Death Valley. Arizona

O Deserto da Morte no Arizona

Death Valley. O deserto da morte

Localizado entre a Califórnia e o estado de Nevada, é considerado um dos locais mais quentes do planeta. Recorde de 57° C foi constatado em 1913. No meio da tarde, alguns segundos fora do carro, temos fogo nos fundilhos das calças. No solo ou no asfalto pode-se fritar ovos. A temperatura ali é 50% mais elevada do que a do ar.

No caminho para o ouro de São Francisco, em 1849, os colonos, os mineiros e os exploradores, tentando encurtar o caminho, tiveram surpresas desagradáveis ao se perderem pelo vale da morte.

Não existe muito apoio para os excursionistas; é essencial planejar a viagem: água, alimentos e gasolina em quantidade suficiente.

Não encontramos muitas indicações, o emprego do GPS, na escolha da trilha desejada, é fundamental.

O que se deseja ver em área tão inóspita, onde a evaporação bate recordes? No verão, pelo calor, é quase impossível descobrir as belezas ocultas, a indicação dos desastres ocorridos, os vestígios das minas. Mas a diversidade, a alteração dos tons do deserto, com a variação da luz solar, vale os detalhes fantásticos das fotografias.

Podemos acelerar pelas boas estradas sem maiores problemas, não há tráfego.

Poucos carros e até alguns malucos correndo a pé ou de bicicleta. Pelo caminho, algumas cidades fantasmas, restos de minas, com cruzes e sinais de abandono.

Imensas extensões do nada, depósitos infinitos de minerais, de sais, apresentam-se aos curiosos.

As formações rochosas cortadas pela estrada, apresentam variações , desde cores escuras, vermelhas, negras, até o brilhante dourado.

Surgem denominações estranhas: Campo de Golfe do Diabo, BadWatter sinaliza depressão onde lago evaporou por completo há 2.000 anos. Vista do Inferno de Dante aponta para o vazio, para o vermelho do deserto; dá o que pensar.

No meio do nada, surge o nosso alojamento em Stovepipe Wells. A antiga hospedaria, remodelada, apresenta características e decoração do antigo faroeste. O bar, o saloon, o refeitório e a loja de conveniências parecem sair de filmes de bangbang. A canícula da tarde é insuportável, mas as histórias ouvidas permanecem. A piscina convida.

O primeiro poço ali encontrado, sinalizado por chaminé de fogão, razão do nome da localidade, permitiu a construção da primeira estalagem. Para facilitar o acesso, farol rotativo, alimentado por gerador, levava a luz salvadora a distâncias, permitindo aos perdidos no deserto encontrarem repouso e boas refeições. Era a salvação. A tradição continua.

No final da tarde, excursão pelas dunas onde os grãos de areia se movimentam sem sair do lugar. Os ventos não são intensos, a densidade das partículas é elevada, apenas os contornos, os desenhos, são alterados no dia a dia. A sensação de palmilhar as ondulações, moldada pelos ventos fascina. Somos os senhores no momento.

Cercado de montanhas, onde inclusive existem neves eternas, sempre será possível encontrar algum oásis em Death Valley, como em Furnace Creek. Ali, além de piscinas, de palmeiras alinhadas, até campo de golfe para distração dos passantes.

Para circular pelas áreas desertas, sair das estradas convencionais, para acessar detalhes impossíveis de ver do asfalto, são necessários carros especiais, suspensão elevada. O Parque Nacional de Death Valley impõe algumas restrições e cuidados aos desbravadores novatos. Perigos ocultos, surpresas.

Chuvas escassas ocorrem; média de 48 mm de precipitação por ano, mas às vezes nada de água por longos períodos e mesmo por anos. Dependendo da época, da generosidade da estação anterior, o deserto se enche de cores. As flores aparecem: brancas, amarelas, púrpura, vermelha e azul. Nas zonas mais altas, nos picos, a neve é comum, as passagens ficam bloqueadas ao tráfego. Não esqueça as correntes para os pneus.

