Macau. Raízes de Portugal. Império de 500 Anos

Orgulho de uma nação, Macau representa marco importante no Império Lusitano; ainda hoje os vestígios de glórias passadas, de lutas heróicas, de dominação de terras desconhecidas, relembram os ecos de Camões e dos seus versos.

Vasco da Gama, em 1498, começou a jornada rumo às Índias, ao Pacífico, àCipango e à misteriosa Cathai de Marco Polo. Até 1999, quando foi feito acordo com o governo chinês, a bandeira do Império manteve alta a sua imponência. O Império Português durou mais do que o britânico da Rainha Vitória. Algo para comemorar com orgulho.

Até hoje em Macau, nas ruas, nos letreiros, as informações, mesmo as oficiais, surgem em letras lusitanas.

É o único lugar da China onde turista de língua portuguesa não se sente perdido. Mesmo nos tribunais tudo aparece na versão do cantonês e do português.

Mesmo durante a 2ª Guerra Mundial, as tropas invasoras japonesas mantiveram atitudes cordiais, bem diferente do que ocorreu em Hong Kong, onde a população fugiu devido às atrocidades cometidas.

Em Macau os jesuítas estabeleceram o seu quartel-general na Ásia; a primeira universidade foi aqui edificada. O gênio de Mateo Ricci, o mandarim negro, ainda é homenageado. Sua estátua, junto às ruínas da Igreja de São Paulo é reverenciada pelos chineses. Como um santo, um sábio, um intelectual – homem do mundo. A cultura ocidental chegava à China e ao Japão, partindo de Macau.

Do porto, das antigas docas, as carracas negras, cor definida pelo betume usado na calafetação dos cascos, alcançavam o porto distante de Nagasaki. Portal era aberto para a cristianização do Japão. A cultura portuguesa deixava raízes, costumes, hábitos e pratos na culinária que ainda hoje podemos visualizar e degustar. Embarcações de até 2.000 toneladas de deslocamento eram aqui fabricadas.

Camões, estátua em praça pública, recebe a devida homenagem. Após naufrágio, onde perde sua companheira, consegue salvar os seus preciosos manuscritos. Alguns dos versos aqui foram concluídos. Momento de reconhecimento e de gravar para eternidade os feitos da brava gente lusitana. Era preciso tornar português o mar desconhecido; as naves que desafiavam os deuses e os atrevidos mortais que passavam o Cabo Bojador levavam a Cruz e os símbolos de Portugal. Fernando Pessoa, nos seus versos imortalizaria feitos que agora, in loco, podemos autenticar.

Os vestes negras, os jesuítas, antes de iniciar os seus trabalho de catequese, precisavam de vários anos de estudos na língua dos povos onde deveriam levar a palavra de Cristo. Imersão total nas salas do Colégio de São Paulo, cujas ruínas podemos percorrer. O frontispício, imenso, recuperado, iluminado a noite, na colina logo ali, é magnífico. Ele procura mostrar ao estrangeiro o que foi preciso enfrentar e concretizar na conquista do Império do Meio.

Ao lado, encontramos o hospital e lá no topo o Forte do Morro, defensor da cidade. Baluarte capaz de, com seus canhões, pela capacidade dos seus soldados, suportar assédio de meses e até de anos.

Em 1622, estando as tropas ausentes – lutavam por mandarim amigo— com o forte ainda inconcluso, os holandeses tentaram tomar a cidade indefesa. Mais de 800 homens, 16 navios, atacaram a cidade. Os habitantes, apavorados, procuraram refúgio na colina salvadora, entre muros ainda não concluídos.

Por graças de Deus e auxílio da Virgem, entre os retirantes havia jesuítas, alguns com aptidões militares.

—Precisamos usar os canhões – teria sido uma das ordens de um dos guerreiros de preto.

Mesmo sem especialistas na arte da guerra, canhões foram carregados e mesmo disparados.

—Por acaso, mão de Deus, um dos tiros, dado a esmo, alcançou a carroça que transportava a pólvora do inimigo – as informações vinham de antigos manuscritos.

—A explosão foi devastadora; muitos mortos e feridos entre o inimigo surpreso. Sem pólvora não havia como tomar a fortaleza. A retirada era a única possibilidade para os invasores.

—Vendo a fuga. Animados por fervor desconhecido, os poucos soldados, mulheres, crianças, escravos e mesmo sacerdotes desceram o morro gritando contra os hereges.

—Macau estava a salvo. Se não fosse a providência divina, hoje estaríamos falando holandês – afirmava o meu guia, em castiço português.

Quanta emoção ao visitar o Museu Histórico de Macau, rever as fases de implantação da colônia, o seu desenvolvimento, o comércio, a integração com os chineses. A mistura de raças, de costumes, a culinária lusitana que ainda hoje faz parte da gastronomia local. A arquitetura vinda de Lisboa, as procissões, a mistura com os habitantes locais, as fábricas de foguetes e de fogos de artifício, tudo recorda a gente lusitana.

Livros, dicionários, mapas com caracteres chineses, a mistura de duas culturas. Cristianismo e Taoismo. Intuição e Matemática, são pilares que podemos rever nos museus de Macau.

Macau, hora e pouco de Hong Kong, mesmo com o passar dos séculos, mesmo com a redução das pessoas que falam o português, ainda é local que merece a visita.

Atualmente, chineses vindos do Continente, aqui chegam para aprender a língua de Camões. Mercados mundiais, como o do Brasil, exigem que os novos comerciantes conheçam a língua portuguesa. A China está ávida por novos mercados. Macau de novo fará a interface.

Goa, na Índia, e Macau, na China, sempre serão recordadas pelos povos de fala portuguesa como baluartes na expansão rumo à Ásia.

Nas ruas, pastéis tipo Santa Clara, são tradicionais nas boas vindas; acompanham aquele café amigo. É herança típica de Portugal, tão distante, mas que vencendo mares traiçoeiros e deuses vingativos, fincou sua bandeira em Macau. Salve brava gente e marujos de Portugal! A Eternidade é pequena para tantos versos e louvores.

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