Golden Souk – Tentações douradas de Dubai

Golden Souk:tentações douradas de Dubai


Na região portuária, parte antiga da cidade dos sonhos, da moderna Dubai, o maior mercado de ouro do mundo está ao nosso alcance. Não se pode ignorar o Souk Dourado. A baixa taxação, incentivos, impostos esquecidos, favorecem os negócios com metais preciosos. Os preços convidativos atraem os turistas e os curiosos. O brilho dourado, o fulgor da luz dos diamantes, são reverenciados e adorados pelos árabes.


As joalherias, lojas agrupadas, ocupando quarteirões e quarteirões, apresentam nas vitrines peças magníficas em ouro de 22 quilates. Iluminação adequada destaca o brilho, adiciona calor, insufla o desejo e realiza sonhos. Pobre do nosso cartão de crédito. Colares, pulseiras, aparecem em filas contínuas, são centenas de peças despertando anseios e ambições. Lâmpadas especiais ampliam o efeito dos desejos, das vontades e das intenções. Como mariposas não escapamos das vitrines. Enfeitiçam. Cinturões, largos nas dimensões, em excesso nas gramas, são adequados para oferta de dotes para noivas ou para simples agrados femininos. Penduricalhos trabalhados, imensos, dignos de bustos e de silhuetas avantajados, produzem indecisão na escolha.


Para mulheres especiais, com provedores milionários, biquínis executados em malha dourada se apresentam confiantes. Sutiãs executados com o metal amarelo, máscaras feitas com fios de 22 quilates, tentam esconder os rostos das esposas de olhares profanos. Como a tradição muçulmana permite a possibilidade de 4 esposas para o homem, a competição entre as favoritas não prescinde dos presentes obrigatórios; tudo, de preferência, em ouro 22 quilates. Peças inteiras, bustiês, refletem a cor do desejo, do poder e do dinheiro dos sheiks.


Para investidores: lingotes, moedas de todos os tipos e procedências, peças comemorativas de eventos marcantes, não ficam esquecidos. Para cada vontade existe a solução adequada. Ao lado, jóias, onde os diamantes pontificam, são outra alternativa. Os anéis de noivado ou de casamento não apresentam apenas a singeleza do ouro, todos exigem o brilho dos diamantes para expressar os votos dos nubentes. O anel dos noivos, como sempre, tem pedras especiais de maior quilate. Pérolas, todas as cores e matizes, colares imensos, variedades quase impossíveis, são alternativas.

Por 30.000 dólares consegue-se maravilhas na combinação do negro das pérolas do Taiti ao branco do Japão, passando pelo rosa da Índia e mesmo da China. O antigo tráfico de jóias, comércio milenar entre a China, a Índia e os Países Árabes, agora está centralizado em Dubai. No momento atual, Dubai é o melhor local do mundo para adquirir aquele presente, seja em ouro, em prata, com pérolas ou diamantes. Não perca a oportunidade para oferecer um regalo a sua amada. Os preços convidam.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

Iêmen do Sul – Mercado de miséria e de aflições

Iêmen do Sul: mercado de miséria


Na cratera de antigo vulcão, porto procurado por navegadores em busca de abrigo, a velha cidade de Aden surge no horizonte. Por efeitos das lutas contra o Iêmen do Norte, do domínio de governo marxista por mais de 20 anos, a estagnação é visível nos velhos prédios. Muitos estão em ruínas, sem manutenção, sem esperanças. Antigos fortes, vestígios da passagem dos navegadores portugueses em busca de aguadas, são meras lembranças. Vasco da Gama é nome citado nos anais.


Na parte central, zona comercial, lojas com poucos artigos, qualidade inferior, preços baixos. As tradicionais especiarias, os perfumes, os incensos estão disponíveis, mas sem atração. O apelo de compra fica limitado pelo caráter precário das lojas. A pobreza é rainha, a ignorância segue ao lado. Nas calçadas e mesmo nas ruas os artífices procuram atraie consumidores. Engraxates, alfaiates e mesmo dentistas. Conserto de tudo é possível em plena rua. Sentados, imóveis, rostos tristes, aguardam os clientes.


Desemprego elevado, mais de 60% da população onde os jovens predominam, obriga os profissionais a uma gincana diária. Junto aos prédios, em filas contra as paredes, podemos escolher o que a necessidade exige. Pintores com escadas e rolos de pintura,profissionais com caixas de ferramentas, carpinteiros com os seus serrotes, instaladores, hidráulicos e elétricos; olhares ansiosos estão a disposição.


Na multidão da miséria e da fome apenas o sorriso das crianças é o único grito de esperança. São alegres e barulhentas quando se dirigem ou saem das escolas; em busca de futuro, não têm possibilidades de sucesso. Viajar pelo interior é perigoso, alguns turistas seqüestrados, acabaram degolados frente à câmaras de televisão.