É preciso cuidado para não ser surpreendido por enxurradas em pleno deserto. Os avisos do perigo surgem no meio de ravinas ressequidas. Junto as dunas, as esparsas algarobeiras e suas sementes alimentam roedores, coelhos e lagartixas. Uma cadeia de vida começa.

No deserto, além das cascavéis, coiotes, raposas circulam. É proibido alimentar os coiotes, os cartazes na beira da estrada são específicos.

Burros, introduzidos pelos mineiros, tornaram-se praga ao longo do tempo. Houve necessidade de caçá-los, de deslocá-los para outros locais, pois estavam depredando o ambiente, reduzindo e espaço vital dos cervos e dos carneiros da montanha — o bighorn sheep. O controle de plantas invasoras é preocupação atual das autoridades do Parque Nacional.

Em poços, em lagos remanescentes, salinidade quatro vezes maior do que nos mares, peixes primitivos sobrevivem em ambiente hostil, com pouca alimentação. Estão em extinção.

No extremo norte, perto de cratera de Ubehebe, o castelo mourisco de Scotty é surpresa pelo inusitado; um castelo em pleno deserto? Quem e o porquê da edificação? Fala-se num escroque e milionário excêntrico.

Zabriskie Point, filmado por Antonini em 1960, é local para contemplar cores pintadas nas encostas, nos morros e vales. Parece paleta de pintores, onde todas as cores, tonalidades exuberantes, estão misturadas. O calor do meio dia é sufocante. Minha esposa usa sombrinha com proteção específica para UV. Os americanos elogiam a ideia e perguntam onde comprar.

Com razão, tribos primitivas, os Timbisha Shoshones, chamavam Death Valley, na linguagem local, de terra do chão em brasas.

Formação geológica, produzida, modificada ao longo de milhões de anos, é o que se pode constatar ao longo das trilhas e caminhos. Ao amanhecer, nas primeiras luzes do dia e no fim da tarde é o melhor momento de degustar, de apreciar, a tonalidade das rochas, dos vales e dos canyons. O contraste é superior, as fotos ganham mais vida.

A exploração das minas, da prata e do ouro, nunca produziu grandes riquezas, apenas cidades fantasmas e túneis perigosos ao visitar. Cuidado com os gases venenosos, com os desmoronamentos e com as cascavéis escondidas do sol abrasador.

A exploração do bórax, material usado na fabricação de vidro especial, foi uma das poucas atividades que prosperou. Exigia o transporte até Mojave , 160 milhas ao sul, com o emprego de imensas carroças puxadas por equipe de 20 mulas. Os equipamentos usados, hoje, são monumentos ao longo das rotas.

Locais inóspitos precisam ser garimpados. Formações rochosas, desfiladeiros de arenito e de pedra, canyons, vales, gargantas, salares brancos na imensidão e entre dunas. As cores abrangem todos os matizes. Confundem. Deslumbram.

Na época do gelo, 20.000 anos no passado, os lagos existentes e suas ondas modularam as margens, escavando terraços nas rochas próximas. Com a evaporação restaram apenas camadas de sais minerais depositados; extensões imensas, cristais brancos cobrindo tudo. No meio da tarde surgem miragens para enganar e confundir o viajante.

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Mercados do Mundo. Budapest

Pelos mercados do mundo. Budapest

Partindo das colinas de Buda, atravessando o Rio Danúbio, basta percorrer a Ponte Elizabeth para chegar ao Mercado Público de Budapest.

Com estrutura metálica projetada pelo engenheiro francês Eiffel, telhado com figuras geométricas coloridas, deve ser o destino de todo o turista.

Com a expansão do metrô, a zona está confusa pelas obras viárias em execução, mas o desvio vale a curiosidade.

Em qualquer cidade, pela visita ao seu mercado, podemos descobrir a alma e a característica básica de uma nação, de um povo.

Todos os invasores da Hungria deixaram a sua marca, a sua contribuição nos costumes e na culinária. Desde as tribos magiares, vindas das Montanhas dos Cárpatos, depois a ocupação otomana por mais de 200 anos e por fim a integração à Monarquia Austro Húngara, tudo se reflete no que agora podemos encontrar e degustar.

