Ravena, Local do Túmulo de Dante

Ravena, cidade imperial, a Bizâncio do Ocidente, ocupa o papel de Roma após a fuga do Imperador Honorius em 402 d.C., pois não havia possibilidade de defender a cidade eterna dos ataques das tribos bárbaras, dos vândalos do Norte.

Com o tempo, Odoacro e Teodorico, reis godos, obterão o controle de Ravena.O tempo dos césares ficará apenas nas lembranças e nos relatos. Bizâncio assumirá o papel de liderança. Roma será passado e ruínas.

O Imperador Justianiano e sua esposa, Theodora, conquistam Ravena em 533 a.C., cidade que será mera extensão do poder do Oriente, um vice-reino, com governo militar atuante na região.

Restaram, como recordações dos tempos antigos, a Igreja de San Vital, o Batistério, a Basílica de Santo Apolinário, o Túmulo de Teodorico, a Torre da Cidade, as muralhas e as guerras da família Malatesta.

Ravena é famosa pelas obras, pelas pinturas e decorações com mosaicos. São pequenos cubos, amontoados, de modo a favorecer a luminosidade, a harmonia dos desenhos, criando efeito tridimensional impressionante. As pequenas peças, coloridas, técnica e colocação especial, aparecem nos textos da Divina Comédia de Dante Alighieri.

O poeta, após ter sido expulso de Firenze, encontra abrigo em Ravena, local onde falece e será enterrado. O seu túmulo é local prioritário na visita.

“No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise”.

Nascido em Firenze, de família importante, ligado na política aos Guelfos Brancos, teve ação importante nas guerras contra a política de Roma, contra o poder temporal do Papa; participou inclusive de batalhas como soldado mercenário.

“Não menos que o saber me agrada a dúvida”.

Desde cedo já fora prometido como esposo para jovem que não conhecia. Sua musa, Beatriz, simbolizando o amor como tema, é algo platônico. Ela tinha apenas nove anos. Alguns dizem que ele nunca falou com a sua inspiração. Beatriz morre cedo , quando ele tinha 25 anos, mas ele não a esquece.

“Muito pouco ama, quem com palavras pode expressar quanto muito ama”.

Em função da sua atuação, após ocupação de Firenze por partidários do Papa, os Guelfos Negros, é exilado e multado em valores vultosos, o que não aceita.

“A razão vos é dada para discernir o bem do mal”.

Obrigado ao exílio, não aceita os pedidos de perdão com cláusulas que ele considerava humilhantes. Pela reação, pelo não pagamento das penalidades é condenado à morte junto com seus filhos.

“Quem és tu que queres julgar, com vista que só alcança um palmo, coisas que estão a quilômetros de distância”.

Ravena é o local onde obtém refúgio e proteção, onde termina em 1318, o episódio do “Paraíso” das suas comédias. Foi em Bolonha, na Universidade, que Dante recebeu a sua instrução básica. Bolonha era na época o centro cultural da Itália.

“Se não moderas o teu orgulho, maior será o teu castigo”.

Imagine Sócrates, no limbo, discutindo filosofia, com outras almas em punição. Foi Bocaccio que acrescentou a denominação “Divina” ao trabalho do escritor, livro que representa marco na literatura mundial. Dante e Shakespeare são os gênios mundiais que modificaram paradigmas.Dante Alighieri, nascido em 1265, em Firenze, usa o vernáculo italiano nos seus versos, em vez do grego ou do latim; introduz o conceito do amor na literatura abrindo caminho para outros escritores.

“Quanto maior é a sede, maior é o prazer em satisfazê-la”.

Em 1321, morre em Ravena; a malária é considerada como a possível causa. Quem visita Ravena pode reverenciar o gênio ao ver as palavras gravadas no seu mausoléu.

“Puderam vencer em mim o ardor,

Que me levou a reconhecer o mundo, e

Os vícios e as virtudes dos homens…”

Visitando Ravena, admirando os mosaicos famosos, recordando os versos do Paraíso de Dante, não podemos esquecer de Gala Plácida, mulher que aparece nas histórias de Ravena, famosa pela sua beleza, pelo louro do seu cabelo, pelas roupas, pelo luxo que perseguia de modo insensato, o que resultou em gastos supérfluos que exauriram o tesouro dessa famosa Imperatriz. Outro monumento para visitar numa Ravena ainda surpreendente, depois Veneza, 200 quilômetros de estrada é o nosso novo destino.

“As leis existem, mas quem as segue”.

“Dante Alighieri”.