Os radicais fundamentalistas islâmicos precisam de propaganda. Ainda bem que escolta armada de policiais acompanha a nossa visita. Pelas estatísticas, o país com vinte e dois milhões de habitantes, possui mais de quarenta milhões de armas. Lembranças das lutas, das revoltas; para a sorte de muitos, não estão ativas por falta de munição. Nas montanhas do interior, bases de treinamento de terroristas patrocinados pela Al Quaeda poderão ser localizadas por turistas desavisados.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

Mercado de frutas e tâmaras em Dubai – EA

Mercado de tâmaras em Dubai


Perto da região do Creek, longe do fausto dos prédios portentosos das mil e uma noites, dos hotéis de sete estrelas, mais perto da realidade e do povo comum, os mercados populares se espalham. Na antiga região de Dubai, local das primeiras tradições, usando uma abra – tipo de táxi aquático – para efetuar a travessia, podemos alcançar a realidade diária de Dubai. Aqui a população adquire os produtos essenciais ao dia a dia.


As tâmaras, produto típico da região, aparecem com todos os aspectos, cores e sabores possíveis. Encontramos mais de doze qualidades e procedências. Vindas de todos os pontos da península Arábica, do Irã, da Índia e até dos Emirados. Em natura, sob a forma de doces, coberta de enfeites, de mel, são tentações bastante calóricas; não dá para resistir. Xaropes produzidos pela extração do açúcar característico das tâmaras é outra especialidade. Estranhos! Em sacos imensos, os pistaches são outra tentação. Cores diferenciadas, tratamento diferente, gostos e possibilidadesdifíceis de degustar e mesmo de falar ou descrever.


Os doces feitos com o mel das abelhas do deserto são fortes, cores escuras, intensas, sabores nunca apreciados. Não há como resistir às provas, às ofertas dos comerciantes, não podemos fugir das calorias e do peso adicional, resultado lógico da nossa gula.


Nas lojas populares encontramos a realidade. Mulheres do povo, vestindo roupas negras, tecido barato, mostram apenas o rosto. Com a liberação dos costumes as burkas não são comuns. As discussões teológicas por aqui gastam horas analisar qual a parte do corpo feminino pode ser mostrada ao público. Considerada responsável pelos pecados do mundo, a mulher não pode excitar o homem, provocando tentações que desencaminhe os fiéis das suas obrigações.

O fundamentalismo islâmico é cruel com as mulheres. Interessante a comparação dos costumes. Dubai, um dos sete emirados árabes, permite certa liberdade aos turistas e aos estrangeiros. Mesmo assim, respeite os costumes locais se não quiser ser deportado. Nas áreas dos hotéis de luxo, em spas e zonas turísticas, temos liberdade, mas na zona do povo deve-se evitar roupas escassas e atitudes indecorosas, como beijos e abraços efusivos. Casal de ingleses teve sugerida a rota mais rápida até o aeroporto. Não se pode comprar álcool em nenhum local, apenas nos hotéis de luxo, pagando preços abusivos. O consumo de drogas é proibido e evitado por todos, o que elimina uma série de delitos e crimes comuns no ocidente. Pode-se passear com segurança, apenas as mulheres devem circular acompanhadas de amigos ou maridos. As pessoas comuns não falam inglês, mas entendem o básico. Simpáticos, adoram tirar fotos, mas depois querem ver como se saíram. Muitas fotos foram tiradas apenas para agradar aos nossos interlocutores, quando, ao descobrirem que éramos brasileiros, tentavam repetir o nome de jogadores de futebol que a televisão popularizou. * Durante o passeio, se a fome aparecer há sugestões interessantes, mas é preciso cuidar no aspecto das calorias. Muitos produtos são considerados afrodisíacos.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE

Madre Superiora

Apesar de mulher, de engenheira, não era considerada na primeira mirada pelos subordinados. Ledo engano: os faltosos, em breve, iriam pagar caro pela desatenção.

Não era dada a sorrisos e a brincadeiras. Eficiência, controle de qualidade, selos e estigmas de controle e de produção, a sua visão permanente. Sem discussões.

Detalhes, os menores possíveis, as minúcias das normas, nada era deixado para trás. Numa indústria eletrônica, ela estava com a faca e o queijo na mão. Responsável pelos controles periféricos dos produtos em desenvolvimento e mesmo pela linha de montagem, a palavra final, a intermediária, mesmo as preliminares eram a sua responsabilidade.

Bastava olhar sua face para perceber o furacão que se aproximava. Sem relâmpagos como anuncio, um descuidado iria ser denunciado, esfolado, reformado e depois punido.

As regras eram claras, não era necessário ser bom leitor. Em letras vermelhas, os cartazes estavam por todos os lados; não podiam ser esquecidos. Não havia desculpa.

