FRANCISCO I. O REI FRANCÊS DO RENASCIMENTO

Educado em Amboise, chega ao trono porque Luís XII não tinha herdeiros masculinos. Casado com a filha do rei, reinará na França por 32 anos.

Tendo a salamandra como símbolo heráldico, no palácio real de Amboise, fortaleza existente ao longo do rio Loire, Francisco I terá seu nome sempre ligado às artes, aos pintores e ao próprio Renascimento Cultural nas terras da França. As guerras pela Coroa de Sicília esgotam as reservas do reino. Derrotado em Pávia, 1525, pelas tropas de Carlos V, Imperador da Espanha e de meio mundo, seu eterno inimigo, feito prisioneiro é obrigado a pagar resgate fabuloso pela liberdade. A França sangra para recuperar o seu rei.

Os historiadores afirmam que como prisioneiro conheceu o luxo, o esplendor dos palácios italianos e mesmo da Espanha. No retorno vai modernizar os castelos e palácios da França.

Constrói Chenonceau e agrega comodidades que vão alterar a vida da corte francesa nos anos futuros.

Em 2015 comemoramos os 500 anos da coroação de Francisco I, soberano, que ao casar com herdeira do Ducado da Bretanha, consegue de forma definitiva anexar as terras e possessões de antiga rival.

François de Angouleme foi educado em Amboise, preparado pela sua mãe Marguerite de Valois, para a missão que cumprirá à risca.

Em Amboise, com bons professores, humanistas e juristas, desenvolve as qualidades o farão entrar para a história francesa como o Soberano do Renascimento.

Visita ao palácio real em Amboise, permite visualizar o local onde o futuro rei desenvolveu suas habilidades.

Foi soberano que passou a maior parte do seu reinado fora do palácio, viajando; as informações e as anotações indicam que em 75% do seu tempo esteve em campanhas militares ou percorrendo a França com sua corte.

A antiga fortaleza medieval de Amboise, transformada em palácio suntuoso, apresenta uma coleção fantástica de móveis no estilo gótico e renascentista. É um dos castelos mais interessantes do Vale do Loire.

Procurando recriar na França o ambiente cultural italiano, Francisco I prestigia e apoia pintores e escultores. Leonardo da Vinci aceita o seu convite para trabalhar na sua corte, era o ano de 1516.

Leonardo da Vinci, após mais de 200 anos da sua morte, foi enterrado em Amboise, na Capela de São Humberto. Lápide presta a devida homenagem.

Andrea de Sarto foi outro artista que aceitou também o convite; apenas Rafael recusou a oferta, mas seus quadros foram adquiridos para embelezar os palácios de Francisco I.

As pinturas retratam cenas e passagens que destacam a ação do soberano.

Francisco I usava as artes como modo de propaganda, meio político de fortalecer o prestígio real. As telas executadas por Menjaud, Granger e Managest são magníficas, essenciais para entender a visão de Francisco I.

No castelo de Blois, além de ala construída sob os novos princípios, Francisco I funda a primeira biblioteca francesa.

Mas é em Chenonceau que seu gosto pela arte e arquitetura italiana surge com mais força. Local de caça, com grandes florestas, rios generosos, agora verá surgir o “Palácio das Rainhas”.

Uma nova classe surge na região de “Touraine” – região de castelos e fortalezas -, a burguesia financeira, mesmo desprezada pelos de sangue real ou provenientes de berço dourado, aos poucos, ocupa posição administrativa, financeira e militar que não pode mais ser deixada de lado. O dinheiro vence a fraqueza de nascimento fora do padrão; os burgueses serão os novos senhores, os que vão construir os seus próprios palácios e residências de luxo.

Em 1539 o francês passa a ser a língua oficial do Reino da França.

Ao morrer, em 1547, no Castelo de Rambouillet, Francisco I deixa reino consolidado com boa gestão das coisas de Estado e a magnificência de Chenonceau.

Uma visita às edificações sobre o rio Cher surpreende mesmo o turista descuidado. A cidadela da antiga fortaleza e do velho moinho fortificado, deram origem à construção elegante e suntuosa que Francisco I e depois seu filho Henrique ampliaram. A coleção de tapetes vindos de Flandres, os móveis, as pinturas, são dignas de museu de primeira linha. Cada sala, cada quarto, cada escritório tem segredos e histórias para relatar. Diane de Poitier, a amante de Henry II, o esposo de Catarina de Médicis, a nobre italiana que reinou sobre a França após a morte do rei Henry II, fatalidade durante torneio entre cavaleiros, são nomes que surgem durante a visita.

Somos acompanhados durante o percurso por Van Dyck, Zurbaran, Tintoreto, Ribera, Jordan, Veronese, Poussin, Rubens, Andrea del Sarto, Corregio e suas pinturas.As lareiras são as mais bonitas e ornamentadas de toda a França.

O pavilhão construído sobre o rio, por ordem de Catarina de Medicis, para ser usado como salão de bailes, hoje serve para exposição de obras de arte e do acervo de Chenonceau.

Henri IV, Mary Stuart, rainha da Escócia, Luís XIV são nomes reais que aparecem nos registros de Chenonceau, o palácio onde a história da França teve muitos capítulos escritos.

Durante a Revolução Francesa de 1789, graças à inteligência da proprietária na época, Madame Dupin, Chenonceau escapou da destruição e pilhagem. Para esconder a capela, o recinto foi transformado num depósito de lenha. Madame Dupin entra para a história e merece a nossa homenagem.

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