Vivaldi e As Quatro Estações em Veneza

Mesmo com o passar dos séculos, Veneza ainda reverencia o seu grande músico. Sua arte aparece nos recitais, nos teatros, nas igrejas e nas salas de espetáculos dos palácios construídos na sua época. Artistas, vestidos no estilo de 1700, apresentam aos visitantes as obras daquele frágil sacerdote, cuja saúde não possibilitava que ele exercesse as funções religiosas. Isento das atividades sagradas, era incansável no ensino da música para os jovens, no uso dos instrumentos e na elaboração das suas óperas, das suas cantatas e peças para o violino. Famoso, era requisitado em Viena, em Praga, em Budapeste e Berlim. Em Veneza, o Teatro Fenice era o local escolhido para as suas apresentações. Não perca o desvio.

Vivaldi produziu 77 concertos e 46 óperas, mas “As Quatro Estações“ é a sua obra-prima, a que todos conhecem Lojas especializadas vendem todo o acervo do gênio. Podemos escolher a orquestra e o maestro.

Hoje é fácil chegar à Veneza. De navio, de avião, de carro, de trem, é preciso depois encontrar caminho para uma das ilhas da laguna. Poucas ilhas são habitadas, só uma permite a circulação de veículos. Em Veneza, entremeada por canais, com pontes e pontilhões, por ruelas sem destino, é fácil perder o caminho, principalmente de noite.

Tudo circula por embarcações, por gôndolas, por vaporetos e lanchas rápidas. O transporte fluvial é caro; a sugestão é comprar passe livre por 48 ou 72 horas, planejar o uso racional dos ônibus aquáticos é o primeiro passo, depois podemos ir para todos os lados, para as ilhas próximas como Lido, Murano e Burano. Com os seus 300.000 habitantes, Veneza parece pequena, mas a distância entre dois pontos, duas igrejas, nunca é uma linha reta. As distâncias enganam ficar perdido é fácil, pedir informações para outro turista nunca nos leva para a posição requerida. Ele também está extraviado e confuso, alem de não falar a nossa língua. Contornar a ilha, indo de ancoradouro para ancoradouro é a melhor indicação para no menor tempo, sem cansar demais as pernas, descobrir os mistérios de Veneza. Aproveita e faça um piquenique a bordo.

De setembro até abril, época das “águas altas”, mais de 100 enchentes acontecem. Algumas são tão catastróficas que podemos usar jet-ski na Praça de San Marcos. Plano de emergência permite circular através de pranchas elevadas de madeira. Programa a viagem.

– Viver aqui é um inferno, principalmente no inverno – afirmou um local que não consegue mudar de emprego ou vender seu ponto comercial.

Muitos prédios estão desocupados, outros exigem pesadas reparações e alguns têm acesso só por lanchas e gôndolas. Veneza pela noite fica deserta em alguns distritos.

Imagine usar botas no deslocamento, ficar ilhado, com problemas de esgoto, mofo nas paredes e neve rápida em pleno fevereiro, mesmo na época das máscaras tradicionais do Carnaval de Veneza.

Em Veneza, nas lojas especializadas, mesmo nas ruas, podemos escutar qualquer das obras produzidas pelo gênio. Vivaldi representa uma das faces de Veneza. Marco Polo e as suas aventuras está na outra face.

À noite, sala de espetáculos pré-formam as suas obras principais, todos os atores e músicos usando as roupas e os figurinos da época. Difícil a escolha. Fique atento à programação semanal. Alguns espetáculos são grátis.

No Teatro Fenice, tendo sorte, podemos chegar em dias de concertos ou de óperas. Nas igrejas, ao meio dia ou nos finais de tarde, também é possível ouvir repertório que sempre desperta emoções, o que não falta em Veneza, principalmente para casais onde o romance não foi extinto.

