Páscoa na Serra Gaúcha

Para muitos apenas o momento de descansar, para outros a oportunidade de compras, de passeios, de conversas e muito chocolate. No entanto, algo místico, espiritual na essência, está disponível para incrédulos.
Época de Páscoa, tradições de milênios são recordadas, tanto na crença judaica como na cristã, e, mesmo para os ateus, é momento de reflexão, de renovação e ressurgimentos.
Cada região, país ou mesmo cidade, têm no palco algo associado a Paixão de Cristo. Em todo o mundo, as luzes, as procissões, os atos de fé são oportunidades que os turistas de profissão não podem perder.

Nas Filipinas, no México, pessoas são crucificadas; cravos arrancam sangue, dor e devoção. Na América Latina, principalmente no Equador,surgem andores ornados com prata e flores; irmandades seculares circulam pelas ruas de antigas cidades coloniais.

Na Espanha: Sevilha, Málaga, ao som das saetas, os confrades com chapeus em ponta, em ritos de fé, desfilam pelas ruas apinhadas.

Com as técnicas modernas, espetáculos são montados. Diretores, atores escolhidos, danças, cantores de relevo, profissionais de mídia, trabalham meses para apresentar o show do ano.
Nova Jerusalém, em Pernambuco, o maior teatro a céu aberto do nosso planeta é possibilidade para os que têm tempo de uma saída mais longa.
No entanto, a Serra Gaúcha apresenta alternativa. Em Gramado, na sexta-feira santa, à noite, procissão em homenagem à morte do Nosso Senhor é atração. Voluntários são aceitos e necessários, basta chegar a tempo na Casa Paroquial e escolher o traje da irmandade preferida. Podemos usar vestes azuis, vermelhas, brancas ou com cores misturadas. Os capuzes escondem personalidades, agora seremos apenas penitentes. Com velas, matracas, acompanhamos os andores que lideram cada ala da procissão. Entre cantos, ladainhas e salmos puxados pelos sacerdotes, na escuridão da noite, iluminação externa reduzida, lua cheia tentando bisbilhotar a cena, nossos passos, pensamentos e intenções chegarão à catedral.

A opção de Canela é mais teatral. Em ambiente fechado, usando técnicas de dança, da iluminação, da representação das artes, uma heroína apresenta trabalho de equipe que empolga qualquer ateu ou descrente médio.

Desde a Santa Ceia, até a Ressurreição, passagens da vida de Cristo são apresentadas como cenas de drama, de vida dura e de palavras até hoje repetidas. Dois mil anos ainda não apagaram verdades.
A emoção contamina o público; entre saetas doloridas cantadas por barítono, os faunos e demônios ensaiam movimentos de balé. Satanás como coadjuvante, roupa formal, estranha à cena, surge sempre como contraponto. Mordaz, lança dúvidas, provoca a parte humana do Senhor. A intensidade da música, crescente com a emoção, nos mergulha dentro do drama. Recursos cênicos, de circo, de cinema, agregam modernidade ao espetáculo.

Neusa Martinotto, na direção geral, consegue momentos mágicos: o ruído da cruz, vibrando a madeira no palco, transforma sons em gritos de agonia, de desespero e de dor. Amadores, pelo entusiasmo, pela ação de peça milenar, conseguem ultrapassar limites. Os efeitos das luzes, das fumaças, das cores mutantes da iluminação, das roldanas que trazem arcanjos e levantam em penitencia e dor o castigo do apóstolo traidor, bem como o enforcamento bíblico, são elos da coreografia utilizada para a nossa satisfação.

O Semeador, peça reencenada este ano, é o ponto alto na nossa visita à Serra Gaúcha na época da Páscoa.
Momentos adequados, certos, de pensarmos na nossa libertação, de escapar das artimanhas e garras criadas por civilização que muitos consideram moderna, científica e cheia de promessas, de alegrias vãs, possibilidades que, na realidade, nos remetem a novas prisões.
Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘A Viagem dos Bichos’
Editora AGE
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A Índia de Vasco da Gama. Cochin ou Kochi

A Índia de Vasco da Gama

Vasco da Gama, nome citado por Camões nos versos dos “Lusíadas’, sempre será recordado por essas bandas. O descobridor do Caminho para as Índias, ao contornar o temido Cabo das Tormentas, bem ao sul do Continente Africano, na junção entre dois oceanos, o Índico e o Atlântico, é lenda sempre renovada pelos ventos, pelo marulho incessante das ondas e pelos pensamentos de novos aventureiros.