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Macau, uma das ‘Minhas Ilhas’

Desde 1999, Macau faz parte da China Continental como Região Independente, mas possui moeda própria, a pataca;regras e legislação são distintas. O português, como língua oficial, aparece nas leis, nas indicações das ruas, nos documentos oficiais. É único local da China onde o turista brasileiro não se sente perdido. Podemos ler, sem problema ou tradução os nomes das ruas, dos ônibus e de outras indicações.

Muitos séculos passaram desde que o primeiro português aqui chegou. O ano era 1535 e Pedro Alvares o nome do precursor. Mas ele não está nas páginas da história.

Na expansão para a Cathai de Marco Polo, para a distante e enevoada Cipango, Macau será a base, essencial para a expansão colonial portuguesa. Os jesuítas, desde o início, foram responsáveis pela fundação de escolas, de hospitais e da primeira Universidade instalada na Ásia.

A parte antiga da cidade ainda apresenta prédios com as características típicas da arquitetura portuguesa; ruelas estreitas, ondulantes colinas e os típicos prédios coloniais da engenharia portuguesa. Estamos em casa.

Observando os mercados de rua, além das tradicionais quinquilharias feitas para passantes de “bom gosto”, na culinária local fica evidente a influência portuguesa, principalmente nos doces, nas tortas e nos biscoitos. Uma réplica do pastel de Santa Clara é o ponto alto; vendido em quase todas as esquinas por preço bem acessível. – Deliciosos, afirma o nosso guia – Adequado para os intervalos de descanso, para o jogar fora de palavras entre amigos.

—Realmente; surpresa e delícia gostosa – era o que se podia dizer.

Desde a Praça do Senado, até a colina onde encontramos a Igreja de São Paulo, temos possibilidade de acompanhar o mercado típico de Macau.

Na realidade, da igreja tradicional, sobrou apenas o frontispício. Incêndio violento em 1835 destruiu todo o complexo. Mesmo assim, as ruínas recuperadas, com a iluminação de noite, apresentam um dos pontos altos da cidade de Macau.

Vendo os ônibus circularem, entre as indicações em cantonês indecifrável alternam-se indicações na língua de Camões: local da partida, o trajeto, o final da linha. A sensação é estranha.

Depois de subir a escadaria para a Igreja de São Paulo, mais degraus nos levam à Fortaleza do Monte. Baluarte que manteve a flâmula portuguesa com dona do local por séculos.

Pode-se circular a pé pelo centro histórico, passando pela Catedral, pela Cúria e Casa Episcopal, pela Igreja de São Domingos, construída pelos padres espanhóis em 1587.

Interessante acompanhar os restaurantes de comida rápida, fornecendo refeições típicas para os chineses. O condimento agregado dá melhor sabor do que o encontrado na comida tradicional da China Continental.

—Malandro! Como estás? – foi expressão ouvida de relance, quando duas pessoas da comunidade portuguesa se encontraram. Muitos de Angola, de Moçambique por aqui circulam, mesmo de Portugal, pois a atual crise europeia trouxe pessoas em busca de novos horizontes aqui na distante Macau.

Especialidade local é o prensado de carne de porco, cozido, ou mesmo defumado; é vendido em lâminas ao longo do caminho. Um pouco gorduroso, crocante, serve como aperitivo ou mesmo para mitigar a fome que chega com o cair da tarde e o cansaço dos nossos passos.

Nas lojas de consumo elevado, principalmente de cosméticos e artigos femininos para a beleza, adorno e recuperação, dezenas de chineses enchem as suas mochilas e malas.

—É contrabando formiga. Vêm do outro lado do rio em busca de produtos que não existem lá ou apresentam qualidade que os produtos locais não têm – nosso guia explicava algo difícil de entender.

Pelo visto os chineses não querem usar os produtos fabricados para o seu mercado interno.

—Sim! Eles preferem o que a China produz para os mercados externos – as palavras do nosso tradutor explicava uma das razões de lojas estarem repletas.

Nunca vi tantos chineses da minha vida, a maioria fazendo contrabando para a China de produtos que eles fabricam para exportação e que são encontrados em Macau.

—Não confiamos nos produtos feitos para o nosso mercado – uma das várias explicações que ouvi ao longo das curiosas perguntas.

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Hong Kong. A Ilha dos Milionários

Maravilha no mundo, esplendorosa ao anoitecer, possui vida intensa em Kowloon. Hong Kong é cidade onde existe uma das maiores densidades populacionais do mundo. Lugar onde a quantidade de Rolls Royce é insuperável; as joalherias apresentam joias em ouro 22 e 24 quilates, com preços exorbitantes para o nosso padrão.

No ano da cabra, réplicas douradas estão prontas para trazer sorte para os novos proprietários. O chinês local é bastante supersticioso. Não existe o número 4 nos andares dos edifícios. O som, em cantonês, da palavra 4, é semelhante ao da morte. Por isso ele é eliminado. Nada de 4, 14, 24, 34 e por aí adiante.

