Emanu – EL – A Sinagoga Maior de Nova York

A 5ª Avenida em Nova York, além das lojas de alto-luxo, a partir do Central Park, o trecho conhecidocomo Avenida dos Museus abre perspectivas novas para o turista que chega.

O Metropolitan, com sua coleção fantástica em qualidade e variedade, exige diversas visitas. O planejamento é essencial para melhor aproveitamento das visitas. Não se perca no cansaço dos pés.

O “New Museum”, além do acervo sobre a cultura germânica no início do século XX, apresenta a obra prima do pintor Gustav Klint. Considerado a Mona Lisa da Áustria, apresenta o retrato de Adela Block. A “Dama Dourada”, como ficou conhecida, atrai multidões de espectadores. Filme de Hollywood, “The Golden Dame”, ao apresentar a saga de recuperação da obra de arte confiscada pelos nazistas, desperta curiosidade mundial. Interessante rever o filme antes de visitar a galeria e encontrar outras pinturas de Klint no acervo. Vale o desvio.

Da mesma dimensão que a Catedral de St Patrick, bem na esquina da 65th Street, uma das maiores sinagogas do mundo, maior que a de Budapest, Emanu-EL exige apresentação e requer atenção redobrada.

Com a chegada de milhares de migrantes de fala germânica entre os anos de 1835 e 1855, congregação, para apoiar a maioria, sem recursos para sobrevivência, em ambiente hostil e com língua estranha, surge para ajudar os recém-chegados.

Com o tempo, a Congregação Emanu-El, se transforma em Sinagoga. Muitos outros templos foram etapas da passagem para a construção do prédio atual inaugurado em 1927.

Em função da característica dos hebreus que chegavam, a congregação inicia atuação de destaque nos Estados Unidos. Com caráter reformador, adapta os ritos judaicos ao modernismo da nova pátria, de Estados Unidos que ameaça atingir musculatura mundial.

Não é necessário usar Kippah para as preces, a separação de sexos é abolida, as famílias estão unidas, lado a lado nas orações e nas prédicas.

Os procedimentos litúrgicos se afastam dos excessos dos ortodoxos, o que diferencia até hoje essa sinagoga das demais de Nova Iorque.

O prédio, estilo neorromântico projeto dos arquitetos Clarence Stein, Robert Kohn e Charles Butler, se destaca pelos vitrais, pelos mosaicos e pelas portas em bronze com seus detalhes que recordam símbolos bíblicos e de tradição milenar. Não esqueça a acústica ressaltada durante os funerais de George Gershwin em 1937. A “Rhapsody em Blue” teve a sua apoteose.

A visita externa é obrigatória para o apressado turista que ainda precisa conhecer o Museu Guggenheim e mais além, já perto do Harlem, o Museu Hebraico de Nova York, com as memórias dos pioneiros que chegavam em busca se liberdade.

Deus esteja contigo, é a mensagem que resta quando nossa visita termina. A sinagoga atualmente agrega quase três mil famílias.

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Sinagoga de Miami

Era época de primavera, flores nas cores e no verde exuberante nas árvores, quando De Soto, explorador espanhol aqui aportou em 1513.

-Que Terra Florida- foi sua expressão na surpresa da descoberta.

Termo que reduzido, ao longo dos anos, para Flórida concretiza essa terra de sol, de pântanos, de jacarés, de mosquitos e de belas praias de Caribe sempre azul.

Ponce de Leon mais tarde, em busca da famosa Fonte da Juventude, enfrenta dificuldades e a ferocidade dos Seminoles, indígenas que habitavam o interior com seus alagados protetores.

Nas cartas das expedições, menções aos cristãos novos – os marrones como eram denominados – aparecem nos registros. O apelido estava associado aos suínos cuja carne era proibida ao consumo dos hebreus

Mesmo convertidos, antigos hábitos não desapareciam. A ingestão de produtos suínos continuava sendo proibida; razão da denominação, pois a palavras marrone no espanhol, está associada ao porco.

Devido aos terríveis furacões, aos pântanos e a hostilidade dos nativos, povoações não foram estabelecidas ao longo da costa, sendo mesmo raras no início da colonização

Apenas, ao Norte, na direção da atual Georgia, o estabelecimento de Saint Augustine prospera. Com o forte de San Marco, protegendo a entrada do porto, a vila cresce em importância. Ponto de apoio às frotas de prata que partiam de Havana, de Cartagena, de Porto Belo e mesmo de Porto Rico, tomando o rumo de Sevilha, de Cadiz, pelo caminho descoberto por Cristóvão Colombo.

