Áquila e seu irmão

Bem no alto do pinheiro, ponto mais alto do vale, dois ovos estavam no ninho. Para as águias, era normal, das duas possibilidades, a certeza de que pelo menos um deles manteria a espécie.

Áquila, o primeiro a nascer, o mais forte, não seguia a tradição de dominar o seu ninho, de matar pela fome o irmão mais fraco. Para a surpresa dos pais, eram dois os novatos a enfrentarem as primeiras lições de voo.

Como participantes do topo da cadeia alimentar, dominavam as alturas, não precisando se preocupar com a retaguarda. Senhores dos céus, vulto escuro, pescoço com penas brancas, a águia americana é símbolo nas regiões do norte do Alasca.

Desde cedo formaram uma dupla de respeito. Caçadores vindos dos ares, garras preparadas, prontas para o ataque para capturar a presa descuidada. Coordenados no ataque, na espreita, a dupla era imbatível. Um no alto sinalizava o perigo ou a presa, o outro procurava ficar oculto entre nuvens ou pelas alturas das encostas.

Quando a lebre assustada ou a perdiz medrosa tentavam escapar para o refúgio. Do lado contrário chegava o perigo.

Como irmãos, os dois repartiam o alimento. Ao contrário dos demais, não havia discussão ou briga na divisão dos despojos. Como trabalhavam em dupla, a recompensa era para os dois. Não interessava qual a garra vencedora, a presa seria dividida entre parceiros.

Para os índios da região, aquela dupla agora era representante dos deuses. Navajos, Sioux, agregavam às suas lendas, as histórias da dupla presente nos céus, entre os canyons, os desfiladeiros e os picos das montanhas nevadas.

Nos seus ritos, as penas obtidas das águias, deveriam ornar os cocares dos chefes, dando-lhes a altivez e o orgulho de entes soberanos.

Para , planar usando o efeito das correntes ascendentes, a possibilidade de curvas suaves, de manobras ousadas, de malabarismos nunca antes tentados, era o divertimento do dia.

— Vamos tentar acrobacias diferentes — dizia Áquila, estimulando o seu irmão.

Parecia estranho para os olhos humanos, aquele balé nas alturas. Sincronia perfeita de ações, de movimentos e de evoluções.

O maior prazer da dupla, na época em que os salmões subiam nos rios, no processo de desova, era capturar o alimento, disputado pelos ursos famintos. Os imensos ursos cinzas ficavam frustrados quando, vindos dos céus, aquela dupla capturava com tanta facilidade os salmões que tentavam fugir das suas bocas.

Hoje é dia de divertimentos, momentos de assustar os ursos pardos da região — Áquila estava prevendo minutos de aventuras, estimulando o irmão para despencar dos céus em mergulho perfeito.

eram peritos na arte e mais ainda em enganar os colegas ursos. Era divertido deixar os imensos cinzentos de boca aberta, o salmão já fora roubado pela dupla tão famosa nas terras do Alasca.

Mais lendas eram criadas, nas aldeias dos índios, junto às fogueiras, à medida que a atuação das almas gêmeas ultrapassava as fronteiras.

Um dia os dois deveriam escolher rotas diferentes, o destino exigia parcerias, novos filhotes, novos destinos, novas histórias, outros desconhecidos.

Seria hoje a despedida?

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22 respostas para “Áquila e seu irmão”

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