Iêmen do Sul – Mercado de miséria e de aflições

Iêmen do Sul: mercado de miséria


Na cratera de antigo vulcão, porto procurado por navegadores em busca de abrigo, a velha cidade de Aden surge no horizonte. Por efeitos das lutas contra o Iêmen do Norte, do domínio de governo marxista por mais de 20 anos, a estagnação é visível nos velhos prédios. Muitos estão em ruínas, sem manutenção, sem esperanças. Antigos fortes, vestígios da passagem dos navegadores portugueses em busca de aguadas, são meras lembranças. Vasco da Gama é nome citado nos anais.


Na parte central, zona comercial, lojas com poucos artigos, qualidade inferior, preços baixos. As tradicionais especiarias, os perfumes, os incensos estão disponíveis, mas sem atração. O apelo de compra fica limitado pelo caráter precário das lojas. A pobreza é rainha, a ignorância segue ao lado. Nas calçadas e mesmo nas ruas os artífices procuram atraie consumidores. Engraxates, alfaiates e mesmo dentistas. Conserto de tudo é possível em plena rua. Sentados, imóveis, rostos tristes, aguardam os clientes.


Desemprego elevado, mais de 60% da população onde os jovens predominam, obriga os profissionais a uma gincana diária. Junto aos prédios, em filas contra as paredes, podemos escolher o que a necessidade exige. Pintores com escadas e rolos de pintura,profissionais com caixas de ferramentas, carpinteiros com os seus serrotes, instaladores, hidráulicos e elétricos; olhares ansiosos estão a disposição.


Na multidão da miséria e da fome apenas o sorriso das crianças é o único grito de esperança. São alegres e barulhentas quando se dirigem ou saem das escolas; em busca de futuro, não têm possibilidades de sucesso. Viajar pelo interior é perigoso, alguns turistas seqüestrados, acabaram degolados frente à câmaras de televisão.

Os radicais fundamentalistas islâmicos precisam de propaganda. Ainda bem que escolta armada de policiais acompanha a nossa visita. Pelas estatísticas, o país com vinte e dois milhões de habitantes, possui mais de quarenta milhões de armas. Lembranças das lutas, das revoltas; para a sorte de muitos, não estão ativas por falta de munição. Nas montanhas do interior, bases de treinamento de terroristas patrocinados pela Al Quaeda poderão ser localizadas por turistas desavisados.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

Mercado de Tecidos – Dubai

Mercado deTecidos – Dubai


Mesmo sufocado pelo luxo dos modernos edifícios, não é possível desconhecer as raízes dos Emirados Árabes. Característica típica do oriente, desde o tempo de Marco Polo, de Vasco da Gama, além das sedas, com toques macios e cores desconhecidas dos ocidentais, todos os tecidos têm a sua zona própria para comercialização em Dubai. Na velha Dubai, perto de Creek, local onde barcos de madeira com formato característico, “os abras” fazem a travessia do canal, localizam-se as lojas principais. O comércio de tecidos é privilégio e característica dos indianos. Pode-se comprar todas as possibilidades: algodão, tecidos sintéticos, sedas magníficas, linho, juta…


Adquirida a peça adequada, logo ao lado encontramos alfaiates que, seguindo as dicas dos estilistas de Paris ou de Milão, executarão em 24 horas aquele vestido, aquele paletó, que alcançam valores exorbitantes nas lojas dos Grandes Malls. A facilidade do pequeno comércio entre Índia, Paquistão, Irã, Filipinas, Sri Lanka, onde a mão de obra artesanal possui boa qualidade e preços insignificantes, a centralização dos negócios nos Emirados, permite a obtenção de pechinchas nas compras de fazendas, de camisas, de calças e vestidos. Não é necessário passar pelo centro de comércio de luxo. Evite as lojas caras, revise o manual de negociação e de discussão do preço; não esqueça que há necessidade de se exigir o desconto padrão, algo tradicional para concluir a negociação entre os orientais.


Agora, com tempo disponível, é possível passar para o outro lado do canal, de modo a conhecer o Mercado das Especiarias e depois o Mercado do Pescado. Ali encontramos as raízes de Dubai, o modo de viver da população mais pobre, a realidade que está bem distante dos centros de luxo e dos hotéis de seis estrelas de Jumeirah Beach.