Com as guerras europeias, com as lutas religiosas, Saint Augustine troca de mãos e de bandeira. Com os ingleses como senhores, mercadores hebreus chegam e uma sinagoga é instalada. Ela continua ativa até os nossos dias.

O Templo Bet Yan, primeira Sinagoga construída na Florida, da Congregação Filhos de Israel, já foi notícia na minha serie “Sinagogas do Mundo” e se encaixa numa cidade que nasceu espanhola em plena América do Norte, e ondecongregação de pioneiros se estabeleceu no início dos anos de 1800.

O primitivo templo foi substituído pela atual construção, onde os vitrais, recuperados em 2013, se destacam pela beleza e pela harmonia das cores.

Visita ao bairro antigo de Sant Augustine inclui obrigação de conhecer esse monumento histórico.

Nos séculos XIX e XX, com a expansão das ferrovias, inicia-se lenta ocupação das terras adquiridas pelos Estados Unidos à Espanha. O comércio, as novas fronteiras, reforçam e estimulam a vinda de novos membros da comunidade da Nação. Surge pequena Sinagoga em Miami.

No estilo art-nouveau, encrustada ao sul de Miami, a antiga sinagoga, agora transformada em museu judaico, conta a história do povo hebreu e a sua importância no desenvolvimento dessa região de flores, de praias, de lagunas e de cayes. A Florida atrai pelo clima; refúgio para os que fogem dos invernos rigorosos de Nova York.

Miami Beach é o resultado da contribuição da comunidade, hoje apenas superada em número pela de Nova York. Paraíso para os aposentados desde os anos cinquenta

Desde 1776, a chegada de pioneiros, lenta no início, foi aos poucos aumentando. Miami, a partir de 1895, mesmo com restrições para a localização dos judeus, o espaço ocupado começou a ser ampliado. Pequenos negócios, organizações comunitárias, escritórios de turismo, hotéis , bem como a vinda de aposentados para o sul, estimulam a expansão. Quem não se lembra dos velhinhos, sentados nas suas cadeiras, lado a lado, dispostos pelas calçadas e pelas ruas; fugitivos dos rigores dos invernos do norte dos Estados Unidos e do Canadá. Os anos 50 já estão longe. Velhos hotéis e casas de abrigo deram lugar a prédios modernos e hotéis de cinco estrelas. O clima continua atraindo mais velhinhos e “retireds”. Empresas de navegações ampliam os cruzeiros pelo Caribe, os temas turísticos se multiplicam, o complexo de Walt Disney torna-se atração mundial, navios com luxo crescente e dimensões que não param de aumentar, ampliam a importância de Miami e da Florida. Polo de turismo estimula a vinda de novos membros.

Em Miami Beach, perto da Collins Avenue, a Sinagoga, agora museu, recolhe as lembranças dos primeiros que aqui chegaram.Ao lado, o Templo Emanu-El, construído em 1947, acompanha na arquitetura o estilo mouristico, com a bela cúpula de alumínio que destaca a formaem rotunda do prédio.

Não muito longe, para completar a peregrinação, o monumento ao Holocausto se destaca pela elegância do projeto, pela urbanização e pelo conjunto do verde ajustado as cores e ao perfume da Florida, mensagem que reflete o drama de toda a humanidade. Vale a viagem.

Sinagoga Espanhola em Roma. Origens de Séculos

Na Roma antiga, bem antes da destruição do Templo de Jerusalém pelas legiões de Tito em 70 d.C., a presença dos hebreus, através de comerciantes, já era registrada.

No livro de Macabeus, encontramos os primeiros relatos da presença judaica em Roma. Com a destruição do templo pelas Legiões de Tito, conforme inscrições no Arco levantado em Roma é possível acompanhar cenas da campanha, bem como descrição de artigos sagrados pilhados em Jerusalém.

No porto de Óstia, no setor portuário, vestígios de antiga sinagoga foi descoberta pelos arqueólogos. Óstia, na foz do rio Tibre, era a porta de entrada para todas as mercadorias que o Império Romano trazia das províncias conquistadas pelas suas legiões.

