NANTES, A CIDADE NATAL DE JULES VERNE

“Tudo o que o homem pode imaginar, outros homens poderão realizar”.

A frase do escritor Jules Verne, nascido em Nantes em 1828, cidade portuária junto ao Rio Loire, dá uma ideia das obras desse famoso escritor francês.

Aos doze anos, como clandestino, vai até Saint Nazaire, porto atlântico perto de Nantes, onde vê o mar pela primeira vez. Paixão fulminante, para toda a vida.

“O mar, eu o amo de verdade.

É mais que movimento e amor

É o infinito vivo”.

Sua residência de veraneio, local alto, um promontório, com vista para o rio e para o porto, é local onde podemos decifrar alguns dos seus mistérios e o seu modo de vida. Perto, na rua Hermitage, encontramos o museu Jules Verne de Nantes com memórias e documentos que preciso pesquisar

Filho de pai advogado, com posses, teve infância tranquila. Adorava ver os navios partindo para o mar, o que deve ter estimulado seu interesse pelas aventuras e pelas viagens.

Perto, monumento de 2008 representa Jules Verne, como criança olhando para capitão que observa a saída de outro navio. Seria o capitão Nemo do Naútilus?

‘Ao ver tantos navios passarem, a necessidade de navegar me devorava”.

Enviado pelo pai para estudar direito em Paris, desloca o seu objetivo para o teatro e para a literatura. Com a frustração do pai, perde o direito às mesadas e é obrigado a trabalhar como corretor de ações. Época difícil, o que talvez o leva a casar, em 1857, com viúva rica com duas filhas.

Aos poucos entra em contato com escritores já famosos, como Victor Hugo e Alexandre Dumas, personagens que o estimulam a escrever.

Dotado de grande imaginação, pesquisador de informações técnicas, tendo sempre as viagens como tema ,lança, em 1863, o seu primeiro livro. Sucesso absoluto.

“Cinco semanas em um balão”, relatos de viagem sobre a África utilizando um balão de hidrogênio, traz tema que empolga a Europa.

Relatos exóticos, novidades culturais, locais perdidos, atraíam a atenção do público. O que muitos julgavam ser pura ficção, na realidade representava a apresentação de realidade desconhecida.

Com o sucesso da obra, com contrato vantajoso junto à Editora Hetzel, com a obrigação de escrever livros durante os próximos 20 anos, Jules Verne garante estabilidade financeira. Precisa escrever dois livros por ano.

Durante 40 anos de atividade escreve mais de 70 livros; adapta as suas obras para o teatro e para a ópera. Vende bonecos e figuras para teatro de marionetes e para os espetáculos do Gran Guignol; o público infantil recebe a sua atenção.

O seu prestígio é tão alto que o seu nome aparece na venda de cafés, de chás. As embalagens trazem apelo mercadológico, o seu nome. Jules Verne alcança fama internacional. É um dos escritores mais traduzidos no Mundo.

Seu sucesso financeiro permite a construção de iates, foram três, com os quais efetua vários cruzeiros pelo Mediterrâneo e pelo Oriente. Saint Michel era a denominação de todos os seus barcos.

Jules Verne escrevia para leitores que exigiam histórias fantásticas, viagens impossíveis e aventuras difíceis de serem realizadas naquela época.

“Para deixar minha obra completa, precisaria viver 100 anos”.

“Viagem ao Centro da Terra”, mostrou o que sua imaginação criou ao visitar vulcão na distante Islândia.

“Um dia visitaremos a lua e os planetas com a mesma facilidade com que nos dias de hoje se vai de Liverpool à Nova York”.

Importante mencionar que Jules Verne mantinha contato com engenheiros,com mecânicos, com pesquisadores,com outros viajantes e curiosos em diversos temas. As cartas, os desenhos, os manuscritos no museu são provas incontestáveis, bem ao nosso alcance.

“A ciência é composta de erros, que por sua vez são passos em direção à verdade”.

Precursor da ficção científica, no Museu de Nantes podemos observar, além do seu modo de escrever, de viver, a coleção dos esboços e dos desenhos dos artefatos que surgiam nas ilustrações dos seus livros.

Escafandros, submarinos, produção de alimentos em ambientes confinados, sem sol ou terra, foguetes, naves movidas pelo princípio eólico dos cata-ventos, surgem nos rascunhos coloridos.

Jules Verne formou-se em direito, mas pelo visto nunca exerceu a profissão. Hetzel, amigo e editor, havia previsto e apoiado outro destino.

O seriado “Lost” da televisão, para ser revisto, está focado na obra “A Ilha Misteriosa”.

“Vinte Mil Léguas Submarinas”, talvez sua obra mais famosa, é pioneira na apresentação da propulsão atômica de embarcações.

Pelas informações colhidas, pela leitura de jornal americano citando evento da Guerra Civil Americana, Júlio Verne inicia a construção de um épico. Os Confederados usavam, pela primeira vez, embarcação primitiva de madeira movida por pedais, deslocamento sob as águas para atacar os navios da União que bloqueavam os postos sulistas. Surge o submarino.

“Viagem à Lua” é outro livro bem documentado através de desenhos e de esboços técnicos. A ideia surge durante rápida visita aos Estados Unidos, quando Jules Verne conhece o desenvolvimento tecnológico americano.

O cinema, o teatro e depois a televisão usaram as obras criadas por Jules Verne como inspiração: “Miguel Strogoff”; “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, com Cantinflas, David Niven e Shirley Mclaine nos papéis principais é outro épico no cinema.

O atentado sofrido quando sobrinho, com problemas mentais, disparou revolver em instante de raiva o deixa manco. O excesso de trabalho, o ferimento, as paralisias e a diabete, minaram a sua saúde nos últimos anos de vida. Relacionamento com dama misteriosa seria outra pedra no caminho. O enigma, apesar das investigações, perdura até os nossos dias.

Está enterrado no cemitério de Amiens, cidade onde viveu os seus últimos anos; a casa onde residiu, denominada de “A Torre”, é outro local de mais pesquisas e de visita obrigatória. Amiens era a cidade natal de sua esposa.

Vendo as obras, quase oitenta aventuras literárias, é importante ressaltar a quantidade e a característica das ilustrações, algumas são obras de arte, imprescindíveis para estimular a nossa imaginação e os nossos desejos.

Em Nantes, depois de conhecer o palácio-fortaleza do Duque da Bretanha, existe roteiro para acompanhar os passos de Jules Verne durante os anos em que ali viveu. Casas e residências, mais de cinco, o cais, os mercados, o ancoradouro dos seus iates, os pontos elevados de onde via passar embarcações e marinheiros, onde desenvolveu os seus sonhos, os seusfuturos projetos e a imaginação.

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