Rodas da Fortuna – Palestra sobre a Trilogia

Rodas da Fortuna – Trilogia

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A divulgação da Trilogia das Rodas da Fortuna, através de palestras, traz a dificuldade de encontrar o caminho adequado. Além de explicar como a ideia surgiu, como o desenvolvimento dos livros tomou forma desde o lançamento de “Enfrentando os Tubarões”, é importante mostrar as lições que podemos tirar após a leitura.

Além de falar e explicar como as Rodas da Fortuna seguem marcha inexorável para frente, desde que condições favoráveis existam; é importante abordar o efeito das ideias ideológicas de esquerda que produzem o atraso, bem como o da direita conservadora que tem medo da inovação, da globalização e da necessidade de alterarmos alguns processos e parâmetros.

É importante usar modelo atual; através de audiovisual mostrar aos ouvintes algo real e moderno.

Os meus contos, abrangendo 7.000 anos de histórias do homem, apresentam os procedimentos, a liberdade de ação, a evolução da ciência, a boa gestão dos recursos, o que tornou vencedores os heróis de cada época.

Observando os capítulos associados à Conquista da América de Colombo, a Saga Portuguesa, a construção da Nova França, a expansão americana rumo ao Oeste distante, o surgimento do polo tecnológico de Chicago e o Projeto Manhattan, a escolha vai recair em Nova York.

Poderia ter sido Singapura, Hong Kong ou mesmo Seul, mas a cidade mais global do mundo foi a escolhida.

Mais de 160 línguas são ali faladas, e ,mesmo após o desastre de 11 de setembro de 2001, a reconstrução, os novos investimentos, os prédios modernos, a expansão da cultura, não deixam mais dúvidas.

Nova York sempre apresenta atrações e novos encantos aos que chegam. É impossível ver tudo numa única jornada. É preciso retornar.

O núcleo principal está na Ilha de Manhattan, mas não podemos esquecer o Brooklyin, Queens, State Island, o Bronx e Long Island, cada bairro com as suas peculiaridades.

Para conhecer a cidade, onde hoje as Rodas da Fortuna estão acelerando é preciso alguns cuidados e estabelecer prioridades.

Tendo 7, 12 ou 18 dias é preciso planejamento, marcar o que é essencial nos nossos desejos e nas necessidades que armazenamos durante a nossa vivência.

Os passeios fluviais, em torno da ilha, servem para ter visão do perfil pleno de arranha-céus. O final da tarde, concluindo pelo anoitecer, fica magnífico quando as luzes se acendem.

Do alto, a visão surpreende pelos detalhes do gigantismo da arquitetura moderna com prédios de vanguarda. Do Rockfeller Center, do Empire State Building, temos vistas tradicionais. O ingresso no Empire para o mesmo dia, permite acesso diurno e também noturno depois das 22 horas. Aprecie o contraste.

Mas o novo ícone, o World Trade Center, que substitui as Torres Gêmeas, em visão 360° deslumbra pela possibilidade de tomadas. Fotos incríveis.

Na área destruída, vamos encontrar a futura Estação Ferroviária Central e muitos monumentos.

Os projetos de vanguarda surpreendem pelas linhas, pelo projeto e pelos avanços tecnológicos no uso das instalações.

A “High Line”, elevada para pedestres, antiga rede de trens, nos dá visão do Rio Hudson e do Lower Manhattan.

A Broadway, cada vez mais luminosa é o charme da noite, depois dos teatros, da ópera, dos balés e recitais. Os maiores artistas do mundo, independente da nacionalidade, alcançam aqui o sucesso merecido.

Os museus exigem rigorosa seleção, difícil saber o que fica para a próxima vez.

A invasão coreana trouxe variáveis para a culinária. Mesmo com poucos dólares, as ofertas são adequadas, mesmo para turistas com recursos escassos.

O uso de passes combinados, para pelo menos 7 dias de estada, nos dá acesso ao essencial da viagem, de posse de mapa turístico, destaque os pontos de interesse. Depois estabeleça a prioridade. Não esqueça.

Há tanto para ver, nossos dias são escassos. Mesmo correndo, nossos passos vagabundos vão deixar muitos locais apenas como lembrança.

Quando retornar?