Os produtos consumidos no dia a dia: as carnes, os frangos, as verduras, as frutas, os temperos e as especialidades empregadas na elaboração dos pratos típicos da Hungria estão presentes.

Os pratos magiares são bastante calóricos, adiciona-se nata a tudo. O uso da páprica, como condimento, não é economizado. Os doces magníficos, principalmente os folhados, são recobertos de chantili.

Entre as especialidades não se pode perder os crepes recheados com amoras e frutas silvestres.

Para os “gourmets”, o queijo produzido com patê de pato é a indicação, o detalhe final.

Lanchonetes e pequenos bares permitem experimentar, a baixo custo, os pratos típicos da Hungria. Não cometa exageros; como não estamos acostumados, o estômago pode reclamar. As sopas são tradição, os cozidos, o gulash deve ser experimentado.

O local deve ser percorrido bem devagar. Os guias de turismo não gostam de perder tempo. Retorne mais tarde, vale a pena.

Para outras compras, como rendas e bordados típicos, há espaço disponível no piso superior.

No entorno do mercado, ocupando as calçadas, pequenos e melhores restaurantes são tentações. Após a visita, não tenha pressa ao percorrer as ruelas de Pest —, a parte baixa da cidade —, circule pelas margens do Danúbio. No final da tarde, início da noite, a hora é adequada para fotografar prédios históricos como o Palácio Real, na parte alta de Buda.

Os vinhos húngaros apresentam paladares e aromas diferentes. O Tokai oferecido — vinho licoroso tipo Porto — serviu bem como aperitivo.

Ao final não esqueça os sorvetes de Budapest, nada melhor para encerrar a experiência e a noite.

Felipe Daiello

Engenheiro e escritor

Autor de “As Minhas Ilhas “— crônicas de ViagemEditora AGE

daiello@cpovo.net

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Las Vegas. Uma Ilha de Sonhos no Deserto

Las Vegas. Uma ilha de sonhos no deserto.

Voando de Dallas, no Texas, cruzando os desertos do Novo México, Arizona e Nevada, numa curva do rio Colorado, simples filete azul, espremido entre as rochas do Grand Canyon, surge a ilha da fantasia.

Foi a construção de uma represa, no início da grande recessão, ano de 1931, que trouxe, além de uma população flutuante, a geração da energia elétrica que iria criar e desenvolver a maior zona de entretenimento , de prazeres e jogo do mundo.

Nevada, antes da represa Hoover, era desabitada. A pouca população, vinha, coletava os minérios, explorava o que a terra ofertava e ia embora, deixando apenas cidades fantasmas, lendas e figuras que recordam um faroeste longínquo.

Os trabalhadores da represa, sem nenhuma diversão, proporcionaram o aparecimento dos primeiros cassinos. Simples barracões, construídos às pressas. Era preciso aproveitar o fato de Nevada ser o único Estado Americano onde o jogo era permitido. Nessa época surgem as figuras da máfia, os políticos corruptos, começa a surgir Las Vegas. Até o início do século XX, o povoado era um simples ponto de passagem de diligências, aventureiros e mulas.

Muitos dos antigos cassinos que visitamos nas primeiras viagens já foram demolidos para dar lugar aos novos templos. Bilhões de dólares estão sendo investidos na construção de cassinos temáticos, transformando o deserto num mar de luzes, neon, mágicas, espetáculos, azares, alegrias e tristezas.

São mais trinta e sete milhões de turistas por ano. Número tão impressionante justifica o investimento. Todos os espetáculos do mundo são aqui apresentados. Não apenas eventos esportivos, lutas por campeonatos mundiais, mas espetáculos da Broadway, peças teatrais e burlescas. Os grandes astros, os mágicos, os cantantes, os nomes da ópera, grandes comunicadores, todos tem aqui o seu cenário. O Circo de Soleil apresenta quatro espetáculos diferentes. O último, o mais moderno, que se desenvolve na água, exigiu a construção de uma piscina especial. “O”, nome da peça é simplesmente a tradução do francês — “L’eau— água.