“Errar é humano, mas não na minha linha de montagens” — dogmas.

Nas inspeções, nas palestras, os erros cometidos, as falhas por relaxamento eram apontados. Todos deviam trabalhar em sintonia. A equipe exigia a colaboração de todos, como mantras, os mandamentos eram repetidos à exaustão.

Um rosário de cotas, de instruções e de procedimentos era dedilhado todas as semanas, a todo o momento.

Os fiéis não precisavam ficar de joelhos, mas a introdução às devoções, às ladainhas, aos ritos de pureza de atos e de fatos não podia ser esquecida. Energia comunitária deveria fluir naquele ambiente. Mesmo uma fábrica exige sequência de rezas permanentes. Os mortais, ali trabalhando, precisam saber das fraquezas do corpo, da necessidade de treinar o espírito, do fortalecimento da alma e da importância das rezas, das súplicas, dos mandamentos e dos desvios de conduta.

As ordens de Madame Iso, apelido carinhoso recebido das más línguas, exigem perfeição no entendimento, nos procedimentos necessários, no planejamento e na obediência às regras rígidas no controle de qualidade exigido. As recomendações, entre cochichos misteriosos, eram passadas como senhas para os novatos, para os estagiários e para os funcionários em estágio probatórios, para todos interessados em permanecerem trabalhando no local.

Suas palavras, como açoite castigavam os pecadores. Sem perdão, sem penitência; não havia purgatório. As portas do inferno estavam escancaradas. Aguardavam outro infeliz, arrependido ou não!

Para os novatos, os iniciantes na jornada, o aviso era seco e rápido.

“Aqui quem não está no time da é em breve outro desempregado”.

Felipe Daiello

Autor de “Palavras ao Vento” e “Onde Estão os Dinossauros?”

Editora AGE

.

Mercado de Tecidos – Dubai

Mercado deTecidos – Dubai


Mesmo sufocado pelo luxo dos modernos edifícios, não é possível desconhecer as raízes dos Emirados Árabes. Característica típica do oriente, desde o tempo de Marco Polo, de Vasco da Gama, além das sedas, com toques macios e cores desconhecidas dos ocidentais, todos os tecidos têm a sua zona própria para comercialização em Dubai. Na velha Dubai, perto de Creek, local onde barcos de madeira com formato característico, “os abras” fazem a travessia do canal, localizam-se as lojas principais. O comércio de tecidos é privilégio e característica dos indianos. Pode-se comprar todas as possibilidades: algodão, tecidos sintéticos, sedas magníficas, linho, juta…


Adquirida a peça adequada, logo ao lado encontramos alfaiates que, seguindo as dicas dos estilistas de Paris ou de Milão, executarão em 24 horas aquele vestido, aquele paletó, que alcançam valores exorbitantes nas lojas dos Grandes Malls. A facilidade do pequeno comércio entre Índia, Paquistão, Irã, Filipinas, Sri Lanka, onde a mão de obra artesanal possui boa qualidade e preços insignificantes, a centralização dos negócios nos Emirados, permite a obtenção de pechinchas nas compras de fazendas, de camisas, de calças e vestidos. Não é necessário passar pelo centro de comércio de luxo. Evite as lojas caras, revise o manual de negociação e de discussão do preço; não esqueça que há necessidade de se exigir o desconto padrão, algo tradicional para concluir a negociação entre os orientais.


Agora, com tempo disponível, é possível passar para o outro lado do canal, de modo a conhecer o Mercado das Especiarias e depois o Mercado do Pescado. Ali encontramos as raízes de Dubai, o modo de viver da população mais pobre, a realidade que está bem distante dos centros de luxo e dos hotéis de seis estrelas de Jumeirah Beach.


Depois das compras, circule pela beira do cais do Creek, extensão de doze quilômetros. Por um diham, passa-se fácil para o outro lado. O taxi aquático circula por entre antigas embarcações de madeira que transportam mercadorias entre os portos dos Emirados, do Irã, do Iraque e mesmo da Índia e Paquistão. Os “dowhs”, tradicional embarcação de comércio, mantêm a mesma estrutura de construção por centena de anos. Vale a pena observar a miscelânea que transportam e mais ainda acompanhar a sua descarrega ou carregamento.

O ponto alto é o museu do Forte Al-Fahaidi, construído no início do século XIX, vale o desvio. Visita rápida permite entender o desenvolvimento ocorrido após a descoberta do petróleo a partir de 1960. Planejamento adequado, decisões políticas corretas, projetos e dinheiro transformaram o deserto e uma vila de pescadores num conto de Mil e Uma Noites do século XXI.

Felipe Daiello
Autor de “Palavras ao Vento” e ‘Onde Estão os Dinossauros?’
Editora AGE