Quantas avenidas, mercados como o de Chelsea ou o Hell’s Kitchens ficaram para trás? Concertos em igrejas e no Central Park? Contato com o povo; as coleções de arte de particulares milionários e mesmo o complexo da ONU com pinturas de Portinari, o que esta cidade que avança no tempo ainda precisa apresentar?

“NY é a cidade que nunca dorme”. Palavras de Frank Sinatra.

 

No dia 6 de setembro , no Grêmio Náutico União, Rua João Obino 300, sede Alto Petrópolis , foi a primeira apresentação.

 

Na 62° Feira do Livro ‘As Rodas da Fortuna’ estarão disponíveis na AGE -Banca 74, Em frente ao Memorial do RGS- antigo prédio dos Correios

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Olímpia. Os favoritos dos deuses. Lembranças para os eventos no Rio de Janeiro em 2016.

Olímpia. Os favoritos dos deuses. Lembranças para os eventos no Rio deJaneiro em 2016

Nessa pequena região da Grécia, na costa do Mar Adriático, entre colinas de pouco verde e de pequenos rios, agora quase extintos, desde 776 a.C., de quatro em quatro anos, numa tentativa de aproximação para integração entre os helenos, os jogos olímpicos ,dedicados ao deus Zeus ,tinham aqui o seu palco. Momento de esquecer lutas e deixar as armas de lado.

Partindo do porto de Argostoli, a vila de Olímpia, bem no interior, não fica longe para quem chega ao porto.

Os candidatos aos louros da vitória tinham de ser gregos, livres e precisavam passar pelos testes de qualificação das provas antes de tudo.

Trinta dias com antecedência, iniciava-se a preparação, os testes e a pré-qualificação dos atletas. Junto com aos seus professores, com os seus treinadores, os candidatos eram preparados e treinados nos estádios próximos.

Separados em duas categorias conforme idade e habilidade; treinados para competições de luta livre, de lançamento do dardo, do disco, para corrida e para o box. Todos lutavam pela glória da vitória; não havia prêmio para o segundo lugar, os derrotados não tinham futuro algum e nem lembranças para a posterioridade.

O vencedor receberia honras válidas para toda sua existência, possuindo alimentação garantida e guarida em todas as cidades da Grécia por onde circulasse.

A presença feminina não era permitida, as transgressoras eram punidas com a morte. Mais tarde, apenas as sacerdotisas do templo de Olímpia ganharam permissão para acesso ao local dos embates.

À medida que Olímpia ganhava prestígio, a arena de corrida, no meio de colinas onde a assistência se dispunha, ganhava a presença de mais templos de devoção e de prédios públicos administrativos. Cada novo conquistador ou imperador na passagem deixava a sua contribuição no Santuário de Zeus. Até Alexandre Magno deixou aqui a sua contribuição e lembrança.

No museu próximo, dedicado às Olimpíadas, após termos passado pelas ruínas dos antigos templos, dos prédios públicos, do pórtico da vitória e das ruínas da antiga cidade, era o momento de visitar a exposição dedicada às Olimpíadas Gregas.

Através da arte da cerâmica e das estátuas em bronze, visualizamos as cenas das provas, das lutas, das técnicas utilizadas pelos vencedores.

As posições que os heróis tomavam ao entrar para o combate, para a glória ou para o esquecimento.

Os atletas participavam praticamente nus, apenas com o corpo coberto por óleo nos combates de luta livre.

Pela imagem em algumas ânforas foi possível descobrir a colaboração feminina. Sim! Mulheres competindo nas Olimpíadas. Muitos anos depois do início, como amazonas, dominando cavalos, elas poderiam aparecer nas competições equestres permitidas, Amazonas nas provas?

A cerâmica bege-ocre da época, com figuras estilizadas, comprova a participação feminina. A mulher obtinha reconhecimento num ato de louvar os Deuses Supremos do Universo.

Os jogos com o objetivo unificar os gregos em torno de conceito único de civilização, após a conquista romana e do advento do cristianismo, com Teodósio I, ficaram proibidos. Não aos jogos pagãos.

Só em 1896, em Atenas, o barão de Coubertin, francês, reacende a chama olímpica.

O lema de ‘ Mais rápido, mais alto e mais forte ‘ passa a ser o ideal a partir de 1924.

