Veneza Hebraica de Shakespeare

Desde o século XII, as notícias mostravam a existência da comunidade judaica em águas de Veneza. Confinados em guetos, usando roupas únicas e chapéus vermelhos, não tinham plenos direitos. As zonas ocupadas ainda possuem os nomes dos primeiros ocupantes. Giudiaria era local inóspito, pantanoso, em Canareggio.

O Mercador de Veneza, obra do bardo inglês, apresenta figura caricata, Shilock, que surge como personagem avarenta na defesa dos seus direitos.

Empréstimos de risco exigem garantias. Naves de comércio, enquanto não chegam aos portos, sujeitas a tormentas, desastres e ataques de piratas, não permitem a realização dos lucros aguardados e exigem garantias.

Os séculos passaram, o Império Veneziano caiu. A libra de carne exigida pelo contrato não foi tomada, pois a lei e os costumes mudam com o tempo.

Depois da 2ª. Guerra Mundial poucos restaram, a maioria dos judeus italianos foi morta no holocausto e muitos fugiram para o exterior, para Israel.

Para encontrar os traços da história é preciso ir para Canareggio, para os canais entre o Gueto Antigo e o Gueto Novo, onde encontramos os atuais descendentes de Moisés que retornaram para a sua querida Veneza.

Na velha Sinagoga, perto do antigo mercado de peixe agora museu, casa antiga possui placas que recordam o holocausto e a vida diária ,durante séculos, da comunidade.

É possível encontrar, para os fiéis,restaurantes Kosher com comida certificada por rabino confiável. Moradia para idosos, bem como lojas que apresentam o artesanato e obras de arte israeli estão bem perto. Pinturas expostas nas vitrines apresentam as festas típicas e tradicionais celebradas em Veneza como: Purin, Pesach, Casamentos e Bat-Mitsvar.

Obras de arte, no bronze, ao longo do caminho das praças, tentam mostrar aos que passam,descuidados ou não, a importância que Veneza representou para povo em perpétuo êxodo. Poucos procuram recuperar e manter tradições. Naquele dia, sábado, fieis devidamente paramentados dirigiam-se às orações. Homens na frente, apressados.

Os movimentos dos corpos, da mão, das cabeças, preces em ação junto com os cantos, indicavam a pequena sala onde o Sabath era comemorado.

As poucas lojas, nas vitrines, apresentavam o artesanato local, onde as raízes hebraicas de séculos são preservadas.

Placas, relatos, apresentam fatos históricos desde a época em que canhões eram fundidos nos guetos; os portões eram bloqueados após o cair da tarde e abertos por sinal do sino de San Marcos, tempos difíceis.

Os enterros não eram possíveis em área superpovoada, com poucos poços de água potável.

No bairro de Canareggio, em Veneza, passando por pontes e pontilhões, por sottoportegios ainda encontramos o Guetto Nuovo e o Guetto Vecchio; locais afastados do centro, onde mercado de peixes fora instalado – Fondamenta della Pescaria. A fundição de canhões de Veneza fora transferida para aquela zona distante. Num amontoado de casebres, pagando alugueis exorbitantes, usando roupas diferentes, vermelho nas cabeçase identificações amarelas, os hebreus estavam confinados; nascia uma história que parece não ter final. Não podendo construir sinagogas, obrigados a suportar impostos elevados, eram obrigados a adaptar os prédios para os fins religiosos; cinco janelas identificavam o local das reuniões. Como o espaço era reduzido, a necessidade obrigava a aumentar o número de pavimentos. Os prédios mais altos de Veneza estão nos guetos. Alemães protestantes, turcos e gregos também possuíam os seus enclaves.

Menção a rabino famoso, no período de 1815 a 1839, aparece nos anais; Elia Lattes, recordaria o físico nuclear brasileiro Cesar Lattes?

No livro de Noah Gordon, “Diamante de Jerusalém”, descrição do bairro judeu em Canareggio, é complemento interessante para relembrar a peça “O Mercador de Veneza” e mesmo Shakespeare e seu estereotipado Shilock.

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