Mesmo assim, Veneza sempre atraiu e ainda atrai escritores, artistas, pintores, milionários e amantes em busca de amores ou de prazeres perdidos ou esquecidos. A lista é enorme, e inclui Hemingway, Tchaikovsky, Chopin, Wagner…

Quantos romances, quantos poemas e relatos, quantas páginas e letras foram escritas por quem vivenciou o seu amor em Veneza.

Escutar Vivaldi é voltar no tempo, buscar origens, entender os mistérios, se possível de Veneza, algo difícil, quase impossível. Casanova e a Ponte dos Suspiros são enigmas até hoje.

Na laguna principal, entre dezenas de ilhas e ilhotas, a maioria desabitada, Veneza surge com esplendor. Todas as construções foram executadas sobre estacas de eucalipto, apoio que cede milímetros a cada ano. O projeto Moses tenta evitar as inundações periódicas que ocorrem de outubro a abril, quando as marés são mais intensas. Em 1996, 2 metros de água na Praça San Marco estabeleceu recorde de nível e de prejuízos.

– Não é fácil viver em Veneza, afirmam os nativos.

– De noite a cidade fica entregue aos fantasmas, principalmente na parte central. Alguns palacetes têm iluminação aparente para não indicar abandono. Apenas hotéis, museus, restaurantes e algumas lojas apresentam vida. Apenas nas regiões mais afastadas, próxima dos hospitais, para Canarregio, encontramos população permanente. Mesmo assim, Veneza continua mágica, misteriosa e atraente. Preciso retornar .

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A ÚMBRIA DE SANTA RITA DE CASSIA

Local de difícil acesso, a cidade de Cassia, no meio de vales, mesmo perto de Roma – 200 km -, não tem acesso fácil. Curvas, mais curvas, subidas íngremes e descidas idem, estradas estreitas exigem cuidados dos motoristas. No inverno, o gelo na pista e a neblina são adversários complicados. Dirija carro potente, mas não muito grande, o câmbio manual permite ao bom motorista agradáveis acelerações e manobras rápidas. Burgos medievais, dependurados nas alturas, como galinhas em poleiros, fazem bom contraste nas fotos. Ruelas estreitas, empinadas, nos levam a recordações esquecidas, muitas localidades estão desertas, desabitadas. Burgos fantasmas; apenas velhos que não tem para onde ir aparecem no vazio.

A Úmbria é região de energias elevadas, de grande religiosidade, de santos e proporciona peregrinações centenárias.

São Bento que dizia não a preguiça,não as calunias, arado e cruz como símbolos, unindo trabalho à oração, nasceu em Nórcia, cidade murada, arquitetura típica da Úmbria. Como Rieti, no caminho, também com suas fortificações, é possível descobrir o que ocorreu em séculos passados de tantas lutas.

Santa Rita, a minha padroeira, é o foco da cidade de Cassia; na igreja matriz seu corpo aparece mumificado e em perfeitas condições. Os relatos dos seus milagres atraem fieis, devotos e esperanças para milagres impossíveis. No dia 21 de março, recordação do seu nascimento. Festa de luzes e de fogo dá brilho ao céu da Úmbria. As efemérides da Semana Santa, imperdíveis, retratam fatos e tradições de 850 anos. Os penitentes, pés nus, temperatura no zero grau, arrastam correntes com mais de 10 metros. Na escuridão, apenas velas sinalizam o caminho da fé, marcado por cruzes chamejantes dispostos na frente das igrejas e das encruzilhadas.

Visita à sua casa natal e ao mosteiro onde entrou mesmo sem autorização da madre superiora, restrições devido ao fato de ser idosa e viúva e onde sofreu privações ,são pontos de meditação. O local onde rosas vermelhas, nascidas em pleno inverno, foram encontradas por seu pedido no momento da sua morte é outro local de peregrinação.

– Rosas vermelhas! Tragam as minhas companheiras.

Considerada protetora da família, é a intercessora das aflições diárias de tantos suplicantes. Patrona das causas perdidas. Protetora da família.