Cruzando as avenidas através de escadas e pontes rolantes, circulando entre os hotéis de luxo com o uso de “monorail” ou pequenos trens, ou simplesmente caminhando pelos corredores infinitos de cada cassino, ouvindo o tilintar dos caça-níqueis, as vozes dos crupiés, os suspiros e gritos dos jogadores, as explosões quando se vence a banca, é algo difícil de descrever. Os rostos desaparecem entre as cortinas de fumaça, os vapores das bebidas e as ilusões da humanidade.

Numa semana, mais de 17 cassinos foram visitados. Os principais, rapidamente selecionados, exigem e requerem uma atenção especial. Alguns espetáculos são cortesia da casa, apenas é preciso chegar na hora certa e ocupar um bom lugar.

É impossível assistir a tudo que está disponível, não existe tempo nem dinheiro. Cada espetáculo custa em média de 50 a 70 dólares. Não existe cartão de crédito que sobreviva. Ajude a economia nacional, não transfira todos os recursos para Las Vegas.

Todas as lojas de grife internacional são encontradas nos caminhos que levam aos cassinos. Algumas só aparecem nas cidades criadas e visitadas por milionários. Os restaurantes mais famosos aqui estão. Os melhores chefes se esmeram em superar receitas e prazeres. Tudo o que existe de bom e caro está disponível. Só olhar os cardápios e as cartas de vinho, de entender os hieróglifos da culinária, os mistérios criados por artistas do forno e fogão é prazer inesquecível. As joias, os brilhantes mais fantásticos, acrescentam faíscas, luzes e brilhos inesquecíveis a nossa imaginação. Sinta-se um milionário ao experimentar aquela joia, ao colocar aquele relógio. Todas as marcas, valores de milhares de dólares, podem ser testados. O turista aqui é o rei: Rolex, Breitling, Cartier, Mont Blanc, Chopard, Bulgari, surgem entre diamantes e esmeraldas.

Mas existem boas compras, ótimos descontos, para orçamentos compatíveis aos demais mortais. É importante descobrir, nas revistas e magazines, as ofertas, recortar os cupons de descontos, obtendo créditos adicionais de centenas de dólares.

À noite, é o momento mais adequado de apreciar os detalhes e facetas multicoloridas: as fontes dançantes do Bellagio, a erupção do vulcão no Mirage, os combates navais na Ilha do Tesouro, apreciar os anúncios dos néons, a propaganda de espetáculos que nunca poderemos assistir.

Que tal passar pelos canais de Veneza, andar de gôndola, apreciar a culinária do Veneto? Circular pelo foro romano, assistir espetáculos contados pelas fontes do Caesar Palace. Reencontrar as pirâmides, os obeliscos no Luxor, circular pelas ruas de um Souk,— mercado árabe—, no Planet Hollywod; são múltiplas possibilidades

No Paris Las Vegas, suba na Torre Eiffel, aprecie um café numa rua de Paris. Assista lutas medievais no Excalibur; no New York reencontre o ambiente da Brodway, passeie pela 5ª Avenida, fotografe a Estátua da Liberdade. Tome um banho de mar com ondas para surf no Mandalay ou mesmo aprecie obras de arte no Wynn. Temos, sempre, um cassino com a decoração adequada ao gosto de cada jogador. O Complexo Novo da MGM veio para ultrapassar todos os limites.

Por influência chinesa, alguns jogos exclusivos dos orientais foram introduzidos. Para os neófitos existem aulas que ensinam como jogar, mas não como ganhar.

Mas Las Vegas, também possibilita a compra de artigos caros, com descontos é só procurar os “outlets”. O que há nessas lojas, para seduzir o que sobrou nos bolsos, é irresistível.

Para os aventureiros, para os que já conhecem quase tudo, uma excursão de helicóptero pelo Gran Canyon é imperdível. Como uma bolha de plástico, o piloto, veterano do Iraque, mergulha no vazio, pula os montes, desce no vácuo, pousando junto ao rio Colorado para a champanhe tradicional.

Os penhascos avermelhados mostram a erosão de séculos e antigas pistas usadas no treino de pilotos de porta-aviões.