Sinagoga Espanhola em Roma. Origens de Séculos

Na Roma antiga, bem antes da destruição do Templo de Jerusalém pelas legiões de Tito em 70 d.C., a presença dos hebreus, através de comerciantes, já era registrada.

No livro de Macabeus, encontramos os primeiros relatos da presença judaica em Roma. Com a destruição do templo pelas Legiões de Tito, conforme inscrições no Arco levantado em Roma é possível acompanhar cenas da campanha, bem como descrição de artigos sagrados pilhados em Jerusalém.

No porto de Óstia, no setor portuário, vestígios de antiga sinagoga foi descoberta pelos arqueólogos. Óstia, na foz do rio Tibre, era a porta de entrada para todas as mercadorias que o Império Romano trazia das províncias conquistadas pelas suas legiões.

Com a reconquista de Granada, em 1492, a política dos reis católicos de consolidação do país em torno de religião única, com o suporte do Cardeal Cisneros, provocou fluxo emigratório, nova diáspora; alguns dos perseguidos para evitar conversão forçada chegam até Roma.

Ao iniciar o processo da Inquisição, o Papa Sixto V, obrigou a comunidade a ocupar pequeno espaço junto à Ilha Tiberina. Surgia o gueto de Roma. Local restrito, com portas lacradas, isolando os seus habitantes dos demais cidadãos de Roma.

Numa curva do Tibre, na ilha Tibelina, enclave denominado de Gheto abriga os refugiados. Amontoados, sem todos os direitos políticos reconhecidos, perseguidos por bulas papais, a vida não é fácil.

Garibaldi, na sua campanha pela liberdade, em luta contra a Áustria e os Estados Papais, recebe o apoio dos judeus, que tomaram armas para conseguirem dupla libertação.

Só em 1904, decreto real estabelece plenos direitos civis para os hebreus, não mais cidadãos de segunda classe na Itália.

– Os judeus na Itália são diferentes em tudo, primeiro porque somos na essência italianos – palavras da minha guia, expressando-se em inglês.

Até a construção do Templo Maior, no período de 1901 a 1904, Sinagoga Espanhola era local de oração e dos serviços religiosos da comunidade. O templo, pequeno nas dimensões, segue a arquitetura típica dos sefarditas. As fotos em anexo apresentam a realidade de séculos passados, difíceis de suportar, em função da intolerância total da Igreja Católica e do Vaticano.

Na entrada, galeria de mármores antigos apresenta retrospectiva de séculos passados. Frontespício de fonte pública de água, permissão obtida por decisão papal, com a representação das sete velas é peça de destaque. Restos de placas no mármore, removidas de várias partes da Itália, inclusive de Óstia, nos dão uma visão de época de dificuldades e de glórias. Até a aquisição de espaço para o cemitério exigiu muito trabalho.

Para construção do Templo Maior, autorizado por edito do Rei Emanuel III, quando os hebreus adquirem plena cidadania como cidadãos italianos, boa parte do gueto foi demolido, incluindo os muros que segregavam a comunidade da Roma Eterna dos Césares.

Mas o Templo Espanhol é preservado. Sua edificação foi anexada ao novo prédio e ao Museu Hebraico de Roma.

É possível encontrar lápides removidas de antigos cemitérios, manuscritos de séculos passados, bem como rever objetos utilizados nos tradicionais ritos litúrgicos. Mais de 2.000 anos de história surgem para os crentes e os curiosos de ofício.

Como funcionava a administração do espaço urbano, como era feita a instrução dos jovens, as organizações assistenciais aos pobres e aos velhos, como a cozinha estava preparada para seguir os ritos religiosos,tudo pode ser acompanhado passo a passo.

Depois devemos conhecer o Templo Maior, construção magnífica. Na inauguração a presença do rei da Itália era o fato marcante. Noutra oportunidade apresentaremos a descrição e as fotos de mais uma Sinagoga do Mundo.

O período nazista provocou estragos na pequena comunidade, poucos retornaram dos campos de concentração e do holocausto.

Com a criação do Estado Judeu em 1948, o Rabi Prato festejou o evento com a comunidade junto ao Arco de Tito. Símbolo de escravidão, de vergonha, nenhum judeu ousava passar pelo arco. Quase 2.000 anos foram necessários para acabar com o castigo, ou maldição segundo alguns.

– Hoje, somos quase 40.000. Diferentes dos demais, ainda nos consideramos italianos – palavras da guia, explicando e justificando as perguntas levantadas.

– Queremos viver em paz, sem o perigo de enfrentar atos terroristas, mas agora sabemos que precisamos lutar caso necessário – concluiu após a nossa visita.

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