No momento da fome, somos mortais e precisamos de alimento, é momento de conhecer a gastronomia local, as lojas e os pequenos mercados.

Zona de javalis, de trufas, os embutidos, as salsichas, muitas vendidas por metro, usam como base a carne de javali. Os molhos com trufas e olivas especiais são coadjuvantes.

O pão de Faro, feito com trigo rústico é adequado ao vinho local.

Não é preciso adquirir vinhos famosos, como o dispendioso Brunelo de Montalcino, podemos escolher o Montefalco Sagrantino ou o Torgiano Rosso da zona de Perugia para apreciar o prato típico regional. A Porchetta, carne de porco enrolada e cozida em forno com lenha, é a iguaria do dia. A nossa salvação.

Depois no roteiro, Assis e sua basílicas ; São Francisco e Santa Clara para reverenciar e depois Perugia e a herança etrusca e os seus chocolates como nova etapa . A viagem continua , a curiosidade aumenta .

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A Rouen de Gustave Flaubert

O escritor francês, conhecido pelas obras “Madame Bovary” e “Salambô”, nasceu em Rouen em 1821.

Gustave Flaubert marcou a literatura francesa pela análise psicológica aplicada aos personagens os seus livros. O que vai chocar as mentes da sua época.

Visitar a sua antiga residência, agora mais um museu em Rouen, permite descobrir alguns dos seus segredos. Rouen será o palco das páginas e o roteiro de Madame Bovary.

“Um coração é riqueza que não se vende e não se compra, dá-se”.

Nascido em família de classe média, com raízes religiosas, tanto católicas como protestantes, desde cedo se interessou pelo teatro e pela literatura.

Por influência do pai, foi estudar direito em Paris, no entanto a vida boêmia o atraiu com mais intensidade. Pressionado, sofre de crises nervosas, o que o impede de continuar os estudos.

Viagem ao oriente, pelos anos de 1849 e 1852, o leva até Jerusalém, aoEgito e Constantinopla. O livro “Salambô”, que se passa na antiga Cartago, pode ter suas origens nessas viagens.

Meticuloso, sempre em busca da palavra perfeita, levava anos até concluir a sua obra. Em média cinco anos.

“Tenha cuidado com a tristeza. É um vício”.

Procurava ser metódico e organizado como os burgueses do seu tempo, para depois ser violento e original nos seus livros eescritos.

“O estilo está nas palavras e dentro delas. É igualmente a alma e a cerne de uma obra”.

Como foco, nos seus trabalhos, o comportamento social dos personagens é o que o atrai.

Como perfeccionista, construía histórias com extremo realismo. O que vai chocar a sociedade, quando aborda em 1857, em Madame Bovary, os temas do adultério e do suicídio. A obra causou tumultos e grandes escândalos na sociedade da sua época, mas que o projeta como representante francês no Realismo Literário após julgamentos por pornografia. Sucesso imediato no primeiro livro. A cobertura dos jornais foi fundamental.

Foram cinco anos até concluir o seu primeiro e mais famoso romance.

“A culpa é da fatalidade”.

No final da sua vida, com grandes dificuldades financeiras, possivelmente de acidente vascular cerebral, falece em 1880.

As tentações de Santo Antão, de 1874, é a sua última obra no romance.

No teatro, em 1880, apresenta: “O Castelo de Corações”, seu último trabalho literário.

“Salvo se formos cretinos, morremos sempre com a incerteza do nosso próprio valor e o da nossa obra”.

Circular pela Parte Medieval de Rouen, pelas ruelas estreitas, pela gótica Catedral de Notre Dame, pelo Palácio do Arcebispo, pelos cemitérios medievais, passeando pelas margens do Rio Sena com suas pontes, vendo a arquitetura das casas de madeira, além de relembrar os passos de Joana DÁrc, o seu julgamento e a queima na fogueira em 1431, é possibilidade de rever o local de infância desse grande escritor francês. O Gros Horloge indica o percurso.