Numa viagem de hoje, o que Vasco da Gama não teria como surpresas?

Famosa como centro de especiarias, Kochi – nome atual – apresenta além de shoppings exigindo manutenção, casas com típica arquitetura portuguesa e holandesa. Os prédios governamentais expõem o estilo inglês dos últimos conquistadores. Não perca a visita à antiga Bolsa Mundial da venda de pimenta.

Necessário circular por ruelas, avenidas, apinhadas, cruzamento sem semáforos, pelas pontes que cruzam canais e interligam as diversas ilhas para compreender a capital do Estado de Kerala.

O tuk-tuk, taxi-motocicleta, era o meio de transporte. Nosso motorista, audacioso, enfrentava a confusão do tráfego. Lá estávamos no meio de motocicletas, pedestres corajosos e ônibus com pinturas multicoloridas escondendo anos de uso contínuo.

Mão inglesa, rótulas onde não se respeita nada, buzinar é ato de precaução aviso de sair do caminho. Apesar das diversas possibilidades não assistimos a nenhum acidente. Os deuses, múltiplos, estão presentes na loucura de cada dia.

Em vez de vacas, raras, são os cabritos os animais que passeiam livres, abandonados pelas ruas.

Poucos pássaros, a maioria são corvos, estridentes nos voos, sempre procurando roubar o alimento diário.

Na parte antiga de Cochin, as raízes de Portugal surgem. Na Sé da Santa Cruz, uma das primeiras igrejas edificadas, Santo Antonio de Portugal é reverenciado. Aqui ele é o protetor da castidade das donzelas. Os pais, em procissão, pedem apoio do Santo para manter a integridade das filhas, para afastar as tentações.

Ao realizar a sua terceira viagem à Índia, Vasco da Gama morre aqui em 24 de dezembro de 1524. Febres tropicais encerram uma epopéia.

A presença da experiência do desbravador do Caminho das Índias, percurso marítimo nunca antes vencido pela extensão dos mares, era necessária para manter o domínio de Portugal nas terras dos Marajás; local onde as especiarias, a seda e o ouro exigiam nova rota comercial. O antigo vice-rei tivera administração calamitosa, Vasco da Gama substituía Duarte de Menezes.

Lápide mostra o local onde ele foi enterrado e de onde seria mais tarde, em 1539, transladado por seu filho para Portugal. Em 1880, seus despojos serão colocados no Mosteiro dos Jerônimo, para a glória eterna do seu nome e de Portugal.

Réplica de náu “Gabriel” mostra as dificuldades para conquistar novas terras, para tornar o domínio dos Deuses, dos Senhores das Tormentas, em “mar Português”.

A Rota do Atlântico para as Índias será para sempre Gloria da Nação Lusitana. Os versos de Camões e de Fernando Pessoa refletem o orgulho, a coragem e a tenacidade de homens que não dispunham mais do que simples caixotes de madeira para realizar a empreitada.

No palácio holandês, conhecido por Mattancherry Palace, importante pelos murais com cenas da Ramayade, pela memorália dos antigos marajás, potentados que reinaram em Kerala até a independência da Índia em 1947, podemos refletir sobre lutas de Portugal contra a Holanda para manter o conquistado por Vasco da Gama.

No sul da Índia, todas as igrejas, mesmo as modernas seguem padrões das primeiras edificações. Surgem em branco por todos os lados. Oratórios são pontos de reverencia nas encruzilhadas, em pontos remotos; São Jorge, Santo Antonio e até Madre Teresa de Calcutá tem os seus devotos. Velas e colares de flores são depositados para obter os favores necessários à existência adequada dos humanos.

Cochin foi palco de muitas batalhas, de conquistas e de reconquistas. De Goa, base portuguesa, saiam as expedições para enfrentar os inimigos da fé e do comércio.

