Brest. Porto Militar da França

Vindo pela costa de Finisterra, na Baixa Bretanha, partindo de St. Malo, não tenha pressa ao apreciar os detalhes da costa selvagem, fuja da autoestrada; temos muito para ver até chegar a Brest.

Inúmeros os estuários, as penínsulas que desafiam as ondas do mar, as rochas orgulhosas de combate sem fim. As pequenas vilas pesqueiras com seus barcos encalhados na maré baixa e protegidas por vigilantes faróis na distância. Aqui o oceano é o senhor, o dono do destino dos marujos e dos pescadores que ousam enfrentar poderoso senhor.

-Os bretões nascem com a água do mar ao redor do coração- afirmam com orgulho, falando língua que não compreendo.

– Aber, na nossa língua significa estuário – explica aquele local para estranho invasor que não entende o bretão, a língua local.

– Goémon é a palavra usada para indicar as algas que as ondas depositam nas praias – reafirma para ignorante passante que recolhe o que as ondas trazem de longe.

Os faróis desafiam violência contínua ou inesperada, guardiões. As fotos dos faróis franceses durante as tempestades merecem destaque, prêmios.

Pelo caminho, os calvários, símbolos de fé, de agradecimentos pelo término de pestes negras, marcam a sua presença. Aqui e ali as ruínas de castelos esquecidos e de igrejas abandonadas no tempo.

Brest, o maior porto militar da França, base da Frota Francesa do Atlântico, ocupado pelos nazistas em 1940, sofreu pesados bombardeios durante a 2ª.Guerra Mundial. Descaracterizado na reconstrução não tem muito para apresentar aos visitantes.

A fortaleza na entrada do porto recorda os tempos e a glória do Duque da Bretanha, apenas o museu naval é acessível. Foi o ministro Colbert, sucessor do cardeal Richelieu, o responsável por tornar Brest a capital marítima da França. Implantou escolas para guardas-marinha, serviço militar naval obrigatório para os pescadores e marinheiros, arsenais e instalações para treinar artilheiros e estaleiros capazes de construir fragatas de até 5.000 t com 120 canhões. As naves francesas eram reconhecidas pelas proas e pelas popas esculpidas por artistas de renome. Não podemos esquecer que foram as belonaves francesas, ao bloquearem os ingleses em Yorktown, cercados pelas tropas do General Washington, as responsáveis pelo sucesso da Independência Americana.

A melhor vista do porto militar e do porto civil é obtida de lá do alto, do forte. Do outro lado, a Torre Tanguy é o que sobrou de antigas defesas medievais do porto. A Ponte da Recuperação sobrepujando o velho porto é local de boas fotos e paisagens que não vamos esquecer. Para a costa, do outro lado da baia ,ela nos conduz para a península de Crozon le Conquet, outro porto pesqueiro, com casas de veraneio e os nossos guias fiéis, os fotogênicos faróis.

O Festival Marítimo de Brest, realizado nos meados de julho, acolhe mais de 2.500 embarcações, muito veleiros históricos são as vedetes; colorido de velas enche a baia. A cidade fica iluminada, pontes, prédios o Castelo do Duque da Bretanha, recebem brilhos intensos e multicoloridos. Lâmpadas leds ocupam todo o espaço; fogos de artifício tornam a noite mais alegre e vistosa.

De Brest, passando pelos portos de guerra e do comércio, indo para o noroeste, chegamos na vila de St.Mathieu, onde as ruínas de abadia medieval nos aguardas; os monges mantinham fogueira permanentemente acesa para avisar os marujos dos perigos das rochas escondidas na neblina. Seguindo pela costa, ilhas sempre a vista na distância nos guiam até o porto pesqueiro de le Conquet. Em 1558, tropa invasora inglesa em ataque surpresa queimou e pilhou a região.

Saindo de Brest, passando pelas instalações portuárias, nosso destino é a Paróquia de Gastel ou Plougastel em bretão, onde encontraremos um dos calvários mais interessantes da Bretanha, vale o desvio; o roteiro vai nos levar para Carnac e seus menires, depois para o Golfo de Morbihan , onde pequenas vilas escondidas onde as tradições bretãs ainda sobrevivem. Oportunidade de ver as procissões religiosas, os “pardons”, e as vestes típicas das mulheres, com penteados altos e suas rendas típicas- Bigouden. Importante é escolher a data adequada para chegar, acertar no dia em que o santo local é homenageado, para não perder a festa.

Momento para apreciar o Kouign Amann, torta de massa folheada açucarada por fora e macia por dentro onde a manteiga salgada deixa forte a sua presença.

_ Beurre salé- reafirma o nosso anfitrião em francês; o segredo da gastronomia da Bretanha.

Patrocínio:

detalhesdetalhes

Compartilhe