Com a reconquista de Granada, em 1492, a política dos reis católicos de consolidação do país em torno de religião única, com o suporte do Cardeal Cisneros, provocou fluxo emigratório, nova diáspora; alguns dos perseguidos para evitar conversão forçada chegam até Roma.

Ao iniciar o processo da Inquisição, o Papa Sixto V, obrigou a comunidade a ocupar pequeno espaço junto à Ilha Tiberina. Surgia o gueto de Roma. Local restrito, com portas lacradas, isolando os seus habitantes dos demais cidadãos de Roma.

Numa curva do Tibre, na ilha Tibelina, enclave denominado de Gheto abriga os refugiados. Amontoados, sem todos os direitos políticos reconhecidos, perseguidos por bulas papais, a vida não é fácil.

Garibaldi, na sua campanha pela liberdade, em luta contra a Áustria e os Estados Papais, recebe o apoio dos judeus, que tomaram armas para conseguirem dupla libertação.

Só em 1904, decreto real estabelece plenos direitos civis para os hebreus, não mais cidadãos de segunda classe na Itália.

– Os judeus na Itália são diferentes em tudo, primeiro porque somos na essência italianos – palavras da minha guia, expressando-se em inglês.

Até a construção do Templo Maior, no período de 1901 a 1904, Sinagoga Espanhola era local de oração e dos serviços religiosos da comunidade. O templo, pequeno nas dimensões, segue a arquitetura típica dos sefarditas. As fotos em anexo apresentam a realidade de séculos passados, difíceis de suportar, em função da intolerância total da Igreja Católica e do Vaticano.

Na entrada, galeria de mármores antigos apresenta retrospectiva de séculos passados. Frontespício de fonte pública de água, permissão obtida por decisão papal, com a representação das sete velas é peça de destaque. Restos de placas no mármore, removidas de várias partes da Itália, inclusive de Óstia, nos dão uma visão de época de dificuldades e de glórias. Até a aquisição de espaço para o cemitério exigiu muito trabalho.

Para construção do Templo Maior, autorizado por edito do Rei Emanuel III, quando os hebreus adquirem plena cidadania como cidadãos italianos, boa parte do gueto foi demolido, incluindo os muros que segregavam a comunidade da Roma Eterna dos Césares.

Mas o Templo Espanhol é preservado. Sua edificação foi anexada ao novo prédio e ao Museu Hebraico de Roma.

É possível encontrar lápides removidas de antigos cemitérios, manuscritos de séculos passados, bem como rever objetos utilizados nos tradicionais ritos litúrgicos. Mais de 2.000 anos de história surgem para os crentes e os curiosos de ofício.

Como funcionava a administração do espaço urbano, como era feita a instrução dos jovens, as organizações assistenciais aos pobres e aos velhos, como a cozinha estava preparada para seguir os ritos religiosos,tudo pode ser acompanhado passo a passo.

Depois devemos conhecer o Templo Maior, construção magnífica. Na inauguração a presença do rei da Itália era o fato marcante. Noutra oportunidade apresentaremos a descrição e as fotos de mais uma Sinagoga do Mundo.

O período nazista provocou estragos na pequena comunidade, poucos retornaram dos campos de concentração e do holocausto.

Com a criação do Estado Judeu em 1948, o Rabi Prato festejou o evento com a comunidade junto ao Arco de Tito. Símbolo de escravidão, de vergonha, nenhum judeu ousava passar pelo arco. Quase 2.000 anos foram necessários para acabar com o castigo, ou maldição segundo alguns.

– Hoje, somos quase 40.000. Diferentes dos demais, ainda nos consideramos italianos – palavras da guia, explicando e justificando as perguntas levantadas.

– Queremos viver em paz, sem o perigo de enfrentar atos terroristas, mas agora sabemos que precisamos lutar caso necessário – concluiu após a nossa visita.

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Sinagoga El Nabi Daniel. Alexandria

À primeira vista a arquitetura da sinagoga desperta antigas recordações.

Antes da primeira destruição do Templo de Salomão, hebreus em diáspora já viviam nas planícies do Delta do Nilo. Com a fundação de Alexandria em 332 a. C. a história se renova.

Alexandre o Magno amplia o porto; a urbanização implantada é modelo do helenismo, o plano da cidade favorece a circulação dos ventos. A concentração da administração, a expansão do comércio transformam a região.