A bandeira olímpica, cinco círculos entrelaçados representando os 5 continentes reuniu na Cidade Maravilhosa mais de 206 Nações. Oportunidade do Rio de Janeiro apresentar para o Mundo a face de um novo Brasil. Ressurgindo como Fenix de anos de escuridão. Os jogos ocorridos em 2016, no Rio de Janeiro, apareceram com muitas outras modalidades.Foi a primeira Olimpíada a ser sediada na América Latina.

Preparar malas era o primeiro passo. Depois torcer.

-Nike! Nike! – O grito de vitória pôde ser bradado por muito dos atletas brasileiros. Esperança!

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Macau. Raízes de Portugal. Império de 500 Anos

Orgulho de uma nação, Macau representa marco importante no Império Lusitano; ainda hoje os vestígios de glórias passadas, de lutas heróicas, de dominação de terras desconhecidas, relembram os ecos de Camões e dos seus versos.

Vasco da Gama, em 1498, começou a jornada rumo às Índias, ao Pacífico, àCipango e à misteriosa Cathai de Marco Polo. Até 1999, quando foi feito acordo com o governo chinês, a bandeira do Império manteve alta a sua imponência. O Império Português durou mais do que o britânico da Rainha Vitória. Algo para comemorar com orgulho.

Até hoje em Macau, nas ruas, nos letreiros, as informações, mesmo as oficiais, surgem em letras lusitanas.

É o único lugar da China onde turista de língua portuguesa não se sente perdido. Mesmo nos tribunais tudo aparece na versão do cantonês e do português.

Mesmo durante a 2ª Guerra Mundial, as tropas invasoras japonesas mantiveram atitudes cordiais, bem diferente do que ocorreu em Hong Kong, onde a população fugiu devido às atrocidades cometidas.

Em Macau os jesuítas estabeleceram o seu quartel-general na Ásia; a primeira universidade foi aqui edificada. O gênio de Mateo Ricci, o mandarim negro, ainda é homenageado. Sua estátua, junto às ruínas da Igreja de São Paulo é reverenciada pelos chineses. Como um santo, um sábio, um intelectual – homem do mundo. A cultura ocidental chegava à China e ao Japão, partindo de Macau.

Do porto, das antigas docas, as carracas negras, cor definida pelo betume usado na calafetação dos cascos, alcançavam o porto distante de Nagasaki. Portal era aberto para a cristianização do Japão. A cultura portuguesa deixava raízes, costumes, hábitos e pratos na culinária que ainda hoje podemos visualizar e degustar. Embarcações de até 2.000 toneladas de deslocamento eram aqui fabricadas.

Camões, estátua em praça pública, recebe a devida homenagem. Após naufrágio, onde perde sua companheira, consegue salvar os seus preciosos manuscritos. Alguns dos versos aqui foram concluídos. Momento de reconhecimento e de gravar para eternidade os feitos da brava gente lusitana. Era preciso tornar português o mar desconhecido; as naves que desafiavam os deuses e os atrevidos mortais que passavam o Cabo Bojador levavam a Cruz e os símbolos de Portugal. Fernando Pessoa, nos seus versos imortalizaria feitos que agora, in loco, podemos autenticar.

Os vestes negras, os jesuítas, antes de iniciar os seus trabalho de catequese, precisavam de vários anos de estudos na língua dos povos onde deveriam levar a palavra de Cristo. Imersão total nas salas do Colégio de São Paulo, cujas ruínas podemos percorrer. O frontispício, imenso, recuperado, iluminado a noite, na colina logo ali, é magnífico. Ele procura mostrar ao estrangeiro o que foi preciso enfrentar e concretizar na conquista do Império do Meio.

Ao lado, encontramos o hospital e lá no topo o Forte do Morro, defensor da cidade. Baluarte capaz de, com seus canhões, pela capacidade dos seus soldados, suportar assédio de meses e até de anos.

Em 1622, estando as tropas ausentes – lutavam por mandarim amigo— com o forte ainda inconcluso, os holandeses tentaram tomar a cidade indefesa. Mais de 800 homens, 16 navios, atacaram a cidade. Os habitantes, apavorados, procuraram refúgio na colina salvadora, entre muros ainda não concluídos.

Por graças de Deus e auxílio da Virgem, entre os retirantes havia jesuítas, alguns com aptidões militares.

—Precisamos usar os canhões – teria sido uma das ordens de um dos guerreiros de preto.

Mesmo sem especialistas na arte da guerra, canhões foram carregados e mesmo disparados.