Em Jew Town, bairro onde colônia judia se estabelecera, a Sinagoga de Paradesi conta a sua história. O bairro e a Sinagoga foram quase todos destruídos por expedição punitiva, vinda de Goa, em 1664.

A moderna cidade localizada na ilha de Ernakulam é base aeronaval, importante porto comercial, sede de estaleiros e de muitas indústrias. Vasco, como homenagem, é nome de um dos locais da proximidade.

O Estado de Kerala é famoso, até hoje, pelos perfumes, pelas essências, pelas terapias orientais, pela Ayurveda, mas ainda apresenta percentual elevado de cristãos em função da evangelização que acompanhou a conquista da Índia.

Mais ao norte, na antiga Goa, encontramos os prédios, os monumentos e templos que pela majestade denominaram Goa como a Roma do Oriente. Na Basílica do Bom Jesus, São Francisco de Xavier aparece exposto em uma urna de cristal e de prata. Local de veneração, mesmo para os indianos.

Em Panjim, a partir do século XVIII, com a decadência do porto de Goa, iremos encontrar a nova sede administrativa da índia Portuguesa. Mesmo com a ação do tempo, alguns locais, pela arquitetura das casas e residências, lembram a Alfama de Lisboa. Local atual de turismo.

Mais ao norte, além das praias de Goa, de Calicut, vamos encontrar “Bom Baía”, porto seguro onde as naves lusitanas aportavam. Agora, depois do auge do Império Britânico, um conglomerado humano aparece, estamos em águas de Mumbai, segunda cidade em população da Índia. O nome de deus local, ligado aos mares, substitui a tradicional designação de Bombay – nome dado pelos ingleses, mas que não apaga o fato de que, por séculos, o pavilhão de Portugal, país minúsculo à época, era o senhor absoluto das terras descobertas pela audácia de Vasco da Gama.

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A Jamaica de Ian Fleming. Criador do 007

A Jamaica é centro mundial de turismo, atraindo para as delícias do Caribe, os que têm dinheiro para fugir do inverno europeu e canadense. Foi surpresa ao descobrir que o escritor inglês, Ian Fleming se apaixonou pela ilha, local onde permaneceu por 20 anos e onde escreveu 14 das suas novelas.

De família rica, com a melhor instrução possível, como adido naval do serviço de inteligência britânica, durante a 2º Guerra Mundial, participa de conferência para combater os submarinos nazistas que atuavam no Caribe, descobre as maravilhas das águas tépidas, das sete cores no azul e na turquesa, das areias brancas e de povo acolhedor. É amor à primeira vista, algo que hoje qualquer turista também pode desfrutar. Depois da guerra adquire residência junto ao mar em Oracabessa, local perto de Ocho Rios, no norte da ilha, cerca de 100 quilômetros da capital Kingston, mais ao sul.

Goldeneye, hoje é um resorte de luxo, mas preserva o ambiente, o local e a máquina de escrever por ele usada.

Como jornalista e especialista da época da Guerra Fria, entre a União Soviética e os Estados Unidos, coletou experiências e informação para criar o personagem 007. O espião que podia e tinha licença para matar.

Cassino Royal, escrito em 1952, foi o seu primeiro livro, mas só em 1962, com o lançamento de “Dr No”, com Úrsula Andress e Sean Conery, Hollywood o leva a glória e a fama.

Muitos dos locais de filmagem tiveram a Jamaica como cenário, principalmente nas películas: “Dr No” e “Live and Let Die”. Na Jamaica Swamp em Falmouth, foi filmada a cena que 007 corre sobre crocodilos amontoado, uma ponte viva.

Viajando entre Montego Bay, Falmouth, Ocho Rios e Oracabessa, estrada bordejando o mar, entre palmeiras, hotéis de luxo, campos de golfe, praias nem sempre acessíveis e incríveis bancos de corais é possível vislumbrar, apreciar e gozar uma vida plena de aventuras, de delícias e de luxo sem igual. Encontramos a “James Bond Beach”, e os pântanos vistos em “Dr No”.