Com a morte do conquistador, começa a dinastia dos Ptolomeus, as raízes egípcias são esquecidas, apagadas. O helenismo é a mola do novo progresso. Com as guerras sírias, Ptolomeu II conquista e saqueia Jerusalém; novos imigrantes chegam como mão de obra servil para Alexandria. Outra diáspora. Israel e Judá, na rota dos conquistadores que cobiçavam as riquezas do Egito, sempre sofriam as consequências. Suas populações, forçadas, conhecem novas terras e aprendem línguas e costumes estranhos.

A localização estratégica de Alexandria concentra riquezas: bronze da Hispânia, sedas da China, estanho da Bretanha, especiarias da Índia. Em Pharos, ilha próxima, farol guia e orienta as naves vindas de todos os portos. Cento e vinte metros de altura, maravilha do mundo antigo, abrigo seguro para marinheiros de múltiplas línguas e credos.

A importância dos “Bnei Ysrael” reflete-se nos bairros ocupados e na publicação de trabalhos literários. Surge Escola Hebraica, caldo de cultura em expansão, liberdade de palavras e de pensamentos. Paraíso para expressão de filosofia. Bíblia traduzida para a língua de Homero, discussão sobre a interpretação das leis mosaicas. Os escravos vindos da terra natal eram libertados com apoio da comunidade. Obrigação milenar. Necessidades.

O conhecimento, a sabedoria, o moderno em matemática, em arte, em literatura e mesmo em religião tem Alexandria como base; estamos em 285-246 a. C. . A comunidade obtém privilégios e conquista a liberdade de culto; a Bíblia dos 70, do sábio Filon, será marco importante no início de nova época, numa nova contagem dos séculos.

A invasão do Egito por Pompeu introduz novo conquistador. Roma é a senhora do mundo. Novos personagens em Alexandria: Júlio Cesar, Cleópatra, Marco Antônio e Otávio. O trigo do Egito, embarcado em Alexandria, fornecerá o pão necessário para controlar a plebe em Roma. Mais de 50% do cereal necessário provém de Alexandria; com o circo agregado obtém-se o controle político de Roma.

Em 48 a. C., incêndio queima parte do acervo da biblioteca. Prenúncio de mudanças no futuro. Para fugir às perseguições do Rei Herodes, famílias procuravam abrigo junto as comunidades que viviam no delta do Nilo. A Bíblia relata o fato.

O cristianismo chega com o evangelista São Marcos. Os cooptas ampliam a sua influência, mas Roma ainda é a senhora do Mediterrâneo. Caracala, em 215 d. C., após ser vaiado numa corrida de bigas, dizima a elite da cidade. Maremoto submerge parte da cidade, em 391 d. C.; incêndios alteram o perfil de Alexandria e a biblioteca é quase destruída.

Em 642 d. C., com os árabes, os novos senhores, ocorre a destruição definitiva do maior acervo cultural do Mundo; em Viena encontramos um único resquício da importância cultural de Alexandria – fragmentos de papiros.

Mesmo com a alternância dos senhores e das leis, os descendentes dos primeiros hebreus não perdem sua importância; necessários ao desenvolvimento dos negócios, pois Alexandria sempre será polo estratégico para qualquer novo conquistador.

A comunidade convive com modernos dominadores: Napoleão Bonaparte, depois os ingleses após vitória naval do Almirante Nelson em Abukir, baía não muito longe de Alexandria.

Em 1942, os tanques de Rommel foram detidos em El Alaimen, 100 quilômetros longe no deserto. O sonho de Hitler de dominar os campos petrolíferos da Pérsia, com a tomada do Canal de Suez, chegava ao fim.

Mais de 100.000 judeus viviam em Alexandria, quando, a partir de 1940, recomeçam as perseguições por fanáticos muçulmanos. As guerras entre árabes e judeus, a criação do Estado de Israel, provocam o êxodo. O fechamento do Canal de Suez em 1956, os novos conflitos, a Guerra dos Seis dias são motivos para novas fugas. Convivência milenar chega ao fim.

Poucos ficaram para manter tradições, apenas velhos guarnecem os locais sagrados. Escolas e sinagogas estão vazias.

A sinagoga de El Nabi Daniel é beleza e símbolo para ser conservado, mesmo sendo apenas outro museu. Não pode ser esquecida ou destruída.

