ESPERANDO GODOT. SAMUEL BECKETT. NOBEL DA IRLANDA.

ESPERANDO GODOT. SAMUEL BECKETT. NOBEL DA IRLANDA

Nascido em Dublin, em 1906, Samuel Beckett, como poeta, novelista de vanguarda, terá destaque como autor de peças para o teatro e até mesmo como diretor teatral. Visitar Dublin, a capital da República Irlandesa, permite encontrar as raízes de outro prêmio Nobel de Literatura da Irlanda.

“Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor”.

De família anglicana, morando numa Dublin de maioria católica, vivenciou os movimentos de rebeldia e de revoluções do ano de 1916. Luta armada , guerrilhas, luta contra o poder imperial da Inglaterra, prisões no Ulster, tortura e até enforcamento dos líderes. Algo que marca todos os escritores da sua época nas duas Irlandas – Eire e Ulster.

Estudou no Trinity College ; visita imperdível para os turistas, sendo contemporâneo de Oscar Wilde. Época de efervescência e de renovações.

Após a morte do pai, depressivo, em tratamento psiquiátrico em Londres, descobre os livros de Carl Jung, o que vai modificar a sua vertente literária.

No entanto, viaja para Paris, onde passará a maior parte da sua vida.

“Sim, a partir do momento em que se conhece o porquê, tudo se torna mais fácil, uma simples questão de magia”.

Escrevendo tanto em francês como em inglês, receberá em 1969, pelo conjunto das suas obras, o galardão máximo, o Nobel em Literatura.

Em Paris, conhece e faz amizade com James Joyce, encontro que deixará marcas nos futuros trabalhos de Joyce. Na obra “Finnegan’s Wake”, a colaboração de Beckett é evidente. Desde então, Beckett começa a construir o seu estilo como escritor.

“Toda a palavra é como uma mácula, desnecessária no silêncio e no nada”.

Suas obras mais importantes surgem após o final da 2ª. Guerra Mundial, época em que lutou ao lado da resistência francesa e quando encontra Susanne, companheira na luta e futura esposa.

Com as peças “Happy Days”, “Krapp’s Last Tape” e “Endgame – 1957 ”, constrói o que será denominado de “Teatro do Absurdo”.

Com a moldura do Rio Liffey, fundada por Vikings, Dublin é cortada por pontes, o que lhe dá graça e beleza na primeira impressão. Caminhar pela orla fluvial, em direção ao mar, ao porto, observar as pequenas lojas, os pubs e os restaurantes favorece o reconhecimento. Os mercados locais, com frutas e artesanatos acrescentam o condimento exigido.

“A virtude absoluta mata o ser humano com tanta segurança como o vício absoluto, pela letargia e pomposidade que provocam”.

Precisamos continuar de noite, à luz dos lampiões, no meio do nevoeiro, tentar encontrar os fantasmas que ainda não encontraram saída para a eternidade.

“Todos nós nascemos loucos. Alguns permanecem”.

Lendas, relatos de tragédias, amores não realizados ou consumidos, estão associados a pessoas perdidas nas antigas mansões, nos castelos de pedra escura e mesmo em escondidas prisões.

Desde a época dos celtas, dos vikings, dos beneditinos, dos normandos e depois dos ingleses, lutas, intrigas, rebeliões e prisões foram eventos normais. Basta bater numa porta, são magníficas na arquitetura e no estilo local, para despertar lembranças, choros e lágrimas.

“As lágrimas do mundo são inalteráveis. Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro para. O mesmo vale para o riso”.

As paredes vermelhas, na madeira do Temple Bar, com música típica ao vivo, passos sincopados, rápidos e embriagadores, são tentações que não se deve evitar. Sem hesitação, sucumbe logo. O momento é mágico.

“A arte sempre foi isto – interrogação pura, questão retórica sem a retórica – embora se diga que aparece pela realidade social”.

Nossos passos, já cansados, encontram músicos de rua, andarilhos sem norte ou orientação, enquanto galerias de arte, exposições em vitrines procuram atrair olhares preguiçosos. Personagens de James Joyce, de “Ulisses”, que nunca tiveram palco ou ação, passam por nós; nada deixam.

Depois da alma, a prioridade é o estômago, ambos exigem alimento, energia renovadora; cardápios e sugestões de Ulisses nos surgem como guia, como obrigação.

Ao contrário de outros escritores, Samuel Beckett era atleta nato, ganha várias medalhas no críquete; raridade ou exceção, talvez o único com medalhas e prêmios obtidos através do esporte. Adorava remar.

“O hábito é uma grande surdina”.

Em Paris, em 1937, envolve-se com a milionária Peggy Guggenheimer. Mas em 1938, após discussão idiota, quase morre ao ser apunhalado por desconhecido. James Joyce é quem o socorre.

A publicidade do atentado, quase mortal, atrai a atenção de Suzanne, sua futura parceira na luta contra os nazistas que ocupavam a França.

“Os moralistas são pessoas que coçam onde os outros têm comichão”.

Dublin será sempre o refúgio para breves passagens, local para conferências, encontro de amigos, onde publica livros e revive o passado. Com seus encantos, com suas belezas e enigmas, possui energias mágicas, inspirações para poesias, ensaios, teatro e mais livros.

– Beckett, falecido em 1989, está enterrado ao lado de Suzanne no cemitério famoso de Montparnasse. A lápide em granito, conforme desejos do dramaturgo ,poderia ter qualquer cor, desde que ficasse no cinza. Em Paris, faça o desvio. Beckett merece a homenagem.

“ O único pecado é o de nascer “ – palavras do autor de Murphi-1938 , The Expelled –1946 , Malone Dies -1951,The Unamable -1954

Vladimir. Então, devemos partir?

Estragon: Sim, vamos.

“Esperando Godot – 1952” – diálogo final , pois Godot nunca chegará.

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16 respostas para “ESPERANDO GODOT. SAMUEL BECKETT. NOBEL DA IRLANDA.”

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