A própria figura de Ian Fleming, fumante inveterado, amante dos prazeres do mundo, do jogo e das mulheres, nos recorda o personagem 007. Na realidade, Ian Fleming representa na real o personagem por ele criado. James Bond, o nome do herói, ele tirou de amigo ornitólogo, parceiro na observação de pássaros, um dos prazeres de Ian Fleaming.

A vida alegre da Jamaica, o ritmo da sua música, o moto popular de “Be Happy” e “No Problem”, algo natural da população descendente na maioria de escravos, fez a moldura necessária para a criação de tantas histórias que o cinema imortalizou.

A Jamaica, ilha pertencente as Grandes Antilhas, tem relatos históricos interessantes. O pirata Henry Morgan, depois de perseguido pela Coroa Britânica terminou seus dias como Sir, dono de terras, respeitado cidadão e Governador da Ilha. A cana de açúcar que trouxe prosperidade e escravidão produziu bebida que valia como dinheiro nas trocas do mercado mundial: o Rum.

Atualmente, o turismo de massa põe ao alcance de qualquer turista a custo adequado, os prazeres que encantaram Ian Fleaming e o ajudaram a criar James Bond, a figura do agente secreto que todo o homem gostaria de ser, pelo menos por um dia ou por uma noite.

No trajeto, em Discover Bay podemos recordar o local onde Cristóvão Colombo aportou na sua 3º viagem à América. Ocho Rios representa o último local de domínio espanhol , do porto as últimas tropas fugiram do avanço britânico que ocupava toda a ilha.

Como gratidão, o 3º Aeroporto Internacional da Ilha, perto de Oracabessa, na província de St. Mary, recebe o nome do escritor. Junto com Usain Bolt, Bob Marley agora Ian Fleaming faz parte da Jamaica.

Alguns críticos, entre linhas, afirmam que a originalidade da criação de 007 deve-se a Somerset Maughan, que também na função de escritor executou trabalhos para o Serviço Secreto de Sua Majestade Britânica. Novela, desenvolvida muitos anos antes, já descrevia agente capaz de ultrapassar os limites humanos e os da própria imaginação.

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Obesidade Mental

1)Introdução

O controle da nova doença, algo que assola as nossas crianças, pelo excesso de informações eletrônicas que estimulam apenas a memória de curta duração, pode ser combatido pelo estímulo à leitura e a troca de revistas entre os jovens.

No projeto “Escola Despertar”, do Grêmio Náutico União, além da luta contra a obesidade física, com o incentivo aos esportes, dentro do programa de estímulo à leitura, será implantado “O Cantinho da Leitura”. Em expositor de fácil acesso, revistas e livros infantis serão apresentados como novos amigos. Importante incentivar não apenas a leitura que desenvolve a memória de longa duração, mas despertar a imaginação e a criatividade desde cedo.

2) Cantinho da Cultura

Jogos farão a conexão entre os esportes e a literatura. Objetivo principal: desenvolver músculos e cérebro, a combinação perfeita para o sucesso no futuro. Artes cênicas e a projeção das figuras do livro podem ser usadas no apoio.

A experiência do balcão da cultura implantada em dezembro de 2011, na sede do GNU da Bela Vista, agora terá clone infantil.

Dedicada às crianças, o enfoque estará centrado em revistas em quadrinhos destinadas aos jovens.

Numa pequena estande, os futuros leitores, mercadoria escassa, terão possibilidade de trazer a sua contribuição. A troca das revistas, além de incentivar o intercâmbio comunitário, permitirá com o apoio dos instrutores a permuta de informações. O processo estimulará ações de solidariedade, de repartir e partilhar não apenas experiências, gostos, mas o principal será o uso da imaginação. Os futuros leitores serão incentivados no uso da sua imaginação, na criação de histórias próprias e inclusive na elaboração de desenhos, das figuras dos novos personagens. O computador será um auxiliar.

Como no nosso tempo, lá no passado, quando trocávamos os “gibis” — nome das revistas da minha época —, uma experiência didática começa a deslanchar no nosso bairro.

Esperamos além do esperado sucesso, a divulgação do fato e a sua multiplicação em outras escolas em outros locais. Precisamos recuperar o tempo perdido.