Como dizia Dostoiewsky: “Todo o escritor precisa conhecer, e bem, a sua aldeia, antes de começar a escrever”. Flaubert dominava a região onde viveu.

Indo para o oceano, em direção ao porto de Le Havre, ponte gigantesca sobre o Sena recebeu, em 2008, o nome de Gustave Flaubert. Justa homenagem para o criador de Madame Bovary e de Salambô.

Uma releitura é agora obrigatória. Recordar outras frases do mestre do realismo, ao final, mais uma obrigação:

“Para se ter talento é necessário estarmos convencidos de que o temos”.

“O que o dinheiro faz por nós, não compensa o que fazemos por ele”.

“Eu não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse, o que talvez venha a dar no mesmo”.

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NANTES, A CIDADE NATAL DE JULES VERNE

“Tudo o que o homem pode imaginar, outros homens poderão realizar”.

A frase do escritor Jules Verne, nascido em Nantes em 1828, cidade portuária junto ao Rio Loire, dá uma ideia das obras desse famoso escritor francês.

Aos doze anos, como clandestino, vai até Saint Nazaire, porto atlântico perto de Nantes, onde vê o mar pela primeira vez. Paixão fulminante, para toda a vida.

“O mar, eu o amo de verdade.

É mais que movimento e amor

É o infinito vivo”.

Sua residência de veraneio, local alto, um promontório, com vista para o rio e para o porto, é local onde podemos decifrar alguns dos seus mistérios e o seu modo de vida. Perto, na rua Hermitage, encontramos o museu Jules Verne de Nantes com memórias e documentos que preciso pesquisar

Filho de pai advogado, com posses, teve infância tranquila. Adorava ver os navios partindo para o mar, o que deve ter estimulado seu interesse pelas aventuras e pelas viagens.

Perto, monumento de 2008 representa Jules Verne, como criança olhando para capitão que observa a saída de outro navio. Seria o capitão Nemo do Naútilus?

‘Ao ver tantos navios passarem, a necessidade de navegar me devorava”.

Enviado pelo pai para estudar direito em Paris, desloca o seu objetivo para o teatro e para a literatura. Com a frustração do pai, perde o direito às mesadas e é obrigado a trabalhar como corretor de ações. Época difícil, o que talvez o leva a casar, em 1857, com viúva rica com duas filhas.

Aos poucos entra em contato com escritores já famosos, como Victor Hugo e Alexandre Dumas, personagens que o estimulam a escrever.

Dotado de grande imaginação, pesquisador de informações técnicas, tendo sempre as viagens como tema ,lança, em 1863, o seu primeiro livro. Sucesso absoluto.

“Cinco semanas em um balão”, relatos de viagem sobre a África utilizando um balão de hidrogênio, traz tema que empolga a Europa.

Relatos exóticos, novidades culturais, locais perdidos, atraíam a atenção do público. O que muitos julgavam ser pura ficção, na realidade representava a apresentação de realidade desconhecida.

Com o sucesso da obra, com contrato vantajoso junto à Editora Hetzel, com a obrigação de escrever livros durante os próximos 20 anos, Jules Verne garante estabilidade financeira. Precisa escrever dois livros por ano.

Durante 40 anos de atividade escreve mais de 70 livros; adapta as suas obras para o teatro e para a ópera. Vende bonecos e figuras para teatro de marionetes e para os espetáculos do Gran Guignol; o público infantil recebe a sua atenção.

O seu prestígio é tão alto que o seu nome aparece na venda de cafés, de chás. As embalagens trazem apelo mercadológico, o seu nome. Jules Verne alcança fama internacional. É um dos escritores mais traduzidos no Mundo.

Seu sucesso financeiro permite a construção de iates, foram três, com os quais efetua vários cruzeiros pelo Mediterrâneo e pelo Oriente. Saint Michel era a denominação de todos os seus barcos.

Jules Verne escrevia para leitores que exigiam histórias fantásticas, viagens impossíveis e aventuras difíceis de serem realizadas naquela época.