Depois das compras, circule pela beira do cais do Creek, extensão de doze quilômetros. Por um diham, passa-se fácil para o outro lado. O taxi aquático circula por entre antigas embarcações de madeira que transportam mercadorias entre os portos dos Emirados, do Irã, do Iraque e mesmo da Índia e Paquistão. Os “dowhs”, tradicional embarcação de comércio, mantêm a mesma estrutura de construção por centena de anos. Vale a pena observar a miscelânea que transportam e mais ainda acompanhar a sua descarrega ou carregamento.

O ponto alto é o museu do Forte Al-Fahaidi, construído no início do século XIX, vale o desvio. Visita rápida permite entender o desenvolvimento ocorrido após a descoberta do petróleo a partir de 1960. Planejamento adequado, decisões políticas corretas, projetos e dinheiro transformaram o deserto e uma vila de pescadores num conto de Mil e Uma Noites do século XXI.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

Mercado Público em Málaga – Terra de Picasso

Mercado Público em Málaga- Terra de Picasso


Málaga: terra de luz, touradas, semana santa, saetas e Picasso O Castelo de Gilbrafaro, dominando a colina, aponta, para o Alcazaba, local onde a arte árabe dos antigos senhores ainda predomina. A noite, iluminado, visto do mar, é cartão postal de Málaga.


Estamos na terra de nascimento de Picasso, o gênio da pintura; não se esqueça de visitar a sua casa natal, bem como o novo Museu Picasso. É preciso conhecer o homem antes de descobrir o artista. Os audiovisuais permitem revelar como viveu, trabalhou e amou o grande mestre espanhol. Percorremos as vielas estreitas da parte antiga de Málaga. A história de milhares de anos surge a todo instante, a cada esquina, enquanto procuramos o mercado de Málaga.


Ali encontraremos os produtos da Costa do Sol Espanhola. Os embutidos, os pernis de porco defumado, os cortes de cordeiro, as carnes em geral chamam a atenção. Azeitonas, todas as cores, em baldes e tinas de madeira, apresentam tentações. Azeite de oliva, marcas e extrações distintas, ajudam na preparação dos pratos típicos da região.


A pesca do atum, os produtos industrializados, os frutos do mar, são característica de toda a Andaluzia. O vinho de Málaga, licoroso, é adequado aos aperitivos e sobremesas. Imperdível. Na despedida, vendo a Praça de Toros La Malagueta, recordamos a infância de Picasso. Para poder assistir às touradas — ele sempre foi fã da tauramarquia — o jovem fazia pequenos esboços, desenhos para os espectadores. Assim começou a carreira do grande desenhista e pintor. Era momento de abrir a “botella” de vinho adquirida como recordação. Surpresas à espera.


Felipe Daiello
Autor de “Onde Estão os Dinossauros?”
Editora AGE

Mercados Maias na Guatemala

— Chichicastenango.

Chegue na véspera para poder acompanhar na quinta- feira a maior feira indígena da América Latina. Vindos de longe, roupas típicas indicativas da tribo dão o colorido ao palco. É mercado de troca, vende-se e compra-se de tudo:

Tapetes de lã, vestes, gorros, agasalhos. O frio intenso está reforçado pela altitude e pela neblina que esconde as montanhas e os vulcões.

Em cada esquina, barraca, galinhas, porcos, estão presentes. Produtos agrícolas como milho, feijão, cereais, são vendidos a granel.

Na parte central, restaurantes provisórios, rústicos, ofereciam comidas tradicionais. Porcos e galinhas em espetos giratórios exalavam cheiros e sabores convidativos. O bom senso, a prudência, exigia precauções. O estomago do turista é bastante sensível.

O mercado informal de eletrodomésticos não podia faltar. Modelos antigos, superados, dimensões exageradas, estavam ao alcance de todos. Rádios de pilha, design ultrapassado, eram a atração.

Perdido no meio do estranho a surpresa ficou ao presenciar a atuação ritual de xamã. De joelhos, em frente a igreja, local de antigas orações, queimando incenso, palavras estranhas, ladainhas, pedia a intercessão dos deuses para que as colheitas fossem fartas. Rituais Maias estão vivos. Tradições maias sobrevivem na Guatemala. As igrejas construídas sobre antigos templos atraem fiéis que entram arrastando-se pelo chão. Postura de respeito e fé.

A medicina local, baseada em ervas e poções misteriosas, era algo que nos fazia pensar. Funcionam?

Felipe Daiello

Autor de “Palavras ao Vento”

MercadosMaias na Guatemala leia na íntegra o artigo de Felipe Daiello publicado no Jornal do Mercado


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