—Por acaso, mão de Deus, um dos tiros, dado a esmo, alcançou a carroça que transportava a pólvora do inimigo – as informações vinham de antigos manuscritos.

—A explosão foi devastadora; muitos mortos e feridos entre o inimigo surpreso. Sem pólvora não havia como tomar a fortaleza. A retirada era a única possibilidade para os invasores.

—Vendo a fuga. Animados por fervor desconhecido, os poucos soldados, mulheres, crianças, escravos e mesmo sacerdotes desceram o morro gritando contra os hereges.

—Macau estava a salvo. Se não fosse a providência divina, hoje estaríamos falando holandês – afirmava o meu guia, em castiço português.

Quanta emoção ao visitar o Museu Histórico de Macau, rever as fases de implantação da colônia, o seu desenvolvimento, o comércio, a integração com os chineses. A mistura de raças, de costumes, a culinária lusitana que ainda hoje faz parte da gastronomia local. A arquitetura vinda de Lisboa, as procissões, a mistura com os habitantes locais, as fábricas de foguetes e de fogos de artifício, tudo recorda a gente lusitana.

Livros, dicionários, mapas com caracteres chineses, a mistura de duas culturas. Cristianismo e Taoismo. Intuição e Matemática, são pilares que podemos rever nos museus de Macau.

Macau, hora e pouco de Hong Kong, mesmo com o passar dos séculos, mesmo com a redução das pessoas que falam o português, ainda é local que merece a visita.

Atualmente, chineses vindos do Continente, aqui chegam para aprender a língua de Camões. Mercados mundiais, como o do Brasil, exigem que os novos comerciantes conheçam a língua portuguesa. A China está ávida por novos mercados. Macau de novo fará a interface.

Goa, na Índia, e Macau, na China, sempre serão recordadas pelos povos de fala portuguesa como baluartes na expansão rumo à Ásia.

Nas ruas, pastéis tipo Santa Clara, são tradicionais nas boas vindas; acompanham aquele café amigo. É herança típica de Portugal, tão distante, mas que vencendo mares traiçoeiros e deuses vingativos, fincou sua bandeira em Macau. Salve brava gente e marujos de Portugal! A Eternidade é pequena para tantos versos e louvores.

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Vivaldi e As Quatro Estações em Veneza

Mesmo com o passar dos séculos, Veneza ainda reverencia o seu grande músico. Sua arte aparece nos recitais, nos teatros, nas igrejas e nas salas de espetáculos dos palácios construídos na sua época. Artistas, vestidos no estilo de 1700, apresentam aos visitantes as obras daquele frágil sacerdote, cuja saúde não possibilitava que ele exercesse as funções religiosas. Isento das atividades sagradas, era incansável no ensino da música para os jovens, no uso dos instrumentos e na elaboração das suas óperas, das suas cantatas e peças para o violino. Famoso, era requisitado em Viena, em Praga, em Budapeste e Berlim. Em Veneza, o Teatro Fenice era o local escolhido para as suas apresentações. Não perca o desvio.

Vivaldi produziu 77 concertos e 46 óperas, mas “As Quatro Estações“ é a sua obra-prima, a que todos conhecem Lojas especializadas vendem todo o acervo do gênio. Podemos escolher a orquestra e o maestro.

Hoje é fácil chegar à Veneza. De navio, de avião, de carro, de trem, é preciso depois encontrar caminho para uma das ilhas da laguna. Poucas ilhas são habitadas, só uma permite a circulação de veículos. Em Veneza, entremeada por canais, com pontes e pontilhões, por ruelas sem destino, é fácil perder o caminho, principalmente de noite.

Tudo circula por embarcações, por gôndolas, por vaporetos e lanchas rápidas. O transporte fluvial é caro; a sugestão é comprar passe livre por 48 ou 72 horas, planejar o uso racional dos ônibus aquáticos é o primeiro passo, depois podemos ir para todos os lados, para as ilhas próximas como Lido, Murano e Burano. Com os seus 300.000 habitantes, Veneza parece pequena, mas a distância entre dois pontos, duas igrejas, nunca é uma linha reta. As distâncias enganam ficar perdido é fácil, pedir informações para outro turista nunca nos leva para a posição requerida. Ele também está extraviado e confuso, alem de não falar a nossa língua. Contornar a ilha, indo de ancoradouro para ancoradouro é a melhor indicação para no menor tempo, sem cansar demais as pernas, descobrir os mistérios de Veneza. Aproveita e faça um piquenique a bordo.

