas centenárias.

Auray foi porto importante pela exportação de trigo e de vinho; hoje restam apenas lembranças.

Benjamim Franklin esteve hospedado em Auray. O plenipotenciário americano, em busca de apoio francês para conseguir a Independência Americana esteve hospedado em local onde, agora, faço registro.

-Primeiro passaporte brasileiro que eu vejo- afirmou curioso o atendente ao receber nossos documentos.

Tempestade imprevista desviou o navio de Franklin de Nantes, local que chegou mais tarde por viagem a cavalo. Placa de bronze guarda a lembrança.

A região, pelo espírito conservador, tradicional, sempre apoiou o Rei e a Igreja Católica.

Episódios sangrentos das revoltas, da contrarrevolução, das lutas contra as forças armadas da Convenção Republicana surgem em placas e indicativos do sangue aqui derramado. Não estamos longe da Vendeia e das suas revoltas sem sucesso.

Vannes, como sede do Ducado da Bretanha, apresenta ainda muralhas medievais e o típico castelo-fortaleza. É lugar de cultura e de festivais; só precisamos planejar a data de chegada para não perder a viagem.

Auray, bem menor, é porto de onde saem excursões fluviais para o golfo de Morbihan.Com o desenvolvimento de Vannes, melhor situada, a decadência da cidade se acelera.

Para evitar os efeitos devastadores das marés, para regularizar rios, eclusas e canais foram construídos ao longo do tempo. A França é local onde é possível, através de rede fluvial exemplar, navegar com facilidade pelo interior, por centenas de quilômetros.

As barragens, os diques, as eclusas, as ponte-canais facilitam a circulação de pequenas embarcações, de veleiros e de lanchas. Os roteiros são múltiplos.

Em Auray, local de “Pardon” tradicional em agosto – procissão bretã típica – encontramos ponte com histórias para recontar.

Construída com o valor pago pelo pedágio do comércio de vinho, era uma das poucas ligações da época. Muitas tropas passaram por aqui, em lutas sem final feliz.

Durante a guerra dos 100 anos, Charles de Bois, apoiado pelo maior condestável francês, o famoso Du Guesclin, não muito longe daqui, morre em batalha infrutífera. Du Guesclin é feito prisioneiro.

– Não é o vosso dia senhor. Noutro poderás ter melhor sorte – foram as palavras do capitão inglês ao solicitar a sua rendição.

A revolta da Vendeia contra as tropas revolucionárias que guilhotinam o Rei da França, duraram anos. Guerrilhas e ataques de surpresa mantiveram o ideal de resistência por muito tempo. Cadaval, o líder, mesmo após a derrota, continua a luta. Preso em Brest, foge e com apoio dos ingleses participa do desembarque em Quiberon, onde suas forças são esmagadas; os sobreviventes não ganham perdão da Convenção em Paris: todos executados, fuzilados na praia, com exceção de Cadaval que consegue escapar.

Só em 1804, sob as ordens de Napoleão o último líder rebelde será executado.

Durante o breve período do retorno do Imperador Corso – os 100 dias de glória em 1815 – suas tropas ao passarem pela ponte de Auray, com destino em Waterloo, mais uma vez foram hostilizadas pela população local.

O velho quarteirão de St. Goustan, na parte antiga da cidade, guarda memórias interessantes, algo que podemos apreciar degustando o prato local; lagostas e o atum branco. As receitas são muitas, o vinho, mesmo o da casa, não dá para recusar. Instante de repouso, de reflexões e depois para colocar no papel o que escrevo agora.

Amanhã nosso destino será Carnac, a terra dos menires, palavra que em bretão significa “pedra grande”. Oportunidade para recordar as aventuras de Obelix, de Asterix, a poção mágica e os invencíveis bretões. Valeu o desvio para lugar perdido no interior da França.

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