Nos dias de hoje, ofundamentalismoradical islâmico é ameaça crescente. Nem as humildes igrejas dos cooptas escapam de ataques frequentes. No início do século XXI, a nova biblioteca moderna,construídacom o apoio da Unesco, mais de 200 milhões de dólares, representa o renascimento cultural de Alexandria, a volta às raízes.

Graças as fotos de colaborador é possível apresentar as belezas de El Nabi Daniel; algo que é preciso divulgar e conservar mesmo em face das hostilidades previsíveis. As antigas preces ainda são murmúrios que devemos recitar: “Modê ani lefanêcha, Melechchai Vecayam. Rabá”

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SINAGOGA PORTUGUESA DE AMSTERDAM

Origens no Brasil.

Perto de Visser Plein, não longe do antigo mercado, prédio característico, arquitetura dos anos 1.600, abriga a antiga Sinagoga.

A comunidade hebraica de fala portuguesa na Europa, aos poucos procura abrigo em porto que inicia sua expansão no final do século XVI;Amsterdam é a esperança renovada.

Os recém-chegados, com poucos recursos, fugindo da península ibérica, obrigados a êxodo, onde deixavam todos os seus pertences e ativos, aqui chegavam em quase completa miséria.

As zonas pobres, localizadas perto do porto, do Nieuw Markt, com aluguéis baratos, era o único refúgio disponível.

Com o tempo, a comunidade prospera e começa a aumentar em número e prestígio.

Durante a ocupação holandesa no nordeste do Brasil, principalmente em Recife, é parte importante no comércio estabelecido entre os Países Baixos e a nova colônia. Por falarem a língua local, eram essenciais no intercâmbio, onde o açúcar era o ativo de retorno.

Época em que se constrói a primeira sinagoga no Brasil. Muitas famílias vindas de Amsterdam ali se estabeleceram. Local, onde hospitais, escolas foram edificadas. Época em que o nome do rabino, Isaac Aboab da Fonseca, é colocado na história.

O interessante é que a Sinagoga portuguesa é toda decorada com a madeira dos jacarandás, material proveniente das terras ocupadas no Novo Mundo.

A Sinagoga foi inaugurada em 1675, época em que os holandeses já tinham sido expulsos de Recife, o que motivou o retorno de muitas famílias estabelecidas no Brasil enquanto outras iam para a ilha de Manhattan. A construção seguiu projeto do arquiteto Elias Bourman que começou as obras em 1671.

Após o término da 2ª. Guerra Mundial, com o holocausto da população judia na Holanda, poucos restaram na Congregação Portuguesa, mesmo assim os ritos se dão conforme as regras litúrgicas originais dos serfarditas. A Sinagoga, por milagre, escapou da destruição patrocinada pela ideologia nazista. Foi usada como estrebaria pelo exército alemão.

No final do século XVI, a partir de 1596, famílias portuguesas de ascendência judaica, muitos cristãos-novos,procuram Amsterdam como refúgio religioso e local de maior liberdade. Inclusive os serfarditas vindos da Espanha e que haviam obtido abrigo provisório em Portugal não tinham outra escolha. Para escapar da Inquisição e como a Espanha era inimiga terrível daHolanda, aqui os judeus-espanhóis se autodenominavam de portugueses para evitar novas e ferozesperseguições.

Não queriam se confundidos como inimigos das Províncias Rebeldes da futura Holanda.

No início do século XVIII, a comunidade já contava com mais de 2.500 membros, muitos possuíam prestígio político, reconhecidos como detentores de fortuna e de elevada cultura. Observando os anais e os arquivos, vamos encontrar nomes famosos como David Ricardo, o proscrito e rebelde Baruch de Espinoza, Isaac Pinto e o rabino Isaac Aboab da Fonseca- nome ligado a construção da Primeira Sinagoga do Brasil.Por sinal ,o primeiro rabbi das Américas foi um dos responsáveis pela excomunhão do rebelde Espinoza.

Com o tempo, outros imigrantes judeus, os Asquenazis, vindos do leste europeu, mais pobres, menos cultos, sobrepujaram em número a Comunidade Portuguesa de Amsterdam.

Mesmo assim, a “Esnoga”, como é conhecida, fica como marco da influência dos judeus de fala portuguesa na Era Dourada de Amsterdam.Depois o Museu Judaico , em frente ,nos convida para a continuação da peregrinação.

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