De setembro até abril, época das “águas altas”, mais de 100 enchentes acontecem. Algumas são tão catastróficas que podemos usar jet-ski na Praça de San Marcos. Plano de emergência permite circular através de pranchas elevadas de madeira. Programa a viagem.

– Viver aqui é um inferno, principalmente no inverno – afirmou um local que não consegue mudar de emprego ou vender seu ponto comercial.

Muitos prédios estão desocupados, outros exigem pesadas reparações e alguns têm acesso só por lanchas e gôndolas. Veneza pela noite fica deserta em alguns distritos.

Imagine usar botas no deslocamento, ficar ilhado, com problemas de esgoto, mofo nas paredes e neve rápida em pleno fevereiro, mesmo na época das máscaras tradicionais do Carnaval de Veneza.

Em Veneza, nas lojas especializadas, mesmo nas ruas, podemos escutar qualquer das obras produzidas pelo gênio. Vivaldi representa uma das faces de Veneza. Marco Polo e as suas aventuras está na outra face.

À noite, sala de espetáculos pré-formam as suas obras principais, todos os atores e músicos usando as roupas e os figurinos da época. Difícil a escolha. Fique atento à programação semanal. Alguns espetáculos são grátis.

No Teatro Fenice, tendo sorte, podemos chegar em dias de concertos ou de óperas. Nas igrejas, ao meio dia ou nos finais de tarde, também é possível ouvir repertório que sempre desperta emoções, o que não falta em Veneza, principalmente para casais onde o romance não foi extinto.

Mesmo assim, Veneza sempre atraiu e ainda atrai escritores, artistas, pintores, milionários e amantes em busca de amores ou de prazeres perdidos ou esquecidos. A lista é enorme, e inclui Hemingway, Tchaikovsky, Chopin, Wagner…

Quantos romances, quantos poemas e relatos, quantas páginas e letras foram escritas por quem vivenciou o seu amor em Veneza.

Escutar Vivaldi é voltar no tempo, buscar origens, entender os mistérios, se possível de Veneza, algo difícil, quase impossível. Casanova e a Ponte dos Suspiros são enigmas até hoje.

Na laguna principal, entre dezenas de ilhas e ilhotas, a maioria desabitada, Veneza surge com esplendor. Todas as construções foram executadas sobre estacas de eucalipto, apoio que cede milímetros a cada ano. O projeto Moses tenta evitar as inundações periódicas que ocorrem de outubro a abril, quando as marés são mais intensas. Em 1996, 2 metros de água na Praça San Marco estabeleceu recorde de nível e de prejuízos.

– Não é fácil viver em Veneza, afirmam os nativos.

– De noite a cidade fica entregue aos fantasmas, principalmente na parte central. Alguns palacetes têm iluminação aparente para não indicar abandono. Apenas hotéis, museus, restaurantes e algumas lojas apresentam vida. Apenas nas regiões mais afastadas, próxima dos hospitais, para Canarregio, encontramos população permanente. Mesmo assim, Veneza continua mágica, misteriosa e atraente. Preciso retornar .

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Templo Maior de Roma. Museu Hebraico

Vale o desvio pelas margens do Tibre. No antigo “gueto”, para construção da nova Sinagoga, no início do século XX, algumas demolições foram necessárias. Amontoado de prédios antigos, incluindo resquícios da Meli Fiano (1764) e da Anque Scale (1814) – recordadas por antigas aquarelas – desapareciam junto com muros que segregavam a comunidade.

Num quarteirão, cercado por grades baixas, é preciso primeiro circular pelo prédio do Museu para relembrar 22 séculos de presença hebraica na Itália dos Césares e dos Papas.

Desde a primeira sinagoga em Ostia Antiga, passando pelos cemitérios nas catacumbas, pelos perigos de perseguição, pelo confinamento no gueto junto à curva do Rio Tibre, a história é contada passo a passo.

A identidade judaica é apresentada de modo cronológico e com belos exemplos da arte e do engenho de verdadeiros artistas.

Lápides de sepulturas, inscrições gravadas no mármore, símbolos milenares, representações das festas tradicionais, apresentadas de modo didático, refletem passado que não se pode esquecer.

