ST. MALO. CIDADE MURADA NA BRETANHA

Berço do Escritor François-René de Chateaubriand

St. Malo, cidade murada na Bretanha, além de piratas e de corsários deu origem a François-René de Chateaubriand, nascido aqui, de família rica e poderosa, em 1768.

Além de político, diplomata, ensaísta e historiador, é como escritor que passa para a imortalidade na literatura. Considerado o precursor do romantismo, influenciou a geração de escritores românticos que o seguiu como: Lord Byron na Inglaterra e Stendhal, Lamartine e Victor Hugo, na França.

Passou sua infância no Castelo de Combourg, na Bretanha e tentou depois a carreira naval, onde chega ao posto de capitão. Seguia os passos do pai, antigo comandante de navio e depois enriquecido como armador e negociante de escravos, algo típico das atividades comerciais de St. Malo.

Chateaubriand viveu em época de tumultos, o que o obrigou a diversas fugas e exílios. A Revolução Francesa e os seus excessos o obrigaram a fugir para os Estados Unidos, onde circula pelo interior, tendo contato com tribos indígenas e com uma nação que recém obtivera a sua Independência.

De volta a Paris, atua como simpatizante do Rei, alistando-se no exército dos emigrados contra o Exército Revolucionário Francês. Ferido em combate é obrigado a fugir para a Inglaterra, onde faz contato com a literatura e as obras inglesas. O “Paraíso Perdido”, de Milton, produzirá grande influência nos seus futuros trabalhos.

Em 1797 lança “Ensaios sobre as Revoluções”, tentativa de explicar os excessos da Revolução Francesa que eliminara muitos dos seus amigos e conhecidos.

Com a anistia concedida pelo Consulado de Napoleão, Chateaubriand retorna à França em 1800, oportunidade em que ganha a confiança de Bonaparte, interessado em obter o apoio da Igreja Católica, defendida por Chateaubriand na sua obra “Gènie du Christianisme”.

Ganha cargos políticos, mas logo entra em choque com o futuro Imperador. Após a execução do primo de Luís XVI em 1804, fica em péssimas condições financeiras, pois perde os cargos exercidos.

Graças a apoio recebido da Czarina Russa em 1806, pode viajar pela Ásia Menor, Grécia e Espanha.

Na volta ,com bagagem para outros livros, continua criticando Napoleão Bonaparte, que o coloca em ostracismo e confinadoem castelo a 12 km de Paris.

Somente em 1814, com a restauração dos Bourbons é que retorna às suas atividades políticas e literárias.

Mas com o retorno de Napoleão da Ilha de Elba – 100 dias de tumultos e de últimas glórias – é obrigado a novo exílio na Bélgica, junto com Luís XVIII, até a derrota final do General Corso em Waterloo.

Novamente reabilitado assume cargo de Ministro de Estado até cair novamente em desgraça por escrever contra o Rei Luís XVIII. Sempre em luta contra o autoritarismo.

Em 1841 conclui “Memórias de além-Túmulo”, outra obra que o consagra para o futuro.

Morre em Paris durante as lutas de rua da Revolução de 1848.

Por decisão sua, será enterrado na ilhota Grand Bé, ao lado de Saint Malo, local que só pode ser acessado durante a maré baixa. Oportunidade que os seus admiradores de hoje têm de alcançar o seu túmulo. Vale o desafio.

A maré aonorte da Bretanha alcançam dimensões de até 14 metros, o que pode causar sérios acidentes aos descuidados que andam pelas praias e costas bretãs.

Sua vida sentimental foi confusa, cheia de amantes, desde casamento arranjado com pessoa que mal conhecia.

Pelo seu talento, pelos excessos de sua vida, pelos exílios, pelas viagens realizadas, pelos escritos é o pai do Romantismo Francês.

– Ser Chateaubriand ou ser nada – dizia Victor Hugo nas suas anotações.

Mesmo seus inimigos ou adversários políticos, como Stendhal, não negavam a sua influência na literatura.

Suas análises psicológicas de fatos e de atos da sua época influenciaram os que os seguiram.

René, Atala, Génie du Christianisme e Memóires d´Outre-Tombe, seus livros, ainda servem de referências para os estudiosos e pesquisadores de hoje.

Em Saint Malô, circulando pela cidade murada, podemos encontrar os antigos passos de Chateaubriand. Inclusive, como ele, grande apreciador da boa comida, teremos a oportunidade, no restaurante que homenageia o seu nome, de apreciar o famoso “Bife à Chateaubriand”.

Momento de referenciar de outra maneira o grande escritor; de relembrar a sua alma.

Citações de Chateaubriand

1 – É preciso administrar o desprezo com extrema parcimônia, devido ogrande número de necessitados.

2 – O perigo desaparece quando ousamos enfrentá-lo.

3 – Para fazer esquecer as nossas faltas aos olhos do mundo, são precisas torrentes de sangue, mas junto a Deus, basta uma lágrima.

4 – Tudo nasce dos ideais, eles dão origem aos fatos que apenas lhes servem de envelope.

5 – O desejo é o pai do poder.

6 – A verdadeira felicidade custa pouco, sendo cara é porque a sua qualidade não presta.

7 – Outrora a velhice era uma dignidade, hoje ela é um peso.

8 – Sem a mulher, o homem seria rude, grosseiro, solitário e ignoraria a graça do sorriso do amor.

9 – Romper com as coisas reais não é nada, mas o coração se quebra quando rompe com a lembrança.

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