3) Dados do Organizador

Felipe Daiello, engenheiro, professor e empresário, editou dois livros de literatura infantil. Tanto “A Viagem dos Bichos” como a “Aventura dos Bichos” segue técnica modernas para facilitar a contação de histórias tanto por parte de professores como de pais e avós.

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Lanzarote. O refúgio de José Saramago nas Ilhas Canárias

A paisagem vulcânica, cores escuras, relevo enrugado, resultado de erupções frequentes e com duração de anos, torna a lunar o aspecto dessa ilhas canárias.

Cortadas por ventos, açoitada pelas ondas nem sempre mansas do Oceano Atlântico. Lanzarote uma das sete ilhas do arquipélago está à vista no horizonte.

Nesse local tão inamistoso, como em exílio, o escritor português José Saramago estabelece novas raízes; aqui no pequeno povoado de Tias, casas nas cores brancas em contraste com o escuro das lavas expelidas pelos vulcões, o prêmio Nobel terá o seu último refúgio.

Pela autoestrada, partindo de Arrecife — porto livre onde podemos comprar com descontos — em direção ao Parque Nacional Timanfaya, não há como errar o caminho. Com a boa vontade local encontramos o destino, a vista da colina para a Praia del Carmem é interessante.

Timanfaya, região inóspita, sem fonte de água potável, vegetação escassa, alguns cardos são o único verde disponível, apresenta crateras de antigos vulcões, fumarolas de enxofre e águas ferventes onde os turistas cozinham os ovos levados para as refeições e piqueniques.

Em lutas constantes contra as autoridades de Portugal, incluindo a Igreja Católica, não esquece que foi rejeitado, mesmo expulso, devido aos seus pensamentos, suas palavras, seus livros e pela posição política de contestação à antigos valores.

Apesar de tudo, não estará tão longe das praias lusitanas. Lanzarote é a Ilha das Canárias mais próxima das suas origens, pode sentir e reconhecer as aragens vindas de tão longe.

O ambiente é adequado, combina com o caráter do poeta romancista, lugar possível para os seus últimos anos de vida.

Revolucionário, radical em atitudes, defende o ateísmo e o iberismo, sendo contra a Comunidade Européia.

Como membro do Partido Comunista engaja-se em lutas populares, mas sempre capaz de partir para polêmicas.

Em Porto Alegre, em conferência ficou claro o seu descontentamento com os rumos tomados pelo socialismo no mundo.

Metódico no que escrevia, não permitia correções ou alteração no seu texto, mesmo quando impressos para divulgação no Brasil. Não admitia modificações em termos ou palavras que tinham interpretação ou sentido diferente na antiga colônia. Frases longas, pontuação diferenciada, técnica de oratória são características de suas obras onde encontramos: “Memorial do Convento”, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, e o “Ensaio sobre a cegueira”.

Ao interpretar de modo livre os textos da Bíblia, aumenta o nível de atrito, inclusive com o Papa Bento XVI, afirmando: “Lê a Bíblia e perde a fé”.

Com a sua segunda esposa, jornalista espanhola, como editora e amiga, continua criando novas obras. Aqui recebe a notícia da imortalidade criada pelo recebimento do Prêmio Nobel da Literatura. Para o poeta que descobriu a importância de cegueira, mesmo hoje vivemos numa pequena aldeia.

“Muito universo, muito espaço sideral, mas o mundo é mesmo uma aldeia” — José Saramago.

Após a sua morte, em 18 de junho de 2010, por decisão de sua esposa, Piñar Del Rio, ocorrerá a reconciliação definitiva.

Em Lisboa, em praça pública, perto da Casa dos Bicos, suas cinzas serão colocadas junto às raízes de oliveira centenária, símbolo de Portugal, árvore trazida da sua terra natal — Azinhaga, lá para a região do Ribatejo.

Momento de esquecer rancores, de perdoar desfeitas e mal entendidos, de reconhecimento e mesmo de perdão.

Talvez o vento, ao final das tardes, subindo as ladeiras de Alfama, recorde as palavras eternas:

“Estou convencido de que é preciso dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto”. — José Saramago.

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