Através de aquisições, de doações, objetos sacros, tanto na prata como no ouro, surgem para nosso deslumbre. Baraffael de 1714, Parokhet doado por Iehuda Zaddik em 1594 e restaurado em 1833 para a “Scola Nova”. A Corona di Meil de 1749, o Lampadário para o Chanucá de 1759, paramentos religiosos, tecidos e veludos renascentistas doados por comunidade francesa, mármores policromados, objetos para celebrações litúrgicas, registros dos usos e dos costumes, documentos relacionados às proibições erguidas, as permissões concedidas – como a colocação da fonte de água potável-, o mostruário é vasto. A influência dos atos papais, até o decreto do Rei Victor Emanuel dando plenos direitos civis a todos os hebreus italianos em 1904, estão ao nosso dispor. Audiovisuais complementam a visita, antes de passarmos para o prédio da Sinagoga Maior de Roma. As fotos apresentam relatório completo do passado hebraico em Roma. No livro de Macabeus, encontramos os primeiros relatos da presença judaica em Roma. Com a destruição do templo pelas Legiões de Tito, conforme inscrições no Arco levantado em Roma é possível acompanhar cenas da campanha, bem como dos artigos sagrados pilhados em Jerusalém.

Ao iniciar o processo da Inquisição, o Papa Paulo VI, obrigou a comunidade a ocupar pequeno espaço junto à Ilha Tiberina. Surgia o gueto de Roma. Local fechado, com portas lacradas, isolando os seus habitantes dos demais cidadãos de Roma. Obrigatório o uso de chapéu amarelo .

Napoleão, em 1789, ao invadir Roma, abre as portas do gueto, dando plena liberdade aos hebreus.

Garibaldi, na sua campanha pela liberdade, em luta contra a Áustria e os Estados Papais, recebe o apoio dos judeus, que tomaram armas para conseguirem dupla libertação.

Só em 1904, decreto real estabelece plenos direitos civis para os hebreus, não mais cidadãos de segunda classe na Itália.

O período nazista provocou estragos na pequena comunidade, poucos retornaram dos campos de concentração e do holocausto.

Com a criação do Estado Judeu em 1948, o Rabi Prato festejou o evento com a comunidade junto ao Arco de Tito. Símbolo de escravidão, de vergonha, nenhum judeu ousava passar pelo arco. Quase 2.000 anos foram necessários para acabar com o castigo ou a maldição segundo alguns.

– Hoje, somos quase 40.000 fiéis. Diferentes dos demais, ainda nos consideramos italianos – palavras da guia, explicando e justificando as perguntas levantadas.

– Queremos viver em paz, sem o perigo de enfrentar atos terroristas, mas agora sabemos lutar caso necessário – concluiu após a nossa visita.

Acompanhando a Lungotevere dei Cenci, a estrutura do Templo Maior se destaca entre as catedrais e igrejas de Roma. Desde o atentado terrorista de 1982, quando granadas e metralhadoras ceifaram jovens em sábado de benção especial, está cercado e vigiado. Domingo é o melhor dia para visitas guiadas. A segurança é máxima ainda mais que a coletividade muçulmana na Itália chega a dois milhões de fiéis.

Em 1986 o papa João Paulo II quebra a tradição ao visitar pela primeira vez uma sinagoga em 2000 anos. Falando em hebraico mostrou que as duas religiões têm muito em comum.

Depois, tendo o Rio Tibre como referência, estamos perto do Templo de Vesta, o redondo, da Boca de la Veritá e do Teatro Marcelo, a seguir o Capitolino, com seus museus e a estátua equestre do Imperador Marco Aurélio nos dá outra referência. Roma tem outras surpresas.

Em janeiro de 2016, o Jesuíta Papa Francisco, visitou o Templo Maior, data que comemora o diálogo aberto entre católicos e judeus.

Apesar das desavenças históricas, elas possuem imensos pontos comuns, principalmente no mundo atual com conflitos e fanatismo religioso crescentes.

Construído entre os anos 1901 e 1904, segue o projeto “Art Dec” com dono quadrado em realce, o único em Roma.

No símbolo de liberdade, projeto de Vicenzo Costa e Osvaldo Armanni, o Museu Judio de Roma, protegido por cercas, merece o desvio das rotas tradicionais dos turistas.

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