“Para deixar minha obra completa, precisaria viver 100 anos”.

“Viagem ao Centro da Terra”, mostrou o que sua imaginação criou ao visitar vulcão na distante Islândia.

“Um dia visitaremos a lua e os planetas com a mesma facilidade com que nos dias de hoje se vai de Liverpool à Nova York”.

Importante mencionar que Jules Verne mantinha contato com engenheiros,com mecânicos, com pesquisadores,com outros viajantes e curiosos em diversos temas. As cartas, os desenhos, os manuscritos no museu são provas incontestáveis, bem ao nosso alcance.

“A ciência é composta de erros, que por sua vez são passos em direção à verdade”.

Precursor da ficção científica, no Museu de Nantes podemos observar, além do seu modo de escrever, de viver, a coleção dos esboços e dos desenhos dos artefatos que surgiam nas ilustrações dos seus livros.

Escafandros, submarinos, produção de alimentos em ambientes confinados, sem sol ou terra, foguetes, naves movidas pelo princípio eólico dos cata-ventos, surgem nos rascunhos coloridos.

Jules Verne formou-se em direito, mas pelo visto nunca exerceu a profissão. Hetzel, amigo e editor, havia previsto e apoiado outro destino.

O seriado “Lost” da televisão, para ser revisto, está focado na obra “A Ilha Misteriosa”.

“Vinte Mil Léguas Submarinas”, talvez sua obra mais famosa, é pioneira na apresentação da propulsão atômica de embarcações.

Pelas informações colhidas, pela leitura de jornal americano citando evento da Guerra Civil Americana, Júlio Verne inicia a construção de um épico. Os Confederados usavam, pela primeira vez, embarcação primitiva de madeira movida por pedais, deslocamento sob as águas para atacar os navios da União que bloqueavam os postos sulistas. Surge o submarino.

“Viagem à Lua” é outro livro bem documentado através de desenhos e de esboços técnicos. A ideia surge durante rápida visita aos Estados Unidos, quando Jules Verne conhece o desenvolvimento tecnológico americano.

O cinema, o teatro e depois a televisão usaram as obras criadas por Jules Verne como inspiração: “Miguel Strogoff”; “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, com Cantinflas, David Niven e Shirley Mclaine nos papéis principais é outro épico no cinema.

O atentado sofrido quando sobrinho, com problemas mentais, disparou revolver em instante de raiva o deixa manco. O excesso de trabalho, o ferimento, as paralisias e a diabete, minaram a sua saúde nos últimos anos de vida. Relacionamento com dama misteriosa seria outra pedra no caminho. O enigma, apesar das investigações, perdura até os nossos dias.

Está enterrado no cemitério de Amiens, cidade onde viveu os seus últimos anos; a casa onde residiu, denominada de “A Torre”, é outro local de mais pesquisas e de visita obrigatória. Amiens era a cidade natal de sua esposa.

Vendo as obras, quase oitenta aventuras literárias, é importante ressaltar a quantidade e a característica das ilustrações, algumas são obras de arte, imprescindíveis para estimular a nossa imaginação e os nossos desejos.

Em Nantes, depois de conhecer o palácio-fortaleza do Duque da Bretanha, existe roteiro para acompanhar os passos de Jules Verne durante os anos em que ali viveu. Casas e residências, mais de cinco, o cais, os mercados, o ancoradouro dos seus iates, os pontos elevados de onde via passar embarcações e marinheiros, onde desenvolveu os seus sonhos, os seusfuturos projetos e a imaginação.

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ROUEN. A EPOPEIA DE JOANA D´ARC

Seguindo as curvas preguiçosas do rio Sena, curva à direita, curva à esquerda, chegamos à capital do Departamento Sena Marítimo: Rouen.

A saga de Joana D´Arc atrai milhares de turistas para essa antiga e histórica cidade, com suas casas típicas, estrutura de madeira, ruelas e arquitetura medieval; muitas histórias para escutar.