O jogo é o passatempo e o vício de todos. Temos corridas de cavalos, de cães. Apostas por todo o lado. Inclusive podemos jogar em qualquer momento em corridas distantes que acontecem na Austrália ou mesmo na Nova Zelândia.

Nos finais da tarde, os mais velhos reúnem-se em bares e restaurantes para jogar algo parecido com o gamão. Ficam horas envolvidos.

Para jogar a dinheiro é só ir para Macau, onde cassinos magníficos, equivalentes ou mesmo superiores aos de Las Vegas, aguardam os futuros milionários.

Com regime administrativo distinto, Hong Kong é algo que contrasta com os rígidos controles das cidades da China Continental.

—Quando houve, em 1999, a devolução de Hong Kong pela Coroa Britânica, havia muitas dúvidas do que aconteceria. A valorização dos

imóveis ou não, dependeria da atuação dos novos dirigentes – explicação que eu ouvira de pessoa associada ao ramo imobiliário era relembrada.

-Agora somos senhores na nossa própria casa — foram as palavras e afirmações do líder político comunista chinês, no momento da entrega da antiga colônia, ao agradecer o discurso da Rainha Elisabeth.

—Parece que a comunidade distribuiu mais de 1.000 imóveis para os novos comandantes. A oferta deu resultado. Não houve confusão ou desapropriações, pelo contrário, nada se alterou.

—O resultado foi óbvio, o preço dos imóveis não para de subir. Aqui vendemos por polegada quadrada, ainda mais que as áreas para construção são escassas – as palavras do meu orientador faziam sentido.

A quantidade de guindastes, por todos os lados, presentes no horizonte, dava ideia da pujança de Hong Kong, o centro financeiro da Ásia.

Para conhecer o lado tranquilo, bucólico até de Hong Kong, precisamos ir para o outro lado da ilha, em direção as praias de Repulse Bay e de Stanley Beach, para o Ocean Park com suas atrações e teleférico sobre o mar. Em breve, nova Disneyland estará concluída na ilha de Lamma; novo destino turístico oferecido aos que chegam.

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Cidade dos Templos. Kaoshiung em Taiwan

Cidade moderna, o maior porto de Taiwan, impressiona pelas instalações portuárias, pela extensão dos cais, pelo pátio de manobra dos contêineres e pela indústria naval com os seus guindastes gigantes como sentinelas.

Passeios pelo Rio Love, passando por pontes e viadutos é distração para quem tem um tempo adicional, oportunidade de ver a cidade de outro ângulo.

O Mosteiro de Fo Guang Shan apresenta a tradicional Alameda de Budas nas mais diversas posições. Quer orando, meditando, mais de 48 posições são reconhecidas pelos fiéis.

Buda Gigante, à distância, nos faz refletir sobre os conhecimentos budistas, sobre a maneira correta de enfrentar nossa jornada pelos pecados do caminho e pelas alegrias da terra.

Junto a lago repleto de lótus, a flor sagrada, que também providencia alimento, encontraremos o Pagoda do Tigre e Pagoda do Dragão. Oportunidade para subir escadas, apreciando pinturas que descrevem o cotidiano de Sidarta, o mestre.

Os pavilhões do Verão e do Outono, perto, estão dedicados a Kuan Kung, o deus da guerra.

Pelo caminho, outros templos, magníficos pela arquitetura, pela conservação permanente fazem sua apresentação; por terem estado longe da Revolução Cultural Chinesa, intactos, estão presentes para nos ensinar como seguir o “Caminho da Virtude”, lema de Buda.

Impressionante a coleção de imagens, de pinturas, de objetos e de estátuas de jade. A porcelana aparece na arte religiosa; os trabalhos em laca mostram a habilidade dos artesãos de Taiwan. O Taoismo e o Budismo aqui formam quase uma única religião. Difícil para o turista identificar diferenças. Imagens do inferno, do paraíso, dos 24 filhos obedientes, trazem mais confusões para mente ocidental, ignorante nas práticas e nos ritos religiosos orientais. Confúcio aparece misturado com Buda, só que Confúcio, ideias mais antigas, milenares é o que realmente representa o espírito da China. Preciso saber mais do mestre cujas ideias estão bem próximas das de Jesus Cristo. Iluminados?

— É a deusa da misericórdia. A nossa Guanyn – nosso guia explicava o significado de Deusa que aparecia montando num dragão.

Fiquei curioso, mas não satisfeito com as explicações. Preciso aprender mais para entender o modo de vida dos habitantes de Taiwan.

