Instituto de Física da UFRGS. Sessenta Anos de Lembranças

Instituto de Física da UFRGS

Sessenta anos de lembranças. Instituto de Física da UFRGS

Marco na minha vida, inesquecível 1959; calouro da Escola de Engenharia da UFRGS, novas portas para abrir e enfrentar. Começava uma jornada.

Sem o saber, também era o início, a fundação do Instituto de Física, mais alguns anos e haveria encontro ainda mais importante.

Com bolsa de iniciação científica, além de atuar em trabalhos científicos com pesquisas, teria oportunidade de manter contato com profissionais brilhantes, alguns com comportamento bem diferente, — os físicos não são cartesianos. Era importante dispor de laboratório, de equipamentos adequados, da possibilidade de participar em pesquisas exclusivas. No futuro seríamos parceiros, outra encruzilhada a enfrentar.

Na Escola de Engenharia, os laboratórios eram antiquados, apenas experiências padrões eram possíveis. Os alunos não tinham a mínima oportunidade de treinar e ampliar as suas habilidades. As máquinas elétricas, barulhentas, assustavam os novatos. Apenas teoria.

No IF, muitos físicos, professores e engenheiros, retornando dos Estados Unidos e da Europa, traziam novos conhecimentos. Havia uma revolução tecnológica no planeta com o surgimento do transistor e da física dos semicondutores. Na Escola de Engenharia só se falava em válvulas eletrônicas. Começava uma guerra. Nomes importantes precisavam ser decorados: Gherard, Darcy, Fernando, Alice, Irineu, Celso Muller.

Toda a biblioteca disponível teria de ser jogada fora; livros didáticos, com anos de uso, não tinham mais razão de ser. Novos conceitos matemáticos, outro tipo de aula prática, o uso de osciloscópios, a visualização e o registro de variáveis elétricas e mecânicas, a técnica dos pulsos digitais, os fenômenos transitórios; imprescindível recuperar o tempo perdido.

Os nomes de Paulo Petry, Alquindar de Souza Pedroso e Lélio Pietro Carissimi, destacavam-se entre os meus mestres. Quantos cursos noturnos seria preciso assistir? A defasagem quase insuperável. Ter coragem de enfrentar o desconhecido. Aprender línguas estrangeiras.

Para obter verbas e equipamentos, o IF mantinha convênio com entidades internacionais. Intercambio permanente de professores, físicos e pesquisadores. Sair da Província é a lição nunca esquecida. É preciso cruzar a fronteira do Mampituba, ir mais longe, buscar novas fontes de conhecimento.

Não se pode ficar isolado do mundo. Porto Alegre, como muitos pensam, não é o umbigo do universo. O provincianismo folclórico, vaidoso e inútil, exigia mudanças.

Trabalhar com físicos era até divertido. Os métodos de trabalho estranhos. Falava-se em plasma, raio laser, ressonância molecular, efeito Moss-Bauer. Prêmio Nobel de Física deu conferência em Porto Alegre.

Não entendi quase nada da palestra. O reitor, como convidado, não compareceu.

Devido a burocracia, componentes e equipamentos eram contrabandeados. Não havia tempo para trâmites legais. O progresso exigia decisões em tempo real.

Físico, com passagem para Londres, Inglaterra, levava equipamento antigo e sem utilidade, mas com registro legal. Na chegada, em Londres, para o trambolho o destino foi a lata de lixo. Estava aberta a possibilidade de trazer um equipamento de laser novo, imprescindível às pesquisas em desenvolvimento no IF.

Quatro anos no IF foram essenciais para estimular e desenvolver a minha curiosidade científica; bases sólidas para a minha atuação profissional foram estabelecidas. Como professor em várias universidades, engenheiro e agora como escritor é preciso agradecer a oportunidade recebida!

Felipe Daiello

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366 respostas para “Instituto de Física da UFRGS. Sessenta Anos de Lembranças”

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