A viagem começa no Torreão onde ela esteve presa; Donjon do antigo castelo construído por Filipe Augusto em 1205. Os interrogatórios iniciais antes do julgamento foram aqui realizados.

Depois, no Palácio do Arcebispo, vamos acompanhar – por audiovisual – as sessões do julgamento, o local da sua condenação em 1431, as atas de todo o processo. O conjunto Palácio do Arcebispo e Catedral constitui exemplo típico da arquitetura medieval gótica. Do alto do torreão, subindo centenas de degraus, poderemos ter uma visão panorâmica da velha cidade. Não esquecer a máquina fotográfica.

A donzela de Doremy não tinha 19 anos quando foi queimada em praça públicaao lado do antigo mercado.

Canteiro de flores e cartaz sinalizam o local exato do martírio; apenas ruínas sobraram do mercado da época da guerra dos 100 anos contra os ingleses.

Memorial e igreja moderna, ao lado, fazem as devidas homenagens. Por ordem do comandante inglês, pois Rouen, na época,estava ocupada por tropas inglesas, suas cinzas são jogadas no Sena.

– A intenção era de evitar romarias, não deixar nada da sua imagem e atuação – são palavras que surgem em relatos posteriores.

Ao contrário, mesmo não deixando traços físicos, nenhum retrato, a sua morte vai fortalecer o ânimo francês. Nos próximos anos os ingleses serão expulsos da França. A guerra dos 100 anos vai terminar.

O rei Carlos VII, o delfim que Joana D´Arc encontrou no castelo de Chinon, coroado por ela na Catedral de Reims, em 1456 ordena o processo de reabilitação.Ele não queria entrar na história como rei coroado por uma hereje.

No mesmo local, ouvindo testemunhas do primeiro julgamento, ocorre a revisão do processo. As atas disponíveis estão claras nos termos e a projeção em 3D preenche as lacunas.

Joana D´Arc não era nenhuma herege, nada havia contra as suas opiniões e decisões; começa uma lenda que ainda não terminou.

Espetáculo em 3D, utilizando diversos espaços do Palácio do Arcebispo, serve para que o drama seja apresentado em minúcias. A tragédia inspirou livros, mesmo filmes e até peças de teatro.

Dispondo de tempo, uma volta pelo Vale do Loire nos levará até Chinon, fortaleza meio destruída e depois para Orleans, onde Joana iniciou sua luta ao levantar o cerco da cidade sitiada pelos ingleses e pelos seus aliados, os soldados do Duque de Borgonha. Joana D´Arc é a lenda de Rouen.

Depois, antes de degustar o famoso pato à Rouen é preciso visitar a Catedral, a Igreja de St. Maclou, o Palácio da Justiça, a Torre St. André e o relógio mais antigo da França.

O “Gros Horloge”, um dos mecanismos mais antigo da França, está situado no Beffroi de Rouen, torre que permite a passagem dos pedestres por arco existente, instante de tirar a foto da viagem, não esquece. O Hotel de Ville, magnífico, é outra obrigação de visita.

O Aitre-St.Maclou abriga um dos cemitérios medievais mais antigos ainda existentes na França. Os anos da peste negra, dizimando a população, obrigaram ao sepultamento coletivo das vítimas.

Depois vamos conhecer a cidade, as pontes sobre o Sena, a Ilha Lacroix – semelhante a Cité de Paris-, a moderna ponte Gustave Flaubert fica no meio do caminho, em direção ao porto de Le Havre.

Não podemos deixar de visitar a casa de Gustave Flaubert. Nascido em Rouen, o escritor ficou famoso no seu primeiro livro. Madame Bovary tratando de assuntos proibidos como adultério e suicídio, causou tanta polêmica, acusações e até o julgamento do autor por literatura permissiva e pornográfica. Após a sua absolvição, pela celeuma, teve sua obra adquirida por pessoas interessadas no escândalo. Sucesso total no primeiro livro de Flaubert.

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