Formosa, antiga denominação, ilha revelada pelos portugueses para o ocidente é local que exige outras viagens. Pelo clima, pelas belezas naturais, pela fertilidade do solo, o nome é bem-merecido.

A cidade, na entrada dos bairros, apresenta os típicos pórticos com os votos de felicidade e boas vindas, mas é o perfil da Tuntex Sky Tower que caracteriza Kaoshiung. Na zona do porto as antigas muralhas podem ser vistas e as portas de acesso à cidade foram preservadas, mesmo com o crescimento da urbe. Trem rápido liga o maior porto de Taiwan até Taipé, a capital. O antigo dialeto local, falado pela maior parte da população, é compartilhado com o mandarim, língua oficial que predomina em Taipé. Com a vitória comunista e a queda de Beijing, os apoiadores do Kuomitang, partido oficial, fugiram com bens e fortuna para Taiwan, razão para a atual confusão que os turistas enfrentam. O metrô de Kaoshiung apresenta na Estação Boulevard um show de luzes e de arte: o Domo da Luz. O mercado noturno de Liuhe é o mais famoso, no entanto, o maior está no Ruiffeng Night Market; não podemos sair sem conhecer um desses mercados. A região de Kaoshiung esteve sob domínio holandês durante 30 anos, só em 1662 eles foram expulsos. Em 1895, os japoneses após conquistas na China, por tratados ocuparam Taiwan até o final da 2a Guerra Mundial; não deixaram boas recordações apesar dos investimentos realizados, principalmente no porto de Kaoshiung, o maior porto de Taiwan.

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Cap Cod. Massachutts

Cap Cod. Massachusetts

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A faixa estreita de Cap Cod, agora parque nacional, fecha a baia de Massachusetts, onde se localizam as históricas cidades de Boston e de Plymouth. Ferry liga Boston a Provincetown, bem na ponta da península de Cap Code, local onde os peregrinos teriam feito, em 1620, o primeiro desembarque.

Desde Plymouth até Cap Cod encontramos 12 faróis. São belos nos horizontes das fotos.

A região de Cap Code, junto com a ilha de Nantucket e Marthas Vineyard, são locais de veraneio. A família Kennedy possui refúgio em Cap Cod, mas o presidente Obama prefere Marthas Vineyard. Os famosos estão escondidos e protegidos dos olhos dos turistas e bisbilhoteiros, não tente chegar perto.

Em toda parte nomes indígenas recordam tribos dizimadas pelas doenças dos brancos por primeiro e depois nas lutas travadas para manter as suas terras e reservas de caça.

Massasoit, o chefe dos Wampanoags, teve atitude amistosa com os puritanos chegados em véspera de inverno rigoroso. Para eliminar a fome que liquidaria a colônia, deslocou um bando de perus para o acampamento.

Até hoje, os americanos recordam a data comendo perús no Dia do Agradecimento.

Em Plymouth encontramos os vestígios e as marcas dos pioneiros: moinho, fonte de água, casas do período, pontos de desembarque. Recordação de uma quase tragédia.

Em Cole Hill, pequena colina, aparece sarcófago onde estariam colocados os restos dos falecidos durante o primeiro inverno. Para enganar os índios, os enterros eram feitos a noite e depois pés de milho eram plantados para encobrir os túmulos.

Os indígenas não poderiam detectar o enfraquecimento da colônia. O Mayflower trouxe 102 colonos e 34 tripulantes. Aliás, foram os índios que ensinaram aos brancos como usar o peixe como adubo para melhorar a colheita do milho. Dois peixes por cova.

O primeiro forte construído recorda o nome de Myles Standish, soldado responsável pela segurança: no local encontramos o primeiro cemitério estabelecido na Nova Terra.

O rigor dos puritanos era tão excessivo, mesmo tendo vindo em busca de liberdade religiosa, que no futuro colonos dissidentes foram para outros locais em busca da liberdade tão exigida.

Em Boston, nos meados do século XVII, durante anos, os festejos do Natal foram proibidos sob a lei. Causavam tumultos excessivos que o legislador procurava coibir.

As tradições inglesas ficavam pé na Nova Inglaterra, até hoje os locais além de falaram o inglês mais castiço dos USA, permanecem fiéis à sua origem. Retorno ao passado.

É preciso tempo para circular por Cap Cod, o método mais rápido é pelo ferry de Phymouth. Reserva ecológica, apresenta além de bons restaurantes, bons spas, locais de preservação ecológica, bons locais de pesca, mas atenção, devido as colônias de focas, os tubarões brancos também são turistas atraídos pelo verão e pela abundância de comida.

Passeios de barcos para pescar ou mesmo para observar baleias e golfinhos são outra atração. Aproveite a oportunidade.

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