A LONDRES DE GEORGE FRIEDRICH HANDEL

Georg Friedrich Handel, nascido na Alemanha em 1685, apesar da oposição do pai que queria advogado na família, tem o seu destino ligado à música.

Desde cedo, a princípio escondido e mais tarde, tocando nos órgãos de capelas, graças ao Duque de Weissenfels tem seu talento reconhecido.

Apesar do seu sucesso tanto na Alemanha, como mais tarde na Itália, será na Inglaterra que alcançará fama mundial.

Seu protetor, príncipe da Casa de Hannover, ao se tornar Rei da Inglaterra, como Jorge I, o leva para Londres.

Compositor incansável, produtor de inúmeras óperas, grande experiência na montagem e na direção de tenores, de sopranos, traz a ópera italiana para a corte real inglesa. É o responsável pela montagem, pela produção, pela escolha dos intérpretes mais prestigiados da época. Momentos de tumulto, de brigas entre vaidades, de prejuízos financeiros constantes .

Encarregado da formação cultural da música britânica, após adquirir cidadania em 1726, instalado na casa ainda existente na rua Brooks Street, vive até morrer em 1759 na residência agora visitada.

No antigo prédio, hoje restaurado e museu vibrante, é possível constatar como viveu, como compunha esse gênio da música barroca. Audiovisuais, execução das suas obras, mostram aspectos humanos do mestre do barroco e maestro insuperável nos oratórios.

Fundador da Royal Academy , Handel continua compondo óperas e oratórios, mesmo envolvido em discussões entre Jorge I e o seu filho e futuro sucessor, o Príncipe de Gales.

Com o tempo, altera o seu nome para George Frederic Handel, mas nunca modifica as características de personalidade forte, capaz de produzir em ritmo alucinante, ao mesmo tempo que saboreava a boa comida e a boa bebida.

Handel traz para Londres os espetáculos da Ópera Italiana, área onde tivera bons contatos durante os anos que permaneceu em Roma e Veneza. Como compositor conseguia produzir óperas em pouco tempo, investindo parte do seu dinheiro na montagem e na produção das peças, o que mais tarde o levará à falência em diversas oportunidades: Assis e Galatea uma das óperas para lembrar .

Naqueles anos a música fazia parte da escala social; príncipes, nobres e familiares, mesmo reis, tocavam instrumentos e tomavam lições com os mestres do momento.

Em Londres, para controlar divas e tenores, famosos e prima-donas, era rápido na ação e diplomata quando necessário. São legendárias as brigas, mesmo durante as performances dos artistas e virtuoses por ele trazidos da Itália.

Handel, gênio forte, era capaz de passar da cólera e dos gritos para os afagos e elogios. Só ele para controlar os seus temperamentais, seus virtuosos e famosos atores.

Sempre conseguia boas pensões dos seus benfeitores. Homem de fortuna, dava-se ao luxo de manter casa faustosa para época, equipada com o que havia de melhor e mobiliada com o que as suas libras poderiam adquirir.

Os móveis, os utensílios e os adereços da casa onde viveu em Londres, até falecer, em 1759, são provas concretas de pessoa realizada.Hadel acompanhava as rodas da fortuna ,

Apesar de nunca ter casado, havia rumores de seus casos amorosos, incluindo a famosa diva, Francesca Cuzzoni.

Analisando os refeitórios, os aparelhos de jantar, os utensílios de cozinhas, claro está o seu bom gosto para as boas comidas e o bom vinho. Inclusive, com o tempo, adquire corpulência, obesidade mesmo, o que se reflete nos seus retratos. Muitos dos seus adversários o ridicularizavam por esse fato. No entanto, sempre gozou de boa saúde ; apenas ao final da vida perderá parte da visão e terá alguns problemas devido a AVC, que paralisa o seu braço direito.

Handel, como método de trabalho, preparava o esboço, o esqueleto básico da obra, para depois efetuar os ajustes e a colocação dos complementos, como a execução dos diversos instrumentos que compunham a sua orquestra.A sua coleção de quadros é famosa .

Nas quintas e sábados,surge oportunidade de ouvir recitais, de escutar palestras ;momentos de recordar a genialidade de Handel.Aproveita.

Mas será nos oratórios que Handel vai se destacar. Mestre do Coro da Catedral de São Paulo modifica e implanta estilo típico britânico. Assistir um coro em qualquer igreja ou catedral, é algo fantástico. A tradição inglesa é equivalente ou mesmo supera a alemã.

Assistir “Messias”, oratório composto por Handel em apenas 24 dias é o presente de hoje. Momento de pleno prazer .

Podemos visitar as salas onde ele compunha, inclusive fotografar os instrumentos por ele usados. Um Harpsichords decorado com flores, pássaros, frutas e camarões, com dois teclados alternados, considerado precursor do piano, ainda pode ser visto e tocado por alguns privilegiados.

Durante o seu trabalho, incansável, recluso durante dias, produzia em ritmo alucinante. Seus copistas não conseguiam acompanhá-lo por isso nos intervalos, enquanto aguardava, já estava iniciando algo novo.

Para ele o importante era a melodia, não planejava os seus trabalhos, escrevendo direto para o papel. Usava a técnica do corte, da cola. Muitos críticos dizem que ele copiava outros artistas, mas o certo é que Handel sempre introduzia algo diferente, o seu dom, a sua arte no que compunha .

Considerado o mestre do barroco, será fundamental para o desenvolvimento da Cultura Musical da Inglaterra.

“Every valley shall be exalted, and every mountains hill made low, the crooked straight and the rough places plain”.

Messias, 1741.

Colocava anotações de tempo e de mudanças nas suas notas, paixão pela música a razão da sua existência.

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