Dom Pedro II.Majestade Imperial e Defensor Perpétuo do Brasil. O Imperador Viajante

Dom Pedro II.Majestade Imperial.Imperador Viajante

Dom Pedro II. Majestade Imperial e Defensor Perpétuo do Brasil. O Imperador viajante

O nosso segundo Imperador, no Brasil, não tem o seu valor reconhecido como pessoa, como agente político, como intelectual, como poliglota e homem que, nas viagens, além de divulgar a sua nação, procurava estar ao par do desenvolvimento tecnológico em curso no mundo da sua época.

Com a renúncia do pai, pois Dom Pedro I assume o trono em Portugal, com 5 anos é declarado Imperador do Brasil, posto que só assume com sua maioridade declarada aos 14 anos. Sua educação o preparou para o bom desempenho das suas funções. Apesar das dificuldades, dos conflitos e das revoluções como a Guerra Contra Rosas, a Guerra do Uruguai, as confusões Cisplatinas e Guerra contra o Paraguai, manteve a integridade do país.

Desde cedo, talvez pela ausência dos pais, adota ritmo de aprendizado exaustivo. Órfão de pai aos 9 anos, já perdera a mãe logo depois do nascimento. Um apaixonado por livros, pela ciência, pela cultura, pela literatura e por línguas.

“Nasci para consagrar-me às letras e às ciências”

Forma personalidade que o tornará excelente administrador no futuro. Adota a política do mérito e da moralidade na escolha dos funcionários. Exige que os políticos trabalhem 8 horas por dia. Ele mesmo, incansável, tem jornadas das 7horas da manhã às 2 horas da madrugada. Veste-se com roupas simples, escuras. Elimina as festas e os saraus. Não aceita o aumento do seu estipêndio anual. O traje imperial só é usado nas aberturas da Assembleia Nacional. A roupa de gala só em solenidades. Vida espartana para um imperador.

“Considero que despesa inútil do Governo é furto à Nação”

No início inseguro, de pouca fala, aos poucos, domina as intrigas palacianas, controla as disputas políticas e como Monarca Constitucional exerce o poder moderador entre os partidos Conservador e Liberal. Controla e evita crises. Defensor dos direitos civis, estabelece audiências públicas onde escuta as petições de todos, inclusive de escravos.

“A política não é para mim senão o duro cumprimento do dever.”

Mesmo contra a escravidão, não tinha poderes para acabar com a chaga social, dependia das decisões da Assembleia Nacional. Mas em 1850,atua, sobre pressão do Reino Unido, na assinatura do Tratado que acaba com tráfico de escravos. A guerra do Paraguai atrasa as tratativas políticas. Só em 1871 teremos a Lei do Ventre Livre. A última etapa ocorre em 1888,com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Izabel. Data que o Brasil não pode deletar.

Em 1859, viaja pelas províncias do Norte e Nordeste. Foi uma das excursões efetuadas pelo seu Brasil. Escuta e é ovacionado pelo povo. Alto, com 1,90 m de altura, loiro, olhos azuis, tem porte magistral e carisma imperial. Representa a estabilidade política essencial para o desenvolvimento do Brazil. Cria o sentimento de identidade nacional brasileira. Dom Pedro II consolida a nossa Independência.

“Jurei a Constituição, mas mesmo que não a jurasse, seria ela para mim uma segunda religião”

Erudito, patrocina a educação, a arte e a cultura, Cria o colégio D. Pedro II, como modelo para o ensino. Desenvolve a pesquisa histórica; funda a Academia de Música e de Ópera. Apaixonado pela fotografia, deixa nos seus arquivos fotos históricas para a posteridade. Até a astronomia o atraia, instala no Rio de Janeiro o nosso primeiro e primitivo planetário.

Excelente cavaleiro, durante o conflito com Solano Lopes, com o cerco às tropas paraguaias em Uruguaiana, desloca-se por mar até Laguna. Depois, a cavalo, passando por Torres, no norte do Rio Grande do Sul, sua direção é a das fronteiras invadidas. Irá presenciar a rendição das tropas do General Estigarribia para o exército imperial, Apesar da recusa da Assembleia Nacional, decide ir ao local do conflito como Voluntário da Pátria. Sua atuação como estrategista, como diplomata e incentivador à atuação das tropas,é notável.

“Lutarei até a morte, até o último soldado” – as palavras do General paraguaio Estigarribia eram recordadas, quando sem disparar os seus canhões, entrega a praça ocupada para o jovem imperador. As fronteiras do Brasil eram resgatadas, Começaria o lento e sangrento ataque até Assunção e até a morte de Solano Lopes.

A passagem pelo Rio Grande, fica registrada pela contribuição feita pelo monarca para a ampliação da histórica Igreja de São Pedro em Torres. O ano era o de 1865,os anais e a tradição recordam o gesto. Depois da Revolta dos Farrapos, ocorrida durante a sua Regência, a Província estava ainda em situação de anarquia e de recuperação.

Durante os 5 anos do conflito, de 1865 a 1870, incansável a sua atuação na organização das tropas, na aquisição dos equipamentos, na aquisição dos navios de guerra para vencer o bloqueio naval do Paraguai. Não cede as pressões do embaixador inglês Christie e rompe relações com o Império Britânico da Rainha Vitoria. Prepara e fortifica a costa brasileira contra possível ataque da Inglaterra, Inflexível, vence a contenda e recebe depois as desculpas do novo embaixador inglês. Como resultado os encouraçados encomendados pelo Paraguai serão entregues ao Brasil. Sob comando do Almirante Barroso serão vitais na vitória final. O Império do Brasil começa a ser notado pelo mundo. Surge o estadista.

A vitória cobra o seu preço, 50.000 soldados mortos, dívidas correspondentes a 11 vezes as receitas imperiais, no entanto ressurge um gigante na América do Sul, A era dourada do Império permite em 10 anos pagar a dívida de guerra. O Brasil e seu imperador são notícias nos jornais e na mídia, Expansão nos portos, construção de ferrovias, aumento na produção e na exportação do café.

D. Pedro II administra uma Monarquia Parlamentarista seguindo a Constituição,é o poder moderador entre Conservadores e Liberais. Trabalhador compulsivo, austero, usa roupas comuns, evita os excessos da corte, A partir de 1871,começa a fase do repouso e das viagens internacionais. Até 1876, serão duas longas etapas. Sua filha, a Princesa Izabel, como regente vai permanecer quase três anos como a sua substituta oficial. Surge o poliglota e o cientista.

Durante mais de ano, viaja pela Europa. Onde visita o túmulo da sua filha Leopoldina, falecida em Viena e reencontra sua madrasta que vivia em Lisboa. Impressiona pelo seu saber e faz amizades com pessoas importantes. Metódico registra em diários, em cartas, os roteiros, os detalhes e as suas observações, tudo acompanhado de fotos. Depois de Londres, da Bélgica, da Alemanha, da Áustria, da Itália, vai para o Egito, para a Grécia, para a Suíça e a seguir para a França. Fluente em inglês, em francês, em alemão, em espanhol, em italiano, ao todo podia se comunicar em 16 línguas, incluindo o árabe, o grego, o hebraico, o latim e o provençal. O chinês e até o sânscrito eram possibilidades na comunicação. Um prodígio reconhecido por todos. Só retorna ao Brasil em 1872.

Em 1876,visita os Estados Unidos e o Canadá. Nova York, Toronto. Nova Orleans, São Francisco são percorridas. Mas na Filadélfia tem aclamação e reconhecimento Mundial. Durante a Feira Internacional do Centenário da Independência Americana é considerado a pessoa mais importante. Os jornais da época são pródigos nos elogios. Thomas Edison e Grahan Bell, Morse entram na sua relação de amigos. Participa das experiências de Bell no lançamento do protótipo do telefone.

“Ele fala” – seriam suas palavras ao constatar a possibilidade de comunicação à distância.

Na sua volta ao Brasil, em setembro de 1877, toma providências para o Brasil ser um dos primeiros a usar a nova tecnologia. Numa abertura para a Europa, o Brasil participa da Feira de Londres (1862), da Feira de Paris(1867) e da Feira de Viena(1873).

“Alívio e liberdade é o meu lema”-era sua resposta quando reclamavam da sua ausência

O Imperador nas viagens pagava, do próprio bolso, as despesas quando não em missão imperial. Hospeda-se em hotéis simples. Sempre fazendo propaganda do Brasil que servia e amava.

“Nada devo e quando contraio uma dívida, cuido logo de pagá-la e a escrituração da minha casa pode ser examinada a qualquer hora.”

Em Washington bem mais tarde, tive oportunidade de ver a remontagem da feira, quando foi possível constatar a veracidade de fatos ocorridos 100 anos antes. A participação do nosso Dom Pedro II, confirma o seu perfil de estadista.

Como homem de visão percebe a importância dos novos inventos tecnológicos para o desenvolvimento do país. Um novo fã entra na lista.

Depois da América do Norte, ainda em 1776,cruza o Atlântico e retorna à Europa. No roteiro: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, Império Otomano e Grécia. Depois, Terra Santa, Egito, Itália, Áustria, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Países Baixos e Suíça. Participa da inauguração dos Festivais Wagnerianos em Bayreuth junto com outros imperadores e reis da Europa. Quando não está em missão oficial, hospeda-se como Pedro de Alcântara, procura escapar da curiosidade da imprensa. Numa visita a Karlovy Vary, estação de águas famosa na Tchecolosváquia, descobri a sua passagem, apenas não foi possível encontrar o hotel de permanência, mas não foi no famoso Hotel Pupp.

No Oriente Médio, atenção especial para a Terra Santa, o Egito e Líbano. Dessa excursão resulta as múmias que podemos ver nos museus brasileiros, bem como a vinda dos sírios libaneses como emigrantes. Na realidade eram cristãos maronitas fugindo das perseguições religiosas do Império Otomano. Na maioria adaptam-se muito bem a uma sociedade que estava recebendo imigrantes de diversas regiões da Europa. Os contatos do nosso Imperador eram vitais para a vida, para o sangue novo, essencial, para o Brasil sair da fase agrícola e escravagista. Dom Pedro pensava no Brasil para o século XX.

Nas cartas, nos relatórios, nos diários, aparecem famosos e intelectuais. Charles Darwin, Victor Hugo, Wagner, Pasteur, Grahan Bell, Nietzsche, Charcot, Longfellow o poeta americano de Evangeline. Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Frédéric Mistral, Alexandre Manzini e James Fletcher são outros notáveis nas relações.

O único pecado, talvez por falta de professores na arte da economia, pela formação humanista e pouco monetarista, foi a falta de apoio ao Barão de Mauá durante a corrida ocorrida ao seu banco em Montevideo. A derrocada do maior investidor do Brasil, um possível Rockfeller brasileiro, impediu o nosso crescimento industrial. Perdemos a oportunidade de correr ao lado dos americanos no plano mundial.

Infeliz no campo familiar, perdeu seus herdeiros masculinos ainda crianças. Seu casamento por procuração com princesa siciliana foi decepção A fotografia enviada no medalhão escondia a realidade. Sua noiva não era bonita, baixa, um pouco gorda e coxa. Como Imperador assumiu responsabilidade não aceita como homem. Teria dito para sua mãe de criação:

“Fui enganado, Dadama.”

Sua terceira viagem para a Europa foi para tratar da saúde, estava cansado, fraco, descrente da continuação do seu Império. Mesmo permitido pela Constituição, o Brasil não aceitaria uma mulher como Imperadora, ainda mais casada com estrangeiro. As fotos mostram o que pagara em saúde para exercer as suas funções. Mesmo na filatelia podemos ver nos selos a evolução da sua imagem, Barba preta e barba branca, evoluindo na sua fisionomia.

Não reage ao golpe de 1889,às ideias dos militares e dos jovens políticos de uma República Positivista e Centralista, onde os direitos civis não teriam a mesma salvaguarda de uma Monarquia Constitucional e Moderadora.

“Se assim for será a minha aposentadoria. Já trabalhei muito e estou cansado. Irei então descansar”

Parte para o exílio, onde vive triste, sem recursos, em hotéis modestos. Sua esposa morre logo depois em Lisboa, Em 1991, falece em Paris, onde recebe honras de estadista, Fato escondido no Brasil do Marechal Floriano Peixoto, vice-presidente do Marechal Deodoro da Fonseca, militar afastado do poder pelo seu companheiro.

“Deus que me conceda estes últimos desejos – Paz e Prosperidade para o Brasil.”

Desde a República, o Brasil viverá fase de dificuldades políticas, de quarteladas, de revoltas, quedas de presidentes, de ditadura, de revoltas e destituições, de fraudes e de corrupção.

Em 1921. Dom Pedro II fará sua última viagem. Seus restos mortais e os da sua esposa retornam ao Brasil. Recebe acolhida de Magnânimo Imperador, sendo sepultado no mausoléu de Petrópolis No Museu Imperial vamos encontrar o acervo das suas obras e bibliotecas onde estão os 60 mil livros que ele leu , onde aprendeu e guardou as lições necessárias. Herança que precisamos resgatar.

Após a morte, na câmara mortuária, sua cabeça repousa sobre um livro, símbolo da sua existência. No seu caixão, pedido escrito era cumprido. Pacote de terra de várias províncias, companheiro dos últimos anos, é colocado na sua morada eterna.

“É terra do meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora da minha Pátria”

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76 respostas para “Dom Pedro II.Majestade Imperial e Defensor Perpétuo do Brasil